Programa “Médicos da Família” é avaliado em Londrina

Projeto tem objetivo de melhorar o atendimento às famílias assistidas pelo programa   

Professora e coordenadora do projeto, Dra. Célia Regina Rodrigues Gil

 Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Rosana Reineri 
 

Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), o projeto “O médico na equipe saúde da família: limites e possibilidades de novas práticas” visa pesquisar as dificuldades encontradas pelos profissionais dessas equipes, que são mantidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como apontar possíveis soluções para melhorar o atendimento às famílias assistidas. Dra. Célia Regina Rodrigues Gil, docente do departamento de saúde coletiva da Universidade Estadual de Londrina (UEL) – graduada em enfermagem e mestre em saúde coletiva pela UEL, com doutorado em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz/Escola Nacional de Saúde Pública – é quem coordena o projeto. 

A professora Célia Regina Gil conta que o SUS foi criado em 1988, já incluso na Contituição Brasileira deste mesmo ano, e surgiu em resposta ao Movimento de Reforma Sanitária Brasileira*, envolvendo profissionais da área, estudantes, e a própria população, visando uma reestruturação no setor da saúde e uma mudança no sistema de atendimento. Não existiam, na época, serviços básicos como pré-natal e acompanhamento de recém nascidos, o que tornava alto o índice de mortalidade infantil. O SUS serviria para atender todas as famílias, independentemente de sua renda, oferecendo de forma gratuita atendimentos de alto grau de complexidade, bem como exames mais caros, incluindo o atendimento de pacientes em suas residências, como já acontece em alguns países da Europa, tais como Inglaterra, Espanha e Portugal. 

Segundo a dra. Célia Regina, em Londrina, o programa “Saúde da Família”, que tem a função de humanizar o atendimento aos pacientes, foi implantado em 1994, com o nome “Médicos da Família”, integrando a organização básica do SUS. Ela explica que o programa é uma iniciativa do Ministério da Saúde que vem financiando e ajudando os municipios a implantarem esse modelo de atendimento. A coordenadora destaca que a população é redimensionada, isto é: para cada 1500 famílias, existe uma equipe composta por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares e de quatro a seis agentes de saúde, responsáveis pelo atendimento dessas pessoas. Segundo ela, “o que muda no modelo de médico é que além de ele estar fazendo o atendimento das necessidades de saúde, ele também faz o atendimento nos casos de recuperação, isto é, visita, acompanha e orienta os familiares nos cuidados com o paciente.” 

A pesquisa, que teve início em setembro de 2008, acontece em dois momentos distintos. A primeira etapa, que já está quase em processo de conclusão, consiste em um questionário direcionado a 100% dos profissionais da saúde que fazem parte das equipes de família. A coordenadora Célia Regina Gil relata que tiveram um grande retorno por parte dos envolvidos – 60% dos médicos e 70% dos enfermeiros. “O que para nós é um resultado muito bom, porque o questionário é complexo, é quase um dossiê da vida do profissional, pois destaca desde a formação na graduação até o presente momento. Estamos muito felizes com a participação deles”, afirma.  

Essa primeira fase já aponta algumas falhas desse sistema, de acordo com a professora. Entre as principais, destacam-se: baixa remuneração, falta de treinamento adequado para que eles tenham mais condições de lidar com as necessidades dos pacientes e, sobretudo, a falta de estímulo por parte dos gestores desse programa, tais como, um plano de carreira definido, reconhecimento profissional e um plano de metas a ser cumprido. “Em uma pesquisa na região de Curitiba, pude perceber que lá existe um plano de metas e a equipe que o cumpre recebe um bônus de gratificação. Aqui, isso não existe”, revela. 

A segunda etapa da pesquisa – com finalização prevista para junho de 2011 – será uma pesquisa qualitativa realizada como complemento à primeira etapa. A dra. Célia Regina Gil esclarece que, nesse momento, serão discutidas as dificuldades enfrentadas pelos pesquisados, o que possibilitará que eles dêem sugestões sobre possíveis soluções de seus problemas, digam o que esperam com as mudanças e como se sentem nesse contexto. 

A professora dra. Célia Regina Gil espera que, com o resultado da pesquisa, haja o reconhecimento por parte da sociedade e principalmente por parte dos gestores. “Queremos contribuir para que os gestores olhem com mais carinho para essa classe de trabalhadores e repensem a importância dessa estratégia de atendimento. Precisamos primeiro melhorar a humanização dessas relações de atendimento para finalmente efetivar o modelo de atenção básica do SUS”, conclui a pesquisadora. 

 
* No Brasil, até 1988, a saúde era um benefício previdenciário, um serviço comprado na forma de assistência médica ou uma ação de misericórdia oferecida à parcela da população que não tinha acesso à previdência ou recursos para pagar assistência privada. Em meados de 1970, surge o Movimento de Reforma Sanitária, propondo uma nova concepção de Saúde Pública para o conjunto da sociedade brasileira, incluindo a Saúde do Trabalhador. Com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 1988, a saúde tornou-se “um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas”. O texto da Carta Magna afirma que “as ações e serviços de saúde integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único” e que “ao Sistema Único de Saúde compete executar as ações de saúde do trabalhador”. Fonte:http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=24377
 
 
Créditos da foto: Rosana Reineri
Ano 7 – Edição 89 -02/5/201o

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: