Mídia e política: influência sobre o poder de decisão dos eleitores

Projeto visa definir o enquadramento do telejornalismo  em relação aos assuntos de política  e eleições

A professora dra. Florentina das Neves Souza, que coordena o projeto

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Edson Vitoretti Jr
Reportagem: Isabela Nicastro

A mídia tem grande poder de influência sobre as pessoas. Por meio dela, a moda e os costumes são ditados. Além disso, pode-se observar a tendência de alguns telejornais  em privilegiar ou denegrir certos candidatos em época de eleições. Com o propósito de fazer um estudo da capacidade de persuasão da mídia sobre o voto, foi criado o projeto de pesquisa “Construção de imagem e o discurso político-ideológico dos pleitos eleitorais: um estudo da cobertura telejornalística e sua influência nas eleições envolvendo as esferas municipais e federais”, do departamento de jornalismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Coordenado pela professora Dra. Florentina das Neves Souza, o projeto teve início em março de 2008 e tem término previsto para outubro de 2011. A coordenadora possui graduação em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. É professora e pesquisadora da UEL, com experiência em Telejornalismo, pesquisa e docência na área de Comunicação, com ênfase em Produção telejornalística. É autora do livro “Telejornalismo e Poder nas Eleições Presidenciais”.
O projeto é uma extensão da tese de doutorado da professora, que inspirou-se na polêmica edição do Jornal Nacional em que foi ao ar o debate entre os candidatos à presidência  Luís Inácio da Silva e Fernando Collor. 

Como exemplo de manipulação da mídia, a Dra. Florentina Souza cita a divulgação, em 2002, de matérias jornalísticas pelo Jornal Nacional, denegrindo a imagem do então candidato à presidência Ciro Gomes.  “Foram mostradas imagens do candidato aliado ao Fernando Collor, bem como cenas em que Ciro Gomes demonstrava-se explosivo e perturbado. Essas imagens contribuíram para que o candidato caísse do segundo lugar para o quarto”, exemplifica a professora . “Pode-se verificar que a manipulação da Globo naquela época foi apenas o estopim da situação, pois houve toda uma construção diária da imagem benéfica de Fernando Collor”.

Em contrapartida, a coordenadora cita a vitória do candidato à prefeitura de Londrina, Nédson Micheletti, em 2000. O candidato tinha pouca intenção de voto e pouca divulgação pela mídia, porém, sua vitória foi resultado de uma divulgação dos próprios cidadãos, partindo de uma ostensiva militância em favor de Nedson e rejeição aos aliados de Antônio Belinati .
Segundo a coordenadora, para elaboração do projeto, foram  feitos grupos de estudos sobre mídia e política, baseados nas universidades que estudam esse tema, como o Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), pertencente à Universidade Cândido Mendes, o  Núcleo de Estudos de Mídia e Política(NEMP) da UNB e Núcleo de Estudos em Artes, Mídia e Política (NEAMP) da PUC de São Paulo.
Após isso, foram gravados os telejornais de Londrina da TV Tarobá e da TV Coroados na época das eleições municipais de 2008, para fazer uma análise de conteúdo e identificar o enquadramento dos assuntos eleitorais nos telejornais. A partir da metade do ano passado, iniciou-se o estudo do Jornal Nacional, da Rede Globo, o  telejornal mais assistido em todo o país – de acordo com a dra. Florentina Souza -, na cobertura das eleições presidenciais de 2010.
Professora Dra. Florentina Souza explica que alguns critérios são utilizados para a análise das imagens nos telejornais, como os conceitos de valência equilibrada, positiva, negativa e neutra. “A valência equilibrada acontece quando há divulgação de momentos positivos e negativos de um determinado candidato; a positiva é quando, em reportagens, notícias e entrevistas, há aspectos que valorizam certo candidato; a negativa é quando há um discurso das emissoras acusando, denegrindo a imagem de um candidato; e a neutra é a simples divulgação do candidato pelo telejornal”, explica. “A partir desses conceitos, é possível identificar se o jornal foi tendencioso ou não, querendo atacar ou privilegiar determinado candidato”. 
Como resultado das análises dos projetos, os alunos participantes estão apresentando artigos em congressos que resultarão na publicação de uma revista ao final do  projeto e alguns já preparam o TCC sobre o assunto. Soraia Valência de Barros, estudante do quarto ano de Jornalismo da UEL e participante do projeto, desenvolveu um subprojeto que originará um artigo sobre pré-eleições e o Jornal Nacional. O recorte do projeto engloba os períodos de setembro a dezembro de 2009. O objetivo é observar se houve algum escândalo político midiático nesse período e se ele foi agendado pelo Jornal Nacional a tal ponto que pudesse interferir na pré-candidatura de algumas das personalidades políticas cogitadas como possíveis sucessores do presidente Lula.
 
“Até o momento, o que pudemos verificar na pesquisa foi que não houve um escândalo de peso, como um ‘mensalão’ (que foi o escândalo político midiático explorado pela mídia em 2005). Aliás, a maioria das reportagens teve um peso positivo para o presidente Lula. No entanto, o mesmo não ocorreu com Dilma Roussef, hoje candidata pelo PT à presidência da República. Das pouquíssimas notícias divulgadas – no mês de outubro de 2009, por exemplo – foram feitas apenas três reportagens, duas delas  de peso negativo para a candidata”, afirma Soraia Barros, participante do projeto há cerca de um ano.
 
A estudante finaliza com sua opinião sobre o objetivo do projeto “Ao levar em consideração que o telejornal agenda os assuntos que estarão em debate na sociedade, é imprescindível pesquisar, estudar e avaliar o que é feito pelos veículos de comunicação brasileiros. E, assim, fomentar que tipo de jornalismo nós, não só jornalistas mas também telespectadores, buscamos”, declara Soraia Barros.
 
Créditos da foto: Isabela Nicastro
 
Ano 7 – Edição 98 – 31/7/2010

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