Qualidade do leite é tema de estudo do departamento de Medicina Veterinária

Assistências básicas e corretas proporcionam melhora na saúde das vacas e na qualidade do leite, produzido por pequenos produtores do assentamento Dorcelina Folador

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Lígia Couto Gomes

“A idéia do projeto – Vaca saudável: mais produção e leite de qualidade – surgiu a partir de outro projeto do qual fui colaborador, que também trabalha com leite”, afirma o médico veterinário formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doutor em microbiologia veterinária pela Justus Liebig Universitat Zu Giessen da Alemanha e professor do departamento de medicina veterinária preventiva da Universidade Estadual de Londrina, Doutor Ernst Eckehardt Muller.

O doutor Muller contou que no início do curso de veterinária na UEL os alunos saíam muito para aulas de campo e com o passar do tempo isso foi se perdendo devido a falta de veículos e falta de propriedades. O professor Ernst Eckehardt Muller conta que esse projeto resgata um pouco do trabalho de campo com alunos da graduação e recém-formados propiciando a eles uma aproximação com a realidade da vida profissional.

“Eu gosto de ver os alunos todos os dias, sentados na escada esperando o carro para ir à propriedade” afirma o Professor Muller, entusiasmado com a oportunidade que seus acadêmicos estão tendo. De acordo com ele o trabalho é feito num assentamento e afirma que mesmo diante das dificuldades o trabalho está sendo realizado. O professor Muller explica que a escolha do assentamento Dorcelina Folador, localizado na cidade Arapongas, foi devido ao tamanho, tem um número relativamente grande de pequenos produtores de leite, cerca de 60, que se dedicam a este serviço.

O doutor Ernst Muller fala também que no assentamento já existem programas de qualidade do leite e que os produtores de lá estão querendo produzir leite orgânico, futuramente, porém isso exige uma fase de transição, que depende do controle dos problemas sanitários e também da minimização, e quem sabe até a total exclusão do uso de antibióticos, e afirma ainda que para isso é preciso o saneamento.

O professor coordenador do projeto explica que existem duas enfermidades transmitidas ao homem pelo leite: brucelose e tuberculose, e que um dos trabalhos desenvolvidos é o controle especial dessas enfermidades. Além desse controle, o professor Muller aponta uma série de assistências essenciais que prestam aos pequenos produtores do assentamento. Entre elas, o controle mensal da qualidade do leite, a correção na ordenha, o controle dos índices reprodutivo. “Pois acompanhamento de gestação é muito importante, já que para a vaca dar leite ela precisa parir”, afirma Ernst Eckehardt Muller.

Também fazem o controle estratégico de carrapatos, que, segundo o professor doutor Muller, começou a ser desenvolvido por meio de venenos não tóxicos às vacas prenhas e com isso espera um controle biológico total, no futuro. E ainda, segundo o médico veterinário, fazem atendimentos clínicos nos animais, disponibilizando de materiais modernos para esta finalidade.

O professor Ernst Eckehardt Muller ainda ressalta que os principais fatores para se produzir um leite de qualidade são: higiene, o manejo de ordenha, a limpeza e manutenção dos equipamentos, a alimentação correta dos animais e o controle de resíduos. “Os benefícios que o projeto oferece ao pequeno produtor atendido é a melhora na qualidade de sua produção de leite e que acarreta na maior valorização na hora da venda deste produto”, explica o professor coordenador do projeto.

Doutor Ernst conta também que para os acadêmicos envolvidos no projeto, a participação proporciona a vivência real de muitos dos problemas que enfrentarão em sua vida profissional, além da convivência com os produtores. O professor Muller relata que os acadêmicos também auxiliam o projeto dentro dos laboratórios da universidade, onde analisam exames e detectam os problemas de cada animal, que porventura precisarem. E ele ainda explica a facilidade que os acadêmicos, por estarem dentro da universidade, possuem: “eles contam com o auxílio dos professores do curso de veterinária, que sempre são buscados para tirar dúvidas de algum procedimento ou ajudar em algum problema específico”, afirma Muller.

O professor Ernst Eckehardt Muller contou, com muita sinceridade que o projeto apresenta algumas dificuldades na sua caminhada, e que um dos maiores problema que tem enfrentado é com o transporte até o assentamento. Ele diz que não dispõem, muitas vezes, de veículos para se deslocarem já que vão para a propriedade no mínimo quatro a cinco dias por semana e passam o dia no assentamento. “Há semanas que não dá para ir nem três dias pra lá”, lamenta o professor coordenador.


Crédito imagem: Lígia Couto Gomes

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