Microensino: aperfeiçoando a formação do professor

Curso do Laboratório de Tecnologia Educacional da UEL (Labted) ajuda docentes a reduzir vícios didáticos e aumentar o rendimento das aulas

O coordenador do curso, dr. José de Arimatheia Cordeiro Custódio

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Leonardo Caruso 
“Comunicação didática: habilidades de ensino – microensino” é um curso oferecido pelo Laboratório de Tecnologia Educacional da Universidade Estadual de Londrina, o Labted, que ajuda professores a detectarem falhas e vícios comuns aos docentes e colabora no aperfeiçoamento de habilidades didáticas. Jornalista da UEL, integrado em 2006 ao Labted, o coordenador do curso, dr. José de Arimatheia Cordeiro Custódio, graduado em Jornalismo e Direito, especializado em Metodologia da Ação Docente, mestre e doutor em Estudos da Linguagem, todos pela UEL, conversou com o Conexão Ciência.
 
 
Conexão Ciência: Em que consiste o microensino?
 
Dr. José de Arimatheia: O microensino no Labted é um curso para capacitação de professores. São treinadas habilidades didáticas, todas fundamentais e necessárias para exercício da docência em qualquer nível. Microensino é também uma metodologia que nós adotamos e que consiste em aulas totalmente práticas, nas quais são gravadas pequenas aulas e depois avaliadas por todos os participantes do curso. Nessa avaliação, são observadas as falhas, os vícios e reforçado aquilo que é positivo, orientando para uma melhor adequação do professor. 

Conexão Ciência: Esse sistema foi criado pelo Labted ou foi adaptado?

Dr. José de Arimatheia: É uma teoria de décadas atrás que foi trazida para o Brasil. Nós adotamos o livro de uma autora chamada Flavia Santana. O Labted adaptou a proposta. Apesar de falar em décadas atrás, o conceito é totalmente atual. A própria prática mostra que essas habilidades ainda são necessárias e básicas, como interação com estudantes e uso de recursos audiovisuais.

Conexão Ciência: Como é a aplicação do microensino no curso?

Dr. José de Arimatheia: O curso de microensino no Labted é de 40 horas em dez encontros e oferecido em todos os turnos para atender a toda comunidade interna e externa da UEL. É aberto a todos interessados, principalmente aqueles que irão exercer ou já exercem prática docente. As turmas são pequenas, de quatro a cinco alunos. Eles preparam aulas de cinco minutos para o encontro seguinte, que são gravadas. Assistimos às gravações e todos participam comentando, fazendo críticas e sugestões, explorando, olhando o que aconteceu naquela gravação. No último dia, após testar seis habilidades, a sétima é uma aula maior de 15 minutos, na qual todas as habilidades devem estar presentes. Seria uma aula completa com tema livre.

Conexão Ciência: E quanto à primeira aula?

Dr. José de Arimatheia: Na primeira aula, basicamente, explicamos como funciona o curso, a sistemática, o que é microensino, qual a sua importância e quais seus resultados. Nós não adiantamos para o aluno as nossas expectativas. Ele vai se ver no vídeo e então começar a detectar seus vícios e problemas. Quando falo em vícios, temos por exemplos o uso excessivo de “né” ou palavras como “correto?”, “certo?”. No primeiro dia, também é fornecido material de apoio escrito, uma espécie de apostila. Aproveitamos para mostrar as fichas que serão usadas em todas as aulas. A partir daí, o aluno já vem com a primeira habilidade a ser testada.

Conexão Ciência: Quais outros vícios as pessoas costumam ter?

Dr. José de Arimatheia: A questão da linguagem aparece bastante. Há o professor que infantiliza: “vamos fazer um exerciciozinho?”. Com o “inho”, você desvaloriza. Tem aquele que diz: “vou dar uma passada rápida na matéria”, desvalorizando-a, portanto. Se ela não é importante, você dá uma “passada”? Este linguajar interfere um pouco. Às vezes, observamos sotaques muito fortes. Não que esteja errado, mas alertamos. Tudo que pode chamar mais atenção que o conteúdo da matéria, destacamos. O estudante deve prestar atenção no conteúdo sendo transmitido. A gestualidade também é um vício comum. Há aqueles que gesticulam demais. Eu brinco que tenho um catálogo de gestualidades: pessoas que cruzam o braço como a Monalisa; pessoas que ficam com um braço para trás, são “garçons”. Aquelas que ficam com os dois braços para trás, chamo de “açucareiro”. A interação com o recurso utilizado na aula também interfere. O professor não pode dar aula para o quadro negro, ou virado para a apresentação de slides. Se ele faz uso desse recurso, deve ser legível. Quanto à interação, verificamos se o professor dá oportunidade para perguntarem, se ele próprio faz perguntas, se as devolve ou responde.

Conexão Ciência: O curso aborda as habilidades necessárias para lecionar. Quais são?

Dr. José de Arimatheia: São seis habilidades mais a integrada. A primeira é Organização e Contexto, o início da aula. É o momento em que o professor vai mostrar o cronograma do dia. É como um contrato que detalha a aula, um roteiro, que ajuda na organização. A segunda, Variação de Estímulos, diz respeito ao uso de objetos visuais – fotos, imagens e texto – usar estímulos auditivos como falar e, eventualmente, fazer uma demonstração. Já a terceira habilidade, o Feedback, é o momento das perguntas e respostas. O professor pergunta aos alunos e dá tempo para que respondam, ou deixa alguém perguntar. Deve-se reforçar uma pergunta boa e não castigar ou desestimular as outras perguntas. Deve-se usar apenas reforços positivos. A Ilustração com Exemplos, quarta habilidade, consiste em trazer imagens, fotos, letras de música ou outros elementos para deixar a aula mais concreta. Em cursos de Direito, por exemplo, o professor pode trazer um processo ou modelo de petição. Na quinta habilidade, Execução e Demonstração, cria-se uma situação cotidiana à qual se aplica a matéria. A última, Condução e Fechamento, é espelho da primeira habilidade. Aqui se faz um resumo da aula, encaminha-se para o final, fala-se das avaliações e anuncia-se a próxima aula. Já a habilidade integrada é a utilização de todas as seis em uma aula. Essa divisão é didática, pois nem sempre conseguimos abordar todas da mesma maneira.

Conexão Ciência: Há quanto tempo o senhor coordena o curso?

Dr. José de Arimatheia: Estou há três anos aqui no Labted e coordeno o curso desde então.

Serviço:

Inscrições: na secretaria do Labted no horário comercial. (Deve ir pessoalmente)
Preço: Comunidade Externa – R$220,00
Comunidade Interna (30% de desconto) – R$154
Vagas: 4 vagas por turma. (Confirmar se há vagas).
Novas turmas serão disponibilizadas no segundo semestre.
Telefone Labted: (43)  3371-4518

Créditos: Leonardo Caruso
 
Ano 7 – Edição 95 -13/6/2010

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