A importância do resgate histórico como forma de conhecimento

Projeto tem como objetivo recuperar e analisar historiograficamente a Força Expedicionária Brasileira

Foto histórica mostra integrantes da FEB, os pracinhas, na Itália

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Deborah Vacari
Recuperar a história nacional é o que visa o projeto “Força Expedicionária Brasileira: análise historiográfica e documental”, criado em março de 2010 e coordenado pelo professor doutor Francisco César Alves Ferraz – que possui graduação e mestrado em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). O projeto, que conta com seis graduandos*, pertence ao curso de História da Universidade Estadual de Londrina.
 
O professor dr. Francisco Ferraz explica que, em 1942, depois de submarinos alemães torpedearem navios mercantes na costa do Brasil, este declarou estado de beligerância e, em agosto do mesmo ano, declarou guerra ao Eixo – Alemanha, Japão e Itália. Finalmente, em 1943, foi criada a Força Expedicionária Brasileira (FEB) . “Esse projeto surgiu com a carência de conhecimento a respeito da FEB, esta que foi a única força latino-americana a lutar na Segunda Guerra Mundial”, afirma o professor.

O pesquisador ressalta que a FEB possuía autonomia administrativa, no que diz respeito ao comando, porém para serem tomadas decisões era necessária a anuência dos norte-americanos. Além dos bens materiais para a utilização na guerra, que eram fornecidos pelos norte-americanos, o exército brasileiro adotava também a forma organizacional destes, que adotava, anteriormente, a forma francesa, por estes terem ministrado lições aos oficiais brasileiros na década de 1920. “A diferença entre essas duas formas organizacionais é que a norte-americana, diferentemente da francesa, visava preservar a vida dos soldados, tendo, assim, o material bélico um caráter descartável nesse contexto que se relaciona a uma mentalidade cidadã”.

 
A respeito dos aspectos funcionais da participação do Brasil no combate, o professor dr. Francisco Ferraz explica que o país participou de três maneiras da Segunda Guerra Mundial: “a primeira foi por meio do fornecimento de matéria-prima – borracha e alimentos para os aliados – que compreendiam os Estados Unidos da América, União Soviética, Inglaterra, França, Canadá e mais alguns países, entre os quais, o Brasil . A segunda, cedendo bases aéreas e navais aos EUA, situadas nas regiões norte e nordeste do nosso território. E a terceira maneira foi o combate direto”.
 
Com relação aos combatentes, o professor revela que 25 mil – cerca de 0,06% da população brasileira – participaram da guerra. A seleção consistia em alguns pré-requisitos: ter pelo menos 1,60 metro de altura, peso mínimo de 60 quilos, 26 dentes naturais e alfabetização mínima de cinco anos. “Com essa seleção, pode-se obter um retrato da saúde do brasileiro e também da situação em que o país se encontrava”, afirma.
 
De acordo com o professor dr. Francisco Ferraz, os significados e consequências da guerra foram muitos, tanto no universo individual, quanto no que tangencia o universo econômico. “Os indivíduos, que voltavam mutilados, tiveram pensão do governo somente depois de seis meses do término da guerra. Os que tinham emprego, na maioria das vezes, o perdiam, ou seja, os combatentes não tinham auxílio. Economicamente, a guerra foi uma oportunidade perdida, porque os industriais preferiram acumular capital ao invés de investi-lo. Sendo assim, mantiveram a indústria brasileira sucateada. Os EUA, ao contrário do Brasil, investiram – por conta da necessidade – em tecnologia e, após a guerra, conseguiram um grande desenvolvimento econômico”, conta Ferraz.
 
“Há dificuldade para se encontrar a documentação, porque este material esta disperso”, revela o coordenador que, recentemente, visitou o Arquivo Histórico do Exército e o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial – ambos situados no Rio de Janeiro – , juntamente com seus alunos, buscando informações sobre a FEB.

Através desse levantamento histórico – que se iniciou em 1999, com o doutorado do professor Francisco Ferraz – será possível resgatar, de modo geral, a história da FEB, ou seja, o resgate compete em todas as modalidades, especialmente no estudo da memória escrita . “Esse resgate pode ser feito, por exemplo, na música – feitas para a guerra – na cinematografia e também na iconografia, como a produzida por Carlos Scliar** – combatente convocado para integrar a FEB. Levantando informações de várias fontes, faremos, assim, um ‘balanço’ historiográfico sobre as versões da Força Expedicionária Brasileira”, conclui.


<i>*Os alunos participantes do projeto são: Alessandra Maisen, Marcelo Garcia Bonfim, Maico Moura, Pauline Bitzer Rodrigues, Rafael Botega e Renata Viana.

**O gaúcho Carlos Scliar iniciou, desde cedo, cursos de arte na cidade de Porto Alegre. Foi pintor, desenhista, gravador, ilustrador, cenógrafo, roteirista e designer gráfico. Convocado para a Segunda Guerra Mundial foi, então, para Itália entre 1944 e 1945. Em 1969 publica “Caderno de Guerra de Carlos Scliar”, com seus desenhos realizados durante a guerra. Nos anos 80 e 90, Scliar ilustrou livros de escritores renomados e participou, com depoimentos, de vídeos produzidos por diretores, até então independentes, sobre a arte atual. (fontes: http://www.pinturabrasileira.com; www.escritoriodearte.com)

Créditos da foto: Banco de imagens do Exército Brasileiro sobre a FEB: http://www.forte.jor.br/tag/exercito-brasileiro/page/2/
  
Ano 7 – Edição 98 – 31/7/2010 </i>

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