Estudo analisa a realidade de enfermeiros no dia-a-dia de um hospital

Sentimentos de prazer e de sofrimento no cotidiano de profissionais que trabalham em unidades de emergência

A professora dra. Mara Lúcia Garanhani

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Deborah Vacari

“O que realmente importa é vermos o paciente se recuperando da sua doença. Sair de alta hospitalar curado”, esse é um dos vários relatos colhidos pela mestranda em Saúde Coletiva Fernanda da Silva Floter Godoy*, que em sua dissertação retratou os sentimentos de sofrimento e prazer de enfermeiros em unidades de emergência. A mestranda tem como orientadora a professora doutora Mara Lúcia Garanhani** e esse estudo foi realizado em Londrina no Hospital Universitário.

De acordo com o dicionário Michaelis, enfermeiro é:  “aquele que trata dos doentes nos hospitais ou no domicílio”, porém, além disso, o enfermeiro, profissional polivalente, tem como atribuições: fazer previsão e provisão de materiais e de equipamentos, supervisionar e treinar a equipe, orientar internos e residentes de enfermagem e, também, lidar com conflitos – atribuições mencionadas na dissertação da mestranda.

“Alta demanda de pacientes, deficiências com estrutura física e até falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, são problemas encontrados pelos enfermeiros no percurso de seu trabalho, ressaltados pela orientadora prof. dra. Mara Garanhani.

“Se nós não tomarmos cuidado, levamos estresse para casa. Fecho os olhos e fico pensando no paciente, no que aconteceu, é uma coisa horrível”. Com esse relato é possível mostrar o que o estudo evidenciou sobre os sentimentos de sofrimento vividos pelo enfermeiro que vão desde estresse, angústia até situações de conflito e impotência. A doutora evidencia que “o envolvimento é tamanho que o enfermeiro não se ‘desliga’. Angústia e sofrimento estão relacionados à tensão de lidar com o sofrimento e com a morte”.

A professora dra. Mara Garanhani cita o médico francês Christophe Dejours***, que mostra em seus estudos que todo trabalhador, frente ao sofrimento no trabalho, procura utilizar estratégias defensivas. “Essas estratégias defensivas podem ser buscadas individualmente: em academias, na prática de caminhadas, na religião e na família. Existem também as que podem ser praticadas coletivamente como reuniões mais frequentes entre os trabalhadores. A estratégia de defesa coletiva está falha,  porque o setor de Recursos Humanos, na área da saúde, está voltado para questões trabalhistas”, destaca a professora Mara Garanhani.

Os sentimentos de prazer ressaltados pelo estudo estão compreendidos no que tangencia a organização do atendimento, primeiro contato com o paciente, detectar precocemente os agravos com risco de morte, recuperação do sujeito hospitalizado, alívio da dor e na recuperação do paciente e, também, espaço de aprendizagem. “Os enfermeiros tem alegrias no trabalho em grupo – experiência de cooperação, apoio – e, é claro, na possibilidade de ajudar o paciente”, afirma a doutora Mara Garanhani.

 A orientadora ressalta, ainda, que o enfermeiro é a ‘porta de entrada’ do hospital, por ter, de certo modo, o primeiro contato com o paciente.“O enfermeiro é, também, elo entre família, paciente e equipe médica”, conclui.

*Fernanda da Silva Floter Godoy possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Estadual de Londrina (1998). Tem especialização na área de gestão de serviços e educação.  Atualmente é aluna do Mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina.

**Mara Lúcia Garanhani possui graduação em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina (1982), mestrado em Enfermagem Fundamental (1993) e doutorado em Enfermagem, ambos pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo em (2004). Atualmente é professora associada da Universidade Estadual de Londrina, participa do conselho editorial das revistas: REME – Revista Mineira de Enfermagem e Terra e Cultura.

***Christophe Dejours é um médico francês com formação em psicossomática e psicanálise e é diretor científico do Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Ação no CNAM de Paris. FONTE: www.scielosp.org/pdf/csp/v21n3/39.pdf

Crédito da foto: Deborah Vacari
 Ano 7 – Edição 92 -23/5/2010

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