Embalagens biodegradáveis desenvolvidas a partir do amido

Pesquisas trazem a substituição de materiais de difícil reaproveitamento por materiais de biodegradação como possível solução para acúmulo de lixo

Coordenadora do projeto, Suzana Mali de Oliveira à esquerda e a mestranda responsável pelo desenvolvimento e confecção das bandejas, Ana Elisa Stefani Vercelhese, à direita

 
Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Claudia Yukari Hirafuji
Vivemos em uma época em que o consumo aumenta, assim como o descarte de materiais que demoram meses e, muitas vezes, anos para se decomporem no meio ambiente, causando acúmulo de lixo. Devido a isso, há uma crescente preocupação com esse grande volume de resíduos sólidos urbanos, que gera o interesse em pesquisas de desenvolvimento na elaboração de embalagens biodegradáveis capazes de substituir, pelo menos em parte, os materiais plásticos convencionais.

 
“Enquanto os materiais comuns não sofrem ação rápida na natureza, a biodegradação ocorre em menos de um ano, dependendo de um conjunto de condições como a umidade, presença de microorganismos, enzimas que estes produzem e ação do calor”, afirma a professora dra. Suzana Mali de Oliveira –  graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com mestrado e doutorado em Ciência de Alimentos, também pela UEL; que atua como professora adjunta do departamento de Bioquímica e Biotecnologia e como docente e orientadora do programa de mestrado em Biotecnologia na mesma instituição – ressalta que, “além de o material ser biodegradável, há ainda a preocupação de vir de uma fonte renovável”.
 
A importância desse tema se reflete no projeto coordenado pela professora Dra. Suzana Mali: “Aplicação de nanocompósitos no desenvolvimento de embalagens biodegradáveis para alimentos”, financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico). O estudo teve como precursora a dra. Maria Victória Eiras Grossmann*, do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, e conta com um grupo de participantes, entre eles: prof. dr. Fabio Yamashita**, prof. dra. Adelaide Del Pino Beleia***, ambos do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, prof. dr. Luiz Henrique Dall’Antonia **** do Departamento de Química e estudantes do mestrado em Biotecnologia e do mestrado e doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Estes pesquisadores têm como objetivo desenvolver embalagens biodegradáveis a partir do amido de mandioca, fibras do bagaço da cana-de-açúcar e nanoargilas (são de origem vulcânica e são usadas de 2 a 5% nas embalagens para reforçá-las, explica a professora Susana Mali).
 
Uma parte do projeto é o trabalho da mestranda em Biotecnologia Ana Elisa Stefani Vercelheze ( possui graduação em Farmácia e Bioquímica pelo Centro Universitário Filadélfia e especialização em Bioquímica Aplicada pela UEL), que está desenvolvendo bandejas para substituição do isopor. A estudante é orientada pela prof. dra Suzana Mali de Oliveira, com co-orientação do prof. dr. Fábio Yamashita. Outra parte do projeto é desenvolvida pelo mestrando em Ciência de Alimentos Rodrigo Santos, que desenvolveu filmes de amido, polímero síntético (cadeia artificial formada pela repetição de pequenas e simples unidades de carbono) e nanoargilas, sob orientação do prof. dr Fábio Yamashita. 

De acordo com a professora Suzana Mali, a matéria-prima base é o amido, pois é biodegradável, barato e abundante – Paraná é o maior produtor brasileiro de amido de mandioca, com 65% da produção nacional***** – , além de responder bem aos processos industriais. A substância não está sendo trabalhada apenas no processo laboratorial, mas já em escala piloto. A doutora ainda explica: “porém, embalagens feitas de amido puro são frágeis, pois esse material é sensível à umidade e quebradiço, o que impossibilita seu uso. No entanto, em misturas com outros biopolímeros tornam possíveis sua produção”. A professora cita o exemplo do plástico feito com o amido e a goma xantana, mas explica que apesar de originar-se de uma fonte renovável, ele não trouxe melhorias, pois é também sensível à umidade. “Portanto, trabalhamos com uma série de formulações entre diversos tipos de materiais, sempre tendo em vista o amido e buscando a estabilidade nas condições ambientais, flexibilidade maior e que sejam aplicáveis na área de alimentação”, afirma.

*Possui graduação em Química pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas, mestrado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina e doutorado em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas.
** Possui doutorado em Engenharia de Alimentos pela UNICAMP.
***Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas, mestrado em Grain Science and Industry – Kansas State University e doutorado em Grain Science and Industry – Kansas State University.
****Possui graduação em Quimica com atribuição Tecnológica pela Universidade de São Paulo, mestrado em Ciências e Engenharia de Materiais pela Universidade de São Paulo, doutorado em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo/Université de Sherbrooke (Canadá), e atuou como pós-doutrando no Instituto de Química/USP.
*****Dados confirmados pela avaliação do secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, inserido na noticia: http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=38038&tit=Mistura-da-fecula-de-mandioca-a-farinha-de-trigo-vai-ajudar-Parana 
 
Crédito da foto: Claudia Yukari Hirafuji
 
Ano 7 – Edição 92 -23/5/2010

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: