Programa do HC busca prevenir problemas causados pelo cigarro

O Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo é uma adaptação do programa nacional elaborado pelo Instituto Nacional do Câncer

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Juliana Mastelini

Segundo pesquisa da economista Márcia Pinto, o SUS gasta pelo menos R$ 338,6 milhões de reais por ano com tratamento de doenças relacionadas ao fumo*. “Por isso, para o governo, é melhor prevenir do que tratar as consequências do cigarro”, explica Héber Odebrecht Vargas, professor assistente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), graduado em Medicina e mestre em Medicina e Ciências da Saúde pela UEL. Com o objetivo de prevenir doenças relacionadas ao fumo, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) coordena o chamado “Programa de Controle ao Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer”, que busca reduzir a incidência de doenças e mortalidade causadas pelo tabaco através de ações que estimulam estilos de vida saudáveis.

O Hospital das Clínicas (HC) desenvolveu uma adaptação do programa nacional com o Centro de Referência de Abordagem e Tratamento do Tabagismo (CRATT).  A diferença entre o programa nacional e o desenvolvido no HC é que este trabalha com enfoque na parte psíquica do paciente, explica Vargas. “Isso é fundamental pois analisa o indivíduo como um todo, na sua totalidade. O tabaco, por exemplo, pode ser a porta de entrada para outro diagnóstico mais complexo”, declarou.

A equipe do programa é formada por vários profissionais, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e assistentes sociais, já que os problemas causados pelo cigarro envolvem outras questões, “quando o paciente para de fumar, por exemplo, pode engordar e isso causa resistência, por isso trabalhamos com a nutrição também”, explica Vargas.

O centro existe há cinco anos e já atendeu cerca de 340 pessoas. Segundo a enfermeira e coordenadora do centro, a professora Márcia Regina Pizzo de Castro, mestre em Medicina e Ciências da Saúde, estudos realizados em 2008 mostram que 42% das pessoas que participam do tratamento do HC param de fumar até a quarta seção. Segundo a enfermeira, os pacientes atendidos no programa têm em média 45 anos e são em sua maioria mulheres.

Os encontros são semanais e em grupo. “Em grupo, um ajuda o outro, trocam experiências. Mesmo depois que param de fumar, continuam vindo às reuniões para animar os outros”, conta a professora Márcia Castro.

O tratamento dura um ano e o primeiro passo é a avaliação clínica, que traça o perfil do fumante. “Essa avaliação vai nortear todo o trabalho posterior, pois vai mostrar as questões envolvidas com o tabagismo”, diz a enfermeira.

A residente em Psiquiatria e participante do programa Amanda Minikowski fala que o grupo quer mostrar que o tratamento contra o tabaco é sério e que o tabagismo não é fruto da falta de vontade. “O tabagismo é uma doença que precisa ser tratada”, completa a residente.

Amanda Minikowski conta que os fumantes se incomodam quando percebem que necessitam do cigarro, “eles não fumam porque isso lhes dá prazer, mas porque são dependentes.” A residente explica que os fumantes associam o ato de fumar com certas atitudes do dia-a-dia como tomar café, então toda vez que tomam café, por exemplo, sentem vontade de fumar.

O programa atende a comunidade interna e externa da UEL e trabalha com grupos de 15 a 20 pessoas. De três em três meses um novo grupo inicia o trabalho. Os interessados podem ligar para a Divisão de Assistência à Saúde da Comunidade (DASC) pelos telefones 3371-5807 ou 3371-5808 e pedir para que o nome seja incluído na lista de espera. Quando tiver vaga, os profissionais CRATT convidam para a reunião.

*http://www.inca.gov.br/revistaredecancer/revista_rede_cancer_5/entrevista.pdf

créditos imagem: Google Imagens/G1

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