Produção artística: união essencial entre teoria e prática

Palestra reúne professores e estudantes para a discussão sobre a abrangência da pesquisa artística nas universidades

A professora dra. Márcia Tupinambá, durante a palestra

Edição: Tatiane Hirata

Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Isabela Nicastro
Na tarde de segunda-feira, dia 12 de abril de 2010, alunos e docentes do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), reuniram-se para assistir à palestra “Pesquisa em Arte”. Ministrado pela professora Márcia Tupinambá de Ulhôa, o evento discutiu algumas dúvidas e aprofundou-se na difusão da pesquisa artística nas universidades.
 
A professora Márcia Tupinambá – pesquisadora e representante da área de Artes/Música junto a CAPES/MEC (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) – é formada em Piano pelo Conservatório Brasileiro de Música (Rio de Janeiro, 1972), Mestre em Belas Artes (University of Florida, 1978) e Ph.D. em Musicologia (Cornell University, 1991). Realizou seu pós-doutorado no Instituto de Música Popular da Universidade de Liverpool (1997-98). Além disso, é professora titular em Musicologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) lecionando no Instituto Villa Lobos e no Programa de Pós-Graduação em Música, do Centro de Letras e Artes.
 
A palestrante caracterizou a pesquisa como um processo de descoberta, invenção, indagação minuciosa e produção de conhecimento. Para isso, segundo ela, deve haver critérios na avaliação das fontes, documentos escritos com descrições e interpretações de dados e, principalmente, a socialização dos resultados. “Fazer pesquisa é como tocar piano. O processo e a metodologia vão se construindo ao longo do estudo para a obtenção de resultados efetivos. A partir desse processo, pode-se concluir hipóteses interpretativas e não somente conclusivas e indiscutíveis”, afirmou a pesquisadora durante sua palestra.
 
A musicóloga Márcia Tupinambá explica que “a pesquisa em arte, então, pode ser separada em dois grupos: Componente Científico e Modelo das Humanidades. No primeiro grupo, a arte é comparada a um experimento científico, pois o artista busca uma resposta a uma determinada questão. Já no segundo, a produção é demonstrada em prosa livre, mas bem informada e analítica, em comunicação com suas fontes.”, afirma.
 
Indagada sobre a pesquisa artística no Brasil, a doutora Márcia Tupinambá relatou não haver diferenças drásticas entre a pesquisa nacional e a internacional. Contudo, é necessário, no Brasil, que o conhecimento produzido seja socializado, isto é, universalizado. Para ela, o artista não necessita da universidade para que o que produza seja considerado arte.”Entretanto, é na universidade que há inter, multi e transdisciplinalidade. Há a interação entre teoria e prática o que é fundamental para a criação artística. ” conclui a palestrante.
 
Em sua apresentação, a professora referiu-se a nomes conceituados que inspiram seus projetos, tais como o artista russo Kandinsky*e o poeta e dramaturgo Bertold Brecht**. Além deles, Mário de Andrade, poeta e musicólogo brasileiro, que em seu livro ‘O baile das quatro artes’ afirma: “arte na realidade não se aprende. O artesanato, os segredos, os caprichos, as exigências do material, isto sim, é assunto ensinável”. A dra. Márcia Tupinambá complementa a fala do poeta afirmando que, dessa forma, “conhecimento artístico não é algo transferível, é algo que se constrói de dentro para fora e se é possível lapidar”.
 
A palestra foi uma promoção da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação e da Comissão de Pesquisa do CECA, destinada a todos os professores e estudantes das áreas de Música, Teatro, Artes Visuais, Moda e Design. De acordo com Tiago Marques, estudante do 2º ano de Artes Cênicas da UEL, o evento foi muito importante, pois adequa-se às disciplinas de diferentes cursos e traz à tona novos campos práticos antes desconhecidos por ele.
 
*Wassily Kandinsky é considerado o pioneiro do abstracionismo nas Artes Plásticas. Nasceu na cidade de Moscou, em 1866 e morreu em 1944, em Paris. (Fonte:  http://www.mac.usp.br/)
**Eugen Berthold Friedrich Brecht foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações em Paris em 1954 e 1955. Brecht nasceu em Augsburg, em 1898, e morreu em Berlim, no ano de 1956. (Fonte: Wikipedia)

Crédito da foto: Isabela Nicastro
Ano 7 – Edição 89 -02/5/2010

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