Projeto do departamento de Ciências Sociais analisa os movimentos sociais que lutam por moradia

“Com as políticas neoliberais se agravou a questão do desemprego e em conseqüência aumentou o déficit de moradia”, afirma o cientista político Eliel Ribeiro Machado

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Beatriz Bevilaqua

Segundo o Ministério das Cidades, o novo indicador do déficit habitacional brasileiro é estimado em 5,8 milhões de domicílios, dos quais 82% estão localizados nas áreas urbanas. As principais áreas metropolitanas do país abrigam 1,6 milhão de domicílios representando 27% das carências habitacionais do país.

A falta de moradia é um problema crônico nas grandes cidades. Segundo dados do IBGE, mais de 80% dos municípios nacionais têm cadastros de famílias interessadas em programas habitacionais. Nos anos 90, movimentos sociais se organizaram em torno da questão do acesso à habitação. Com o foco nessa área,  o professor doutor Eliel Ribeiro Machado orienta o projeto de pesquisa “Organização política e composição social dos sem teto em São Paulo”, desenvolvido pela estudante de Ciências Sociais Taynara Freitas Batista de souza.

O doutor Eliel Ribeiro Machado é graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Ciência Política pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, e explica que  a pesquisa se preocupa em mostrar como movimentos sociais ( como os Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto e o Movimento Sem Teto do Centro) se organizam. Por exemplo: as bandeiras em torno das quais se agrupam, seus líderes, o modo como são tomadas as decisões, os significados das suas ações e os objetivos das pessoas que estão no movimento. “O projeto não trata somente da questão habitacional” acrescenta.

Dados do Atlas Fundiário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de 2006 revelam a concentração de terra no Brasil. De acordo com o Atlas, cerca de 3% do total das propriedades rurais do país são latifúndios, ou seja, possuem mais de mil hectares e ocupam 56,7% das terras agriculturáveis.

Para o professor Doutor Eliel Ribeiro Machado, a migração em massa dos trabalhadores do campo para as cidades foi conseqüência de políticas de concentração de terra adotadas no país nos anos 60 e 70. O doutor também faz crítica às políticas neoliberais. “Com as políticas neoliberais, agravou-se a questão do desemprego e, em conseqüência, aumentou o déficit de moradia”, afirma.

Com tanta desigualdade social e discrepância fundiária, surgem movimentos de luta por moradia e de resistências às políticas neoliberais favoráveis à acumulação do capital, é o que revela o projeto da discente Taynara Freitas Batista de Souza.

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) surgiu, no final da década de 90, com o compromisso de lutar, ao lado dos excluídos urbanos, contra a lógica perversa das metrópoles brasileiras: sobram terra e habitações, falta moradia.

Um dos movimentos que Taynara de Souza pesquisa é uma espécie de braço urbano do MST, já que eles têm muita proximidade política ideológica. O método de pesquisa que a estudante se baseia é por meio de autores que contribuem para o entendimento do processo de urbanização capitalista e das formas de organização das classes trabalhadoras. Alguns dos autores que ela se baseia são Décio Saes, George Rudé, Friedrich Engels, Antonio Gramsci, Rosa Luxemburgo e Lênin.

Além disso, a pesquisadora também utiliza material disponível em monografias, artigos científicos, teses, dissertações, sites da internet de diversos movimentos urbanos e entrevistas de lideranças, militantes comuns e a base dessas organizações.

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