“Desmistificação do Design Gráfico”

Estudo da UEL pretende acabar com o preconceito em relação à profissão e aumentar o campo de trabalho 

A coordenadora do projeto, prof. Ana Luisa, à esquerda e a estudante que o idealizou, Aline Sayuri Hayashi, à direita

 

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Renan Cunha
Quando nos deparamos com a composição gráfica de lojas, jornais e vinhetas de TV, ficamos extasiados diante delas com olhar de admiração. O que, na maioria das vezes, não nos perguntamos é quem está por trás dessas criações e como elas são feitas. Na verdade, o profissional responsável é o designer gráfico. É ele quem desenvolve o visual de logotipos, panfletos e anúncios, adequando-os às necessidades do cliente. Apesar disso, o Design Gráfico, por não ser compreendido, sofre preconceitos sendo até mesmo rotulado como algo fútil. É o que revela o projeto de pesquisa “Desmistificação do design gráfico” do Departamento de Design da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O projeto, proposto pela estudante Aline Sayuri Hayashi, do terceiro ano do curso de Design Gráfico, é coordenado pela professora Ana Luisa Boavista Lustosa Cavalcante – graduada em Desenho Industrial e mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ). A pesquisa tem por objetivo classificar de forma correta o Design Gráfico e criar um site a respeito do tema, no qual conste todas as informações de maneira que as pessoas entendam as possibilidades de atuação no mercado, a história e toda a complexidade da profissão. 

De acordo com a coordenadora Ana Luisa Cavalcante, os levantamentos da pesquisa apontam que, principalmente nas definições e denominações de design usadas pelas universidades do Brasil, embora haja pontos semelhantes, muitas colocações acabam dando margem para o preconceito. Aline Sayuri Hayashi explica que algumas instituições, ao denominar o curso de forma diferente do habitual, como Desenho Industrial, acabam por causar a desistência do vestibulando por não saber que, mesmo sendo nomes diferentes, trata-se dos mesmos objetivos. 

Por outro lado, o mercado de Design Gráfico no Brasil segue em expansão e isso se deve ao surgimento de novas mídias. É o que aponta o relatório do site Guia do Estudante*. A procura pelo curso nas universidades também é alta. Nos últimos três anos, a concorrência por uma vaga de Design Gráfico na UEL foi em média de 28 estudantes. 

A coordenadora do projeto revela que, ao contrário do resto do país, em Londrina, a falta de discernimento dos clientes sobre o nível dos designers que estão contratando faz com que haja um sério problema de demanda. “Muitos dos contratantes querem pagar para uma empresa de grande estrutura, que tem custos operacionais altos, o mesmo preço que pagariam para um designer que trabalha em casa ou com uma pequena estrutura. Eles acham que qualquer pessoa que saiba usar o computador pode produzir”, acrescenta. 

A professora Ana Luisa Cavalcante e a estudante Aline Sayuri Hayashi explicam que isso acontece devido ao desconhecimento por parte da população dos benefícios que o Design Gráfico pode oferecer. De acordo com elas, o emprego de design de qualidade melhoraria as sinalizações, as fachadas das empresas, toda parte de peça gráfica institucional e publicitária, além da identidade da cidade. Aline Hayashi ressalta: “ele [o design gráfco] tem muito a oferecer, principalmente na área de comunicação visual”. 

A respeito de uma definição mais precisa do que seria Design Gráfico, a professora Ana Luisa Cavalcante diz: “é uma atividade profissional criativa que desenvolve produtos para problemas de comunicação dentro de uma metodologia que emprega conhecimentos científicos e tecnológicos”. Além disso, a coordenadora explica que “nem sempre o design trabalha com a visão, mas também desenvolve projetos para pessoas com deficiência visuais, fazendo uso da textura, que também faz parte da sintaxe visual”. 

O projeto, iniciado em novembro do ano passado, tem previsão de término para julho de 2010. Com sua conclusão, espera-se superar os empecilhos da profissão e apresentar, através do site que será criado, uma proposta para os empresários de Londrina e referências para os estudantes não somente da UEL, mas de todas as universidades da região, procurando equilibrar no seu propósito as funções simbólicas, práticas e estéticas. 

 
<i>*http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/profissoes_271596.shtml
 
Créditos da foto: Arquivo pessoal
 
Ano 7 – Edição 89 -02/5/2010
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