Natação como meio de integração social

Projeto de extensão promove o aprendizado de natação para crianças com deficiências

Professora Dra Márcia Greguol, coordenadora do projeto Natação para Todos

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Renan Cunha

A inclusão social de deficientes é um dos desafios mais importantes de nossa sociedade. Promover a vivência lúdica, perceber o potencial e não as limitações dessa categoria social permite a integração e o desenvolvimento harmônico entre todas as classes. É o que objetiva o Projeto de extensão “Natação para todos” do Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina (UEL), coordenado pela professora Dra. Márcia Greguol, bacharel em Esporte  e doutora pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP).

A ideia do “Natação para todos” surgiu de uma experiência que a professora Márcia Greguol teve com a ONG Associação Desportiva para Deficientes, de São Paulo. “Lá nessa ONG, eu tinha esse projeto e quando cheguei aqui decidi fazê-lo na versão Londrina”, revelou. O projeto atende crianças e adolescentes com deficiências, desenvolvendo suas capacidades e autonomia na água. As atividades são feitas em grupo e contam com a participação de oito a dez estudantes do curso de Esporte da UEL.

De acordo com a professora Dra.  Márcia Greguol, os níveis de aprendizagem vão desde iniciação até aperfeiçoamento, passando pelos quatro estilos de nado: nado livre (crawl), costas, peito e borboleta. As aulas também permitem a inclusão de crianças de diferentes tipos de deficiência. “Crianças com deficiência visual ficam o dia inteiro em uma instituição para deficientes visuais e, de repente, aqui pode ser o lugar onde se pode unir diferentes deficiências. Nós procuramos separá-los não por deficiência, mas por nível de habilidades no nado” declarou.

Durante as aulas, a professora procura elencar ensino com diversão, usando métodos que estimulem o desejo dos alunos de aprender, respeitando a faixa etária de cada um. “Aos pequenininhos, nós procuramos dar brinquedos, cantar músicas que os motivem e para os mais velhos é feita uma aula mais formal”, explica a Dra. Márcia Greguol.

A participação dos estudantes da UEL no projeto também é fundamental para o desenvolvimento dos trabalhos ofertados. “Se não houvesse pessoas para me ajudar, acho que seria inviável a realização do projeto”, confessa a idealizadora. Além disso, ao ajudá-la, os universitários adquirem experiência didática, o que os beneficiará no futuro, pois estarão aptos ao trabalho com essa população.

De acordo com a dra. Márcia Greguol, alguns cuidados são necessários para que o aprendizado dos alunos seja possível. Ela orienta a não se colocar a deficiência em primeiro plano, mas sim as possibilidades da criança: “Se chegar um cadeirante aqui e eu olhar apenas para cadeira de rodas e não para pessoa que está acima dela eu o estarei subestimando”. A professora acrescenta ainda que a liberação médica, como para qualquer pessoa, é imprescindível para poder participar.

A respeito de casos de alunos do projeto que a surpreenderam, a dra. Márcia Greguol comenta sobre o medalhista paraolímpico Daniel Dias*. Orgulhosa, a coordenadora revelou que Dias foi um de seus alunos durante o tempo em que trabalhou na ONG de São Paulo e que desde o início, o atleta já apresentava grandes potenciais. “O Daniel tinha uma consciência corporal que era uma coisa absurda. Era nítido que ele seria o que é hoje”, afirmou.

“Natação para todos” foi iniciado em maio do ano passado e desde então tem alcançado êxitos na integração de pessoas com deficiências. O projeto é gratuito e pretende abrir mais uma turma de alunos. As aulas acontecem todas as terças-feiras na piscina térmica da UEL, no Centro de Educação Física e Esporte (CEFE).
 
Serviço: os interessados em participar e que se encaixam no perfil dos alunos podem entrar em contato através do telefone (43) 3371-4208.
 
*Daniel Dias: Atleta paraolímpico brasileiro recordista mundial em natação. Nasceu com má formação congênita dos membros superiores e perna direita. Descobriu o esporte aos dezesseis anos. Nos jogos Olímpicos de Pequim, conquistou nove medalhas, incluindo quatro de ouro nas modalidades 100m livre (com 1min11s05), nos 200m livre (com 2min32s32), nos 200m medley (2min52s60) e nos 50m costas. Foi considerado o melhor atleta paraolímpico de 2007 pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
 
créditos da foto: Renan Cunha
 
Ano 7 – Edição 98 – 31/7/2010

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