Doação de sangue animal é tema de projeto de extensão

Desenvolvido no HV, projeto ajuda animais que precisam de transfusão sanguínea

Edição: Beto Carlomagno
Pauta e reportagem: Marcia Boroski

A doação de sangue não é um procedimento feito só em humanos. Diariamente são realizadas transfusões de sangue, em cães e gatos, no Hospital Veterinário (HV) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Dentro do Departamento de Clínicas Veterinárias da UEL, a professora doutora em Clínica Médica pela Universidade Estadual Paulista, Patrícia Mendes Pereira, coordena o Projeto Vida fase II: conscientização populacional da importância da doação de sangue animal – manutenção e ampliação do banco de sangue de cães no Hospital Veterinário da UEL. O projeto é de extensão e dá continuação às atividades desenvolvidas na primeira fase do Projeto Vida, que começou em 2006.

A doutora Patrícia Mendes  explicou que objetivo do Projeto Vida engloba a procura de doadores, avaliação clínica desses animais, colheita de sangue, encaminhamento para exame de reação cruzada (compatibilidade sanguínea), transfusão e controle pós-transfusional.

“Nós priorizamos o doador. Um dos pontos fundamentais que levamos em conta é que o doador, e o proprietário, vêm até o Projeto Vida para fazer uma boa ação. Por isso, são feitos exames periódicos nos ‘doadores de carteirinha’”, disse a professora.

Cerca de 40 cães são “doadores de carteirinha” do banco de sangue do HV. O intervalo entre uma doação e outra é de, no mínimo, três meses.  Depois de um ano, o animal cadastrado nos doadores do Projeto Vida, passa a receber vacinas e avaliações clínicas gratuitas dentro do banco de sangue.

A professora explicou que atualmente houve um aumento na demanda de transfusões no HV. “O banco de sangue do HV da UEL é o único do Paraná. Outras clínicas e hospitais fazem este procedimento, mas não possuem a estrutura de um banco de sangue. Fazemos até dez transfusões por semana. Mas, às vezes, a disponibilidade de bolsas de sangue no banco não suporta esta demanda, então, colheitas emergenciais têm que ser realizadas”, afirmou a doutora Patrícia Mendes.

Fernando Luís Massaro Junior é consciente da importância do Projeto Vida e leva sua cachorra regularmente para fazer doações. Teca, uma labradora de quatro anos doa sangue há um ano. Fernando é professor e disse que a Teca não fica agitada durante a doação. A labradora se preparava para sua quarta doação enquanto brincava no pátio do HV da UEL com seu dono e os participantes do banco de sangue.

Conforme o participante do Projeto Vida, Igor Ferreira, estudante do quarto ano do curso de Medicina Veterinária, uma bolsa de sangue, com aproximadamente 450ml, leva de 10 à 15 minutos para ser coletada, e a transfusão desta bolsa dura em média quatro horas, pois deve ser feita com calma e atenção. Ferreira está no projeto há um ano e nesse período desenvolveu interesse maior pelo tema do projeto. “Eu pude aprender bastante na área de hematologia, que eu tinha total desconhecimento”, disse o estudante.

Segundo a professora coordenadora do projeto, Patrícia Mendes, durante o currículo regular do curso de Medicina Veterinária da UEL, pouco é ensinado sobre hematologia. Ela também explicou que este conteúdo é ministrado em uma aula, no quarto ano, na disciplina de Clinica Médica de Pequenos Animais. “O currículo desta disciplina é bastante extenso, por isso, a maioria dos alunos tem contato com a hematologia apenas neste momento, sem envolvimento prático”, explicou a doutora.

Ao entrar no banco de sangue, o estudante tem uma aula sobre os procedimentos e a dinâmica do projeto e no decorrer, alguns seminários são apresentados, pelos próprios participantes, sobre temas pertinentes.

O grupo que participa do banco do sangue é composto por 16 pessoas, as quais dividem-se em três grupos que se revezam entre as funções de coleta de sangue e transfusão. Os grupos atendem aos casos em regime de plantão.

Bruna Bolsoni Alves também cursa o quarto ano de Medicina Veterinária e entrou no projeto, há três anos, em busca de aprimoramento dos estudos acadêmicos, principalmente, da parte prática. “As coletas são bem divertidas, lidamos com cães grandes e dóceis, e proprietários conscientes da importância da doação de sangue. Na transfusão, é muito gratificante ver a melhora do paciente recebendo o sangue”, disse a aluna.


Quem precisa de transfusão

A transfusão é feita em cães com anemia, em diversos graus. Os animais que chegam ao Projeto Vida vêm de casos do HV ou externos, podendo ser de clínicas particulares de Londrina ou até mesmo de outras cidades. “Para que precisem de uma transfusão sanguínea, o estado destes animais deve estar muito ruim. Geralmente, eles têm anemia porque estão com alguma doença grave, imunossuprimidos e qualquer bactéria, por estarem com baixa imunidade, acaba sendo fatal”, explicou a professora doutor Patrícia Mendes.

Mesmo depois da transfusão, o animal muito doente pode precisar que o procedimento seja repetido.  A coordenadora do Projeto Vida explicou que como os cães não possuem anticorpos sanguíneos naturais, como os seres humanos, a primeira transfusão não precisa, necessariamente, passar por exame de compatibilidade, ou reação cruzada. Já as seguintes, obrigatoriamente, devem. “Depois de receber sangue do doador, o paciente pode desenvolver anticorpos. Caso ele precise receber novamente sangue, o exame de reação cruzada  detectará se o sangue presente no paciente vai reagir contra o sangue a ser recebido”, alertou.

Sobre os felinos

Conforme a doutora em Clínicas Veterinárias Patrícia Mendes, a casuística de gatos do hospital é pequena, por isso, quando acontece de necessitarem de transfusão, o doador é procurado para a coleta. “O que acontece sempre é que os gatos doadores vêm do próprio pessoal do HV. Residentes, estudantes e professores, que tem gatos com mais de 4,5 kg e acima de dois anos, são mobilizados quando aparecem estes casos emergenciais”, disse Patrícia Mendes

Quem pode doar

O ideal, segundo a coordenadora, é que na geladeira do banco tenha três bolsas disponíveis para tranfusão. A coleta pode ser agenda conforme a disponibilidade do doador.

Cães com mais de 28kg, de 2 à 8 anos de idade estão aptos à doarem sangue. Além disso, o cachorro deve ser dócil, tranqüilo ou o dono deve conseguir domá-lo no momento da coleta pois, uma das prioridades do Projeto Vida, é o bem-estar do doador. “Não aplicamos medicamentos anestésicos nos cães para coletarmos sangue”, lembra a doutora Patrícia Mendes.

A aluna Bruna Bolsoni explica o desconhecimento da população sobre o assunto da doação de sangue animal. “Essa questão ainda é muito nova para as pessoas”. E esse pode ser o motivo de não procurarem o banco de sangue para fazer a doação.

Igor Ferreira aponta a importância de doações freqüentes. “A demanda de sangue é muito grande, semanalmente aparecem vários casos de cães apresentando anemias de diversos graus, então é necessário que tenhamos um estoque para atendê-los”.

Seviço:
Se eu cão se enquadra no perfil de doador do Projeto Vida, ligue para (43) 88030241 e agende uma coleta.

O Projeto Vida também possui uma página na internet, na qual os estudantes postam informações sobre as coletas, as transfusões e o estado dos animais.
Acesse http://projetovida-uel.blogspot.com/


Crédito da ilustração:
Projeto Vida

Uma resposta para Doação de sangue animal é tema de projeto de extensão

  1. marina disse:

    Gostaria de receber mais informações sobre o assunto, pois quero implantar no meu laboratório.

    Marina

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