A influência do ideal romântico na venda de produtos

Projeto procura compreender melhor o impacto do amor romântico através dos apelos publicitários

O projeto "O amor romântico e a publicidade" analisa, por meio de propagandas publicitárias, como a veiculação de imagens e frases que caracterizam o ideal do amor romântico ajudam nas vendas de produtos

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Mônica Alves
A ideia de que todos somos sujeitos a apelos publicitários é a base para o projeto de pesquisa do professor dr. Paulo Roberto de Carvalho – graduado em Psicologia pela Universidade de Bauru, mestre em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e doutor em Psicologia Clínica, também pela PUC/SP -,  que pretende analisar como a publicidade apropria-se do amor romântico para vender mercadorias. A intenção do projeto “O amor romântico e a publicidade” é compreender como a veiculação de imagens e frases que caracterizam o ideal do amor romântico ajudam nas vendas de inúmeros produtos atualmente. Coordenado pelo professor Paulo Roberto de Carvalho, do Departamento de Psicologia Geral e Análise de Comportamento, o projeto é desenvolvido em reuniões quinzenais.

Segundo o professor dr. Paulo Roberto de Carvalho, tudo começa pela noção de uma relação amorosa e de como ela deve ser. “A imagem apresentada tem como características, na maior parte das vezes, a completude recíproca e a perfeição de um relacionamento no qual nada falta. Na relação amorosa idealizada dentro da peça publicitária, a completude se obtém pela aquisição da mercadoria, a qual satisfaz uma falta, que é também uma necessidade criada pela própria publicidade. Para garantir o seu valor, a mercadoria se inscreve no enredo apresentado, fazendo o enlace amoroso acontecer, num contexto no qual quaisquer desprazeres, dores e dificuldades estão ausentes e são resolvidos com a aquisição do produto”, analisa o coordenador do projeto. De acordo com ele, há uma constatação, já confirmada pelo mercado, de que o amor romântico, quando associado a diversos produtos, resulta no aumento significativo das vendas.
 

O projeto, que tem uma atuação muito mais prática do que teórica, utiliza peças publicitárias como exemplos em seus estudos, além da frequente exibição de filmes. O professor dr. Paulo Roberto de Carvalho acredita que o uso de modelos recorrentes mostra exatamente a maneira como essa visão publicitária é explorada. “Durante as reuniões, observamos cenas de filmes românticos consagrados e as comparamos com algumas propagandas de grande sucesso. Dessa forma, fica claro que o modelo é o mesmo em ambos os casos, sempre utilizando uma relação amorosa bem sucedida como base”, completa o coordenador.

O interesse do público por esse tipo de publicidade também tem destaque na pesquisa, já que hoje em dia alguns jovens se prendem muito mais a relações casuais em detrimento de relacionamentos sólidos. O professor, porém, acredita que esse não seja um fator determinante que possa interferir na maneira como as propagandas atingem o grande público, mas talvez seja um reflexo do aspecto descartável das mercadorias. “A veiculação publicitária é um tanto indiferente às contradições entre os modelos nos quais ela se apoia, pois vende – e muito – com o ideal do amor romântico, mas também com outros modos de relação. O imprescindível é fazer com que a relação social ou amorosa desejada apareça como resultante da posse da mercadoria”. No caso das relações casuais é possível levantar uma hipótese ainda não explorada, de acordo com dr. Paulo Roberto de Carvalho: “será que, ao longo de décadas em que as imagens de relação são exibidas lado a lado com a mercadoria não resultaram em uma apropriação pela população de uma imagem do amor como sendo tão descartável quanto às mercadorias?”, questiona.

Em relação à maneira como o público recebe essas informações, o projeto destaca que o direcionamento das peças publicitárias é um processo expansivo. Nas palavras do coordenador, isso acaba se tornando um ciclo vicioso. “Os públicos que, em princípio, seriam menos impactados pela publicidade, acabam sendo incluídos como público alvo em um determinado momento também, já que, ao associar a mercadoria ao amor, a propaganda pretende criar uma demanda pela mercadoria. Ela acaba criando, também, a demanda pelo relacionamento amoroso, fazendo com que, no futuro, estas mesmas pessoas estejam mais suscetíveis a campanhas do mesmo tipo. A publicidade então produz um público consumidor de todo um imaginário do amor que será alvo das novas campanhas, mantendo uma sequência que dá espaço a novas idéias”, conclui o professor Paulo Roberto de Carvalho.

Créditos da foto: Divulgação
Ano 7 – Edição 95 -13/6/2010

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