Autoconhecimento como forma de driblar o estresse

Curso promovido pela PRORH e a Escola de Governo ajuda servidores estaduais a desenvolverem habilidades esse mal presente em nosso dia-a-dia

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Marcia Boroski

Para buscar um resultado melhor nas atividades realizadas dentro dos ambientes da Organização Pública, a Divisão de Acompanhamento e Treinamento da Pró-Reitoria de Recursos Humanos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) junto com a Escola de Governo do Paraná, organizaram o curso “Resiliência: Uma Competência para Administrar o Stress”. O público do curso foram servidores do Estado que tiveram interesse em desenvolver a competência para melhorar o ambiente de trabalho. A psicóloga, Kátia Marcos Gomes, formada pelo Centro Universitário Filadélfia, ministrou o curso que durou quatro dias. A palestrante falou com o Conexão Ciência explicando o que é resiliência, quais temas e de que forma eles foram abordados no curso.

Conexão Ciência: O que é resiliência?
Kátia Gomes:
Resiliência é um conceito ainda em construção. O termo vem da física e nomeia o fenômeno de uma energia armazenada em determinado corpo que é desenvolvida quando cessa a tensão causadora, por exemplo, em uma deformação elástica. Trazendo para o mundo empresarial, resiliência é a capacidade de se recobrar, de adaptar-se às mudanças, às exigências do meio, de forma a enfrentar e superar as situações adversas presentes no cotidiano. Da visão comportamental, resiliência pode ser vista como uma competência a ser desenvolvida e melhorada.

Conexão Ciência: Quais temas foram tratados nos quatro dias de curso?
Kátia Gomes:
O principal tema tratado foi o autoconhecimento. É através dele que é possível desenvolver a resiliência. Saber como eu funciono é essencial para conhecer os recursos disponíveis dentro de si mesmo que serão usados para melhorar a interação com situações de estresse. Para isso, é usada a metodologia de vivência, que traz a tona situações vivenciadas que ajudam no autoconhecimento. Além disso, elas são estudadas ou discutidas, afim de que seja implantadas ações resilientes que levem a resultados melhores que os já obtidos. A discussão de casos também auxilia na hora de traçar caminhos para seguir após passar pelo treinamento.

Conexão Ciência: Como é possível lidar com o estresse por meio da resiliência?
Kátia Gomes:
Para conhecer o fenômeno, é preciso melhorar o autoconhecimento. Melhorando o autoconhecimento, o autocontrole também é desenvolvido. A partir disso, a causa do estresse passa a ser conhecida e isso proporciona um posicionamento melhor em relação a situações conflituosas, até mesmo para evitar situações de possível estresse. Além disso, esse conhecimento de si ensina também formas melhores de lidar com todas as emoções que estas situações causam. Desta forma, o nível de estresse fica sob controle. O indivíduo passa a olhar para a situação de forma diferente, e conferir-lhe outro significado.

Conexão Ciência: Normalmente situações de estresse acontecem quando dificuldades chegam próximo de limites suportáveis. Nesse sentido, adaptar-se a essas situações não seria prejudicial à saúde, porque o indivíduo se acostumaria a algo que é nocivo a ele?
Kátia Gomes:
Sim, por isso o limite é outro ponto essencial. Somente o próprio indivíduo pode identificar os seus limites. E é pela prática do autoconhecimento que o ser humano consegue conhece-los. Este é outro motivo dela ser tão importante. Entretanto, assim como os homens tem dificuldades para conhecerem a si mesmo, eles também não sabem quais são seus limites. A delimitação é invisível e ultrapassa-la é quase inevitável. Vivendo fora do limite, com grau e intensidade elevados, o estresse vira uma patologia.

Conexão Ciência: Como é possível aumentar as energias dos corpos humanos para enfrentar situações de estresse?
Kátia Gomes:
Primeiramente, identificar o que dá prazer. Lembrar que o trabalho faz parte da vida, e por isso, ter um posicionamento agradável dentro dele. O trabalho, assim como a maioria das coisas na vida, faz parte das escolhas, e isso tem que estar bem claro. Se não é uma escolha, tem que ficar claro o que se tem feito para mudar essa realidade, que não foi escolhida. A maturidade também é importante, e ela vem junto com o autoconhecimento. Já que se tem liberdade de escolha, faz todo o sentido saber exatamente o que você quer e precisa, para então pode escolher com mais clareza.

Conexão Ciência: Como as pessoas podem ter um comportamento resiliente nos problemas da vida, em geral?
Kátia Gomes:
É possível trabalhar o conceito de resiliência independente do lugar. Trabalha-se com o lado comportamental do ser humano, por isso, pode e deve ser levado para fora do ambiente de trabalho. A competência da resiliência deixa o indivíduo flexível ao ambiente. Saindo deste determinado ambiente, pode ser que ele não seja mais resiliente. O comportamento resiliente, então, vai depender das emoções despertadas por determinada situação. O conceito deve ser trabalhado em todos os lugares e circunstâncias. Existem histórias de vidas, fora do meio empresarial, as quais só deram certo por causa da resiliência. Seres resilientes têm mais autoestima e fortalecimento individual.

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