E-radiar: a rádio vai até as escolas

agosto 31, 2010

Iniciativa da rádio UEL, o projeto coloca estudantes em contato com a produção radiofônica. A experiência já rendeu um especial transmitido pela emissora

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Isabella Sanches

Levar o rádio para dentro das escolas e contribuir para a construção do conhecimento e formação de argumentos críticos. Com esses objetivos, a UEL FM vem realizando, desde o ano passado, o
projeto E-Radiar. As oficinas são orientadas pelo educomunicador Roberto Camargo, e a coordenação geral do projeto é da jornalista Cristina Côrtes. Parte dos resultados das oficinas se transformou em um especial transmitido pela rádio, que pode ser ouvido no site da emissora www.uelfm.uel.br. O Conexão Ciência conversou com o educomunicador e estudante do último ano do curso de Jornalismo da UEL, Roberto Camargo sobre o “E-radiar”.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia para o projeto “E-radiar”?
Roberto Camargo:
Na verdade já faz uns cinco anos que a rádio UEL vem fazendo várias ações em parceria com as escolas. A emissora sente que tem a missão e potencial para contribuir para a educação; então, já foram feitos programas de rádio intervalo, rodas de conversas, programas gravados e editados aqui, alunos de escolas públicas vieram para cá, jornalistas daqui foram para as escolas da cidade para projetos sociais. Já havia tido várias ações nesse sentido, mas no ano passado a então diretora da rádio UEL, Cristina Côrtes, me chamou para participar da elaboração de um projeto que sistematizasse todas essas experiências e que criasse uma ação que pudesse ser levada a várias escolas. Como eu já havia tido experiências anteriores como educador social, nós traçamos uma metodologia para aplicar essa ação nas escolas públicas de Londrina. Com o apoio da CAMTAR ” Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio, foi proposto então o projeto “E-radiar”; esse “e” ao mesmo tempo é de escola e de eletrônico. A gente acredita que os meios digitais vão dar um bom suporte, não só para essa ação prática, mas para a permanência do rádio ao longo do tempo.

Conexão Ciência: Do ano passado para cá, quais foram as mudanças observadas no projeto?
Roberto Camargo:
No ano passado, nós fizemos uma experiência piloto com uma escola que já havia procurado a emissora e trabalhamos no sentido de trazer os alunos para a rádio. A grande mudança este ano é que a rádio UEL está indo mais às escolas. Como a gente quer atender um número maior de escolas e a emissora tem limitação de espaço e de organização, não dá para fazer as oficinas aqui, mas por outro lado é importante mesmo realizar as oficinas no ambiente dos estudantes, uma visita à rádio é necessária e suficiente para que eles conheçam a dinâmica de produção. Assim, ficou muito mais produtivo levar as oficinas de rádio ao ambiente dos alunos e ao mesmo tempo, na visita deles à emissora, que acontece depois de umas três semanas de convivência com os estudantes, a gente faz um exercício prático e quando eles retornam para as escolas na semana seguinte já estão bem mais conscientes do que querem fazer. Esse foi o grande avanço que nós observamos do ano passado para cá.

Conexão Ciência: Quantas escolas e estudantes estão sendo atendidos pelo “E-radiar”?
Roberto Camargo:
Nós atendemos cinco escolas aqui em Londrina e temos uma escola em Ivaiporã que ainda está aguardando uma visita nossa, mas já consideramos como parte do projeto, então ao todo são seis escolas. Nessas cinco escolas, em que atuamos no primeiro semestre, são 40 alunos diretamente envolvidos. Mas, na realização do programa, eles acabam envolvendo os colegas, pelo menos os das suas salas. Podemos considerar assim um universo de mais ou menos 200 estudantes que acabam de alguma maneira sendo envolvidos no projeto.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do “E-radiar”?
Roberto Camargo:
O objetivo é realizar uma ação educativa, porque sentimos que a educação é um compromisso da sociedade. A escola é a instituição principal, mas não é a única que deve cuidar dos adolescentes, e um meio de comunicação também tem essa função, está até na legislação: toda concessão de um canal de rádio e de TV implica essa responsabilidade de produzir conteúdos educativos. É claro que veículos comerciais não cumprem necessariamente essa legislação, mas uma rádio pública e educativa sabe da importância disso. O objetivo principal é esse: levar uma colaboração para a formação de crianças e adolescentes, o que nós do projeto buscamos é trabalhar na questão da autonomia de aprendizagem, acreditamos que o método que aplicamos ajuda nesse sentido, o aluno tem que ir atrás do conhecimento. É uma atitude ativa e não passiva. A gente instrumentaliza, mas ai eles precisam começar a pensar no que querem fazer, as dúvidas vão surgindo e nós ajudamos a resolvê-las. Esse é um objetivo especifico. Outro objetivo específico é contribuir para a formação do senso crítico; antes de dar o microfone ao aluno, a gente faz ele escutar bastante para depois discutir o que foi ouvido. É claro que em seis meses da oficina de produção a gente não vê resultados imediatos, mas estamos plantando uma sementinha pra que eles aprendam a questionar os conteúdos que recebem da mídia.

Conexão Ciência: De que forma é desenvolvido o projeto? Que atividades são realizadas?
Roberto Camargo:
A primeira atividade é uma apresentação à comunidade escolar. Apenas depois de um planejamento conjunto com o diretor e a supervisora pedagógica do colégio, é definido o corte da escola. Esse corte tem sido em geral para alunos da quarta à oitava série, até porque são alunos que, se a escola tiver ensino médio, irão poder permanecer no colégio e no projeto por mais tempo. Feito esse recorte, é marcado um dia para ser feita a apresentação do projeto aos alunos da faixa etária escolhida, e então, é feito o convite para que aqueles que estiverem interessados compareçam na semana seguinte para um processo seletivo ou até, dependendo do número de estudantes que aparecem, para confirmar a sua participação no “E- radiar”. Formado esse grupo, nós iniciamos as oficinas de produção radiofônica. Na terceira edição dessa oficina acontece a visita à rádio e depois dela, os estudantes já colocam a “mão na massa”: pautam o programa deles e começam a produzir.

Conexão Ciência: Como está sendo a participação dos estudantes? Eles realmente se envolvem no projeto ou há muita desistência?
Roberto Camargo:
Há um pouco de desistência sim, mas não é muito. O interessante é que sempre que acontece uma desistência os próprios alunos pedem para incluir um colega que havia ficado de fora do projeto, talvez porque tenha perdido a apresentação ou porque talvez não tenha decidido antes, mas depois ficou com vontade de participar. Assim, nós temos conseguido repor as poucas desistências e eles têm permanecido no projeto, e até esse momento, o grupo tem mostrado motivação. Estamos bem perto de encerrar essa etapa e eles estão firmes e ativos no “E-radiar”.

Conexão Ciência: São os alunos que escolhem o que é produzido nas oficinas. O que está sendo feito em cada escola? Há diferenças de uma produção para outra?
Roberto Camargo:
Muda um pouco sim as propostas de pauta, de acordo com a maturidade e o contexto da escola e do bairro. Você tem, por exemplo, escolas que pautaram a questão da
formatura da oitava série, a festa que eles vão fazer no mês de julho para levantar dinheiro para a formatura. Por outro lado, você tem escolas que estão discutindo temas mais complexos, como
sexualidade e até mesmo entrevistaram um educador sexual, colegas, pais e professores sobre o tema. Como nós damos essa liberdade e incentivamos eles a fazerem as suas escolhas, ocorre
essa variação nos temas de acordo com o interesse a maturidade do grupo.

Conexão Ciência: Foi produzido um especial transmitido pela rádio UEL. Como foi essa iniciativa? Quem apresenta, qual o tempo de duração e como foi selecionado o material do especial?
Roberto Camargo:
No calor da produção, não queríamos perder de mostrar o que já foi feito pelo “E-radiar”. No dia primeiro de julho as cinco escolas terminam as suas produções e nós quisemos fazer a mostra no mês de junho para dar uma ideia para o ouvinte da rádio sobre o que estava sendo produzido no projeto. Então me reuni com o grupo de monitores, contando comigo nós somos em oito monitores, para cuidar de cinco escolas, e nós propomos para os monitores de cada escola que indicassem uma ou duas produções para compor o especial. Foi um pouco da sensibilidade de cada monitor de ter gostado muito daquela matéria e produção e o especial é então uma junção que a gente fez, possui 29 minutos e todos os monitores o apresentam. Nele foi mostrado um pouquinho da produção de cada escola e inclusive algumas atividades realizadas para se chegar a esse resultado. Essas atividades surgem de acordo com as temáticas sugeridas pelos estudantes, em algumas delas sentimos necessidade de levar pessoas para conversar e fazer uma mediação sobre o assunto, como na questão da programação musical. A primeira coisa que os estudantes querem é colocar música no programa, com isso eles acabam expondo essa situação que a gente vê de uma imposição cultural: rádios comerciais que colocam ali um gênero cultural e é só aquilo que passa e as pessoas não percebem que eles podem ouvir outros tipos de música. Nós notamos, então, que precisávamos discutir essa situação e aí iniciamos um processo de convidar músicos e educadores musicais para bater papo com os alunos e tocar para eles músicas diferentes. Então o especial mostrou um pouquinho disso para dar uma dimensão do projeto, mostrando não só do que foi produzido nas oficinas, mas como foi construído.

:Legenda: Estudantes em trabalho de edição no colégio Moraes Barros

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Projeto auxilia a luta contra a doença da toxoplasmose congênita

agosto 31, 2010

HU registrou diminuição de cerca de 60% no número de gestantes com a doença no ano passado; estatística indica melhora no diagnóstico laboratorial

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Beatriz Bevilaqua

Desde 2006, Londrina conta com um programa de controle e prevenção da Toxoplasmose Congênita. Tudo começou com a tese de doutorado da docente Dr. Regina Mitsuka Breganó ” graduada em medicina veterinária pela UEL, mestra em microbiologia e doutora em ciência animal pela UEL. Em seu trabalho, elaborou um projeto para a interpretação de exames e tratamento de gestantes e crianças. A equipe que participa do projeto produz materiais que tratam basicamente de medidas profiláticas e também com orientações a profissionais da área da saúde. Dentre os materiais que o programa oferece estão folders, cartilhas e cartazes que foram distribuídos para todas as unidades básicas de saúde de Londrina.

O “Programa de Vigilância em Saúde da Toxoplasmose Congênita em Gestantes Atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado do Paraná surgiu como uma parceria entre a Secretaria de Saúde do Estado, a Secretaria Municipal de Saúde e a Universidade Estadual de Londrina. A equipe é multiprofissional e conta com a participação de Médicos, Bioquímicos, Matemáticos, Veterinários, Biólogos, Enfermeiros e outros. Integrantes da UEL e da Secretaria de Saúde de Londrina.

A toxoplasmose é uma doença infecciosa, causada pelo parasita Toxoplasma gondii, que incide em animais e no homem. A toxoplasmose congênita em gestantes é mais grave quando a mãe é infectada no início da gravidez, podendo ocorrer aborto ou malformações no feto. Esta é considerada uma doença perigosa e de difícil diagnóstico clínico já que a mulher infectada pode não ter sintomas ou apresentá-los de uma maneira mais branda, assemelhando-se a uma gripe.

Segundo as estatísticas da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), mais da metade da população mundial possui anticorpos contra a doença. No Brasil, a prevalência varia de região para região. Em Londrina, cerca de 50% das gestantes teriam tido toxoplasmose antes da gravidez, neste caso, não há risco de transmitir a doença aos bebês.

O programa tem obtido excelentes resultados. Em 2009 houve uma diminuição de cerca de 60% no número de gestantes encaminhadas para o HU por toxoplasmose. Segundo Regina Mitsuka Breganó, autora do projeto, isto se deve ao fato de que houve além do programa de prevenção também a melhora no diagnóstico laboratorial, assim apenas as gestantes com toxoplasmose confirmada ou suspeita é que passaram a ser encaminhadas ao HU , muitas tiveram o diagnóstico de toxoplasmose descartado ainda na Unidade Básica de Saúde. Como resultado houve uma diminuição do número de gestantes e crianças tratadas desnecessariamente.

A implantação do programa em outras cidades vem ocorrendo desde 2007. Cidades como Cambé, Rolândia e Cascavel também estão no programa de controle e prevenção da Toxoplasmose. “A intenção era que a secretaria de saúde do estado do Paraná assumisse a implantação deste programa no estado inteiro, mas por algumas questões eles ainda não conseguiram”, afirma Dra. Regina Mitsuka. Outros Estados do país também estão interessados na implantação do programa. Roraima, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul já entraram em contato.

Para mais informações,  o telefone do departamento de medicina veterinária preventiva da UEL é 3371-4485 e o do departamento de ciências patológicas é 3371-4539.

Legenda da foto: Da esquerda para a direta estão: Profa. Ms. Fabiana Maria Ruiz Lopes Mori, Prof. Dr. Italmar Teodorico Navarro e Profa. Dra. Regina Mitsuka Breganó


Perspectivas de um assentamento rural do norte do Paraná

agosto 31, 2010

Projeto busca apontar as principais dificuldades e necessidades dos assentamentos rurais

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Guilherme Vanzela

O projeto “Diagnóstico técnico-econômico e sócio-ambiental de um assentamento rural do norte do Paraná”, que busca estudar a viabilidade técnico-econômica e sócio-ambiental de um assentamento rural, é coordenado pela doutora Cristiane de Conti Medina, engenheira agrônoma graduada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em energia na agricultura e doutora em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Ela orienta, no projeto, o estudante Thiago Luiz Ragugnetti Furlaneto, formado em agronomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em seu trabalho de mestrado.

A pesquisa é realizada no assentamento Santa Maria, que fica em Paranacity, cidade da região norte do estado do Paraná. Lá vivem cerca de 70 pessoas que formam a Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória Ltda (Copavi). “Eles (assentados) organizam as moradias em uma “agrovila”,  de modo que todas as famílias vivam próximas, facilitando as trocas de informações e as resoluções de problemas internos. As refeições são feitas em um refeitório comunitário e pela posição estratégica do assentamento, que fica a 200 metros da cidade, há facilidade para as crianças estudarem e para o escoamento da produção”, complementa o Thiago Furlanetto.

A questão técnico-ecônomica da pesquisa, aborda as técnicas de produção utilizadas nos assentamentos e os meios econômicos que permitem o desenvolvimento do grupo. Segundo o estudante Thiago Furlaneto, a principal dificuldade no aspecto técnico-econômico, concentra-se na falta de mão-de-obra disponível para realizar os trabalhos no assentamento. “Em função de eles serem apenas 23 famílias, eles possuem uma grande quantidade de tarefas para realizar, principalmente na cadeia produtiva da cana-de-açucar. Isto faz com que falte mão-de-obra para outras atividades, principalmente na produção de alimentos para o autoconsumo”, complementa Thiago Furlanetto.

Pela falta de mão-de-obra, conciliar os trabalhos que visam o retorno monetário e o autoconsumo se torna a principal dificuldade dos assentados. “Em função da opção que foi feita na cooperativa pelo mercado, optou-se pela venda, principalmente, do açúcar mascavo e da cachaça, com isso a produção para a própria demanda não é atendida”, pontua a doutora Medina. “Do mesmo modo que se precisa de mão-de-obra para a cana também é necessária para a horta”, exemplifica a professora Dra Cristiane Medina.

No processo sócio-ambiental, são revelados contrastes entre o modo como os pequenos agricultores, dos assentamentos, e os latifundiários lidam com a natureza, de acordo com a pesquisa. “Normalmente, o grande produtor pensa, exclusivamente, na produtividade e no lucro, e, muitas vezes, ele é um médico, um advogado, ou tem qualquer outra profissão que não possui nenhum contato com a terra. Já o pequeno agricultor, pensa na produção como o único meio para sustentar sua família”, coloca a Dra Cristiane Medina. “As famílias no assentamento, de um modo geral, vêem, a natureza como uma condição essencial a sobrevivência, ao contrário de grande parte dos latifundiários”, complementa Thiago Furlanetto.

Segundo Thiago Furlanetto, as principais dificuldades em um assentamento estão na falta de apoio por parte do governo. “O que falta, geralmente, é uma assistência técnica, para que os assentados consigam direcionar corretamente seus recursos e seus créditos”, relata Thiago Furlenetto. “Se o agricultor assentado tiver o mesmo apoio institucional dado aos grandes agricultores, a probabilidade de ele conseguir se estabelecer e se desenvolver é enorme”, complementa a professora Dra Cristiane Medina, que conclui acreditando: “A reforma agrária, se bem planejada, ao contrário do que muita gente diz, dá certo”.


Bacias dos rios Tibagi e Iguaçu: suas diferenças e particularidades

agosto 31, 2010

Tese de doutorado pesquisa as diferenças entre as duas bacias a partir da localização, uma na zona rural e a outra na zona urbana

Pauta e Edição: Fernanda Cavassana
Reportagem: Bruna Gonçalves

O meio-ambiente, nos últimos anos, ganhou importância nas discussões e debates em todos os âmbitos da sociedade – político, econômico e social. Nesse contexto, Marcos Ferraz Monteiro, discente de doutorado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolve sua pesquisa voltada para as bacias hidrográficas, em especial a do rio Tibagi, e a do rio Iguaçu. Formado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou a pós-graduação em meio-ambiente, o que o instigou a pesquisar recursos hídricos. Seu orientador no doutorado é o professor Ricardo Ralisch do departamento de Agronomia da UEL, formado neste curso pela mesma universidade, mestre e doutor em Energia na Agronomia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). A água, em particular, tem preocupado a todos, “pois sua qualidade piorou significativamente nos últimos anos” conta Marcos Monteiro.

Marcos Monteiro lembra a distribuição da água do planeta, muito citada nos livros, em que “97% estão nos oceanos, portanto é salgada e de difícil obtenção; 2,5% estão em geleiras e é de difícil acesso. Assim, sobra 0,5% que é a água possível de ser utilizada pelo homem, que tem que ser divida entre todo o planeta. Entretanto, é muito mal distribuída, só o Brasil tem em média um quarto dessa água”. Afirma, também, que o Paraná possui grandes reservas de água. No norte usa-se muito da água subterrânea, por causa do aquífero Guarani, já na região de Curitiba, mais a de superfície.

Marcos Monteiro diz que as pessoas se preocupam mais com a água, mas “ela não vai acabar no planeta, a quantidade é fixa, mas a qualidade dela tende a deteriorar. Um dos problemas, hoje, é o aumento da população mundial, que produz e usa muito mais água. A agricultura é um dos setores que mais a usa, a indústria também a utiliza muito” relata o doutorando. Esse grande crescimento populacional influenciará no meio, por isso “é preciso criar uma ideia coletiva de que a ela não é um bem infinito e que teremos problemas. Já temos, hoje, 1 bilhão de habitantes na Terra já sofrem com a escassez ou problema com água. A ONU acredita que por volta de 2040, mais ou menos, 3 bilhões de pessoas terão esse tipo problema”, alerta Marcos Monteiro.

Por causa dessa preocupação, Marcos Monteiro pesquisa as bacias hidrográficas em diferentes regiões, para estudar as diferenças e problemas de cada uma em particular. “A ideia do projeto é fazer essa comparação, uma bacia bem urbanizada em Curitiba, em comparativo com uma bacia bem rural aqui da região próxima à Londrina” explica.

“As bacias do meio rural e as do meio urbano têm características diferentes, geralmente as das cidades têm muita poluição dos esgotos industriais e residenciais, fora o povoamento não planejado” conta Monteiro. Apesar do nível de poluição de uma bacia hidrográfica na cidade ser muito maior, “os problemas no campo também são vários e não são fáceis de resolver. Por exemplo, tem problemas de erosão, porque se tira a mata ciliar que está beirando o rio; tem muito problema com agrotóxico, que é pulverizado nas plantas, mas acaba indo pro rio, assim afeta a qualidade da água, mortandade de peixe, fauna e outros problemas” relata.

De acordo com o pesquisador, a bacia do Iguaçu, próxima à região de Curitiba é 90% urbana. Possui uma água mais pesada, com muitos poluentes, porque na região metropolitana existem muitas indústrias petroquímicas e há vazamentos do petróleo para o rio. Todo o curso do rio é muito explorado economicamente, na medida em que sustenta quase toda a hidroeletricidade do Paraná.

Por outro lado, a bacia do Tibagi, com características rurais, começou a ser explorada recentemente, com o início da construção da usina de Mauá, perto da cidade de Telêmaco Borba, “que terá um grande impacto para a economia da região. O impacto ambiental também será grande, além dos problemas com a população ribeirinha. A margem do rio será alagada e é preciso fazer a remoção dessas pessoas e de toda a vegetação, mas existem comunidades indígenas e uma área de floresta rara no Paraná” lembra o pesquisador. Por meio do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), foi feito um levantamento dos problemas ambientais que a construção da usina iria causar e, assim, tentar minimizá-los.

Marcos Monteiro ainda explica que as leis do RIMA obrigam a retirada da vegetação da área alagada quando se constrói uma barragem de hidroeletricidade ou de captação de água, pois ela tende a apodrecer e a liberar metano, um dos gases que intensificam o efeito estufa e as chuvas ácidas, assim a tendência na construção da usina é a retirada dessa vegetação.

O doutorando ainda não possui dados estatísticos, “por enquanto estou num processo chamado de levantamento bibliográfico, então não fiz ainda os levantamentos de campo”. A previsão para a conclusão do doutorado é em 2012.


Edição 101

agosto 23, 2010

Para fazer o download da edição 101, clique no link abaixo:

http://www.4shared.com/document/8HISBdTX/Conexo_Cincia_-_22_de_agosto_d.html


O aborto considerado como um problema de saúde pública

agosto 22, 2010

Projeto do departamento de Enfermagem estuda casos de abortos atendidos no HU e aponta como o problema está tornando-se comum

Casos de aborto são tema de estudos do departamento de Enfermagem

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Isabella Sanches

A Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) realizada em maio desse ano e divulgada pela Folha de S. Paulo indica que o aborto é tão comum no Brasil que, ao completar 40 anos, mais de uma em cada cinco mulheres já abortou. Esse é um problema de saúde e precisa ser estudado e discutido para que seja minimizado. É sobre esse tema que Profª Drª Marta Lucia de Oliveira Carvalho, professora do Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tratou nos projetos já concluídos: “Casos de aborto atendimentos em hospital universitário de Londrina-PR de 1999 a 2004: Registros em prontuário e perfil das mulheres atendidas” e “Gestões não planejadas e contracepção: Estudo sobre pacientes internadas por abortamento em um hospital universitário”. A Drª Marta Lucia Carvalho possui graduação em Enfermagem e Obstetrícia pela UEL, mestrado em Enfermagem Psiquiátrica e doutorado em Saúde Pública, ambos pela Universidade de São Paulo (USP). O Conexão Ciência conversou com a professora sobre seus projetos, a questão do aborto e suas causas.

Conexão Ciência: Como surgiu a ideia para os projetos sobre o aborto?

Profª Drª Marta Carvalho: Pesquisar o tema do aborto surgiu porque eu já trabalhava com planejamento familiar; faz quase trinta anos que eu trabalho na área da saúde da mulher, principalmente na área da saúde reprodutiva. E quando você trabalha nessa área o aborto é visto como um indicador da ineficiência do planejamento familiar, quantos mais abortos você tem em uma região mais você tem necessidades não atendidas de planejamento familiar. Porque nós partimos do princípio de que nenhuma mulher aborta porque gosta, aborta por desespero.

Conexão Ciência: O que foi constatado pelas pesquisas?

Profª Drª Marta Carvalho: Foram duas pesquisas consecutivas. Na primeira delas, nós entrevistamos mulheres que estavam sendo atendidas por abortamento no pronto socorro do HU. A escolha foi mais que facilidade, pois todas as mulheres que abortam, se o atendimento for feito pelo SUS, são encaminhadas para o HU. Os resultados da pesquisa mostraram o seguinte: nós colocamos um número aproximado de 500 e poucos abortos por ano. Se o ano tem 365 dias, então todos os dias nós temos cerca de um aborto e meio. Esse dado não é um dado que mostra qual o número de abortos em Londrina. Primeiro porque têm mulheres que não vão para o HU, que são atendidas pela rede particular. Segundo, tem muitas mulheres que abortam e ficam em casa. Os casos de abortamento que chegam até o hospital são os que tiveram consequências, que a hemorragia ficou muito forte e a paciente ficou com medo. Existe já um cálculo que é usado pelo Ministério da Saúde, que é uma fórmula matemática elaborada pelo Instituto Alan Guttmacher que trabalha só com pesquisas sobre aborto no mundo e assessora a Organização Mundial de Saúde. O Instituto calcula que o número de mulheres que chegam ao hospital atendidas por abortamento significa um quinto do número total de abortos. Então, fazendo as contas, ainda que nenhuma conta nessa área seja muito objetiva, se eu recebo no hospital quinhentas mulheres que fizeram aborto e isso é um quinto do número total, têm outras duas mil que não chegaram a precisar de atendimento. Assim, pode-se aproximar o número a uns 2.500 abortos em Londrina por ano. Além disso, o projeto trabalhou não só com números, mas também com a questão do planejamento familiar. O planejamento familiar para nós é um atendimento importante, porque uma mulher que aborta pode engravidar novamente duas semanas depois do aborto. Não é igual a um parto que a mulher fica em um estado de esterilidade por um mês, o aborto é como se fosse uma menstruação, assim que ele acontece daí a duas semanas a mulher ovula outra vez. Então eu quero que essa mulher saía do hospital orientada e protegida contra o risco de uma nova gravidez indesejada.

Conexão Ciência: O que se concluiu sobre o atendimento no HU?
Profª Drª Marta Carvalho: Checou-se que o atendimento no HU era muito bom em termos de atendimento ao aborto em si, de não deixar a paciente morrer de hemorragia ou de infecção. Mas na hora da alta, nós notamos um número muito baixo de orientação de planejamento familiar. A área do aborto é uma área nebulosa e eu concordo com a ideia de que o “aborto é um problema de saúde pública” e que deve ser tratado dessa forma, não como um caso religioso ou de polícia. É um problema de falha do próprio sistema de saúde que não fornece um atendimento eficiente em métodos para que as mulheres evitem esses filhos e depois que o aborto acontece todo mundo condena.

 
Conexão Ciência: Quais são as causas que mais levam a uma gravidez indesejada? É a falta de conhecimento sobre o próprio corpo? Falta de orientação? Falha nos métodos contraceptivos?

Profª Drª Marta Carvalho: É uma mistura de todos esses fatores. Nós podemos pensar que o nível de escolaridade está aumentando então as mulheres deveriam saber se cuidar melhor, mas não é tão fácil assim. Observamos isso pelos dois métodos contraceptivos mais utilizados hoje, que são a esterilização feminina e a pílula. A esterilização é definitiva, é para a mulher que não quer mais ter filhos, não é para alguém que ainda está solteira e que não teve todos os filhos que queria ter, então sobra a pílula. A pílula como método temporário e não definitivo, têm falhas: as mulheres têm problemas gástricos ao ingerir a pílula e elas esquecem de tomá-la, o esquecer de tomar é o maior motivo da falha da pílula. O uso da camisinha que seria o mais indicado, ainda mais para proteção da AIDS, da Hepatite e de outras doenças; é um método que aparece muito pouco. A camisinha é mais objetiva, você usa e está ali na sua frente, quando fura você percebe e pode tomar uma medida em relação, como tomar a pílula do dia seguinte, ou seja, é mais fácil de manejar. Desconhecimento do próprio corpo também aparece como uma tônica. Parece que faz parte da feminilidade ser ignorante em termos de sexo e de anatomia feminina. Então no caso da mulher nós ainda temos essa coisa meio medieval em uma geração onde os jovens têm o livre exercício da sua sexualidade e uma ignorância em relação aos métodos contraceptivos. Eles usam errado, as meninas acham que podem usar a pílula que a amiga está tomando, quando na verdade as pílulas possuem várias dosagens de hormônios e o que dá certo para uma mulher não funciona para a outra. As jovens também não vão ao médico para prevenção e é importante que a mulher que usa a pílula visite regularmente seu ginecologista. Nós temos ginecologistas disponíveis na rede básica de saúde, mas elas não frequentam o médico e não fazem o tratamento direito. Então, o que faz uma gravidez indesejada acontecer e consequentemente um aborto, é um pouco de ignorância e de falhas nos métodos contraceptivos quando mal utilizados. 

Conexão Ciência: E você considera a situação dos serviços de saúde pública eficiente nessa área?

Profª Drª Marta Carvalho: Mais ou menos. Se você comparar o trabalho na rede básica há quase trinta anos, nós percebemos que houve uma grande melhora, nós saímos do zero para um serviço melhor, mas ainda com deficiências. Temos que lembrar que estamos no Brasil, um país em desenvolvimento, onde o esforço de investir em planejamento familiar do governo federal em convênio com as prefeituras foi muito grande e se pode dizer que a situação melhorou bastante, mas ainda têm muita coisa para melhorar. Como por exemplo, o fornecimento de métodos contraceptivos, que ainda não é regular. Às vezes as mulheres vão ao posto de saúde buscar sua pílula e quando chegam lá não tem, isso não pode acontecer, pois essa mulher vai ficar sem proteção. 

Conexão Ciência: Qual é o perfil da mulher que aborta? E quais são as causas que levam essa mulher a tomar essa atitude?

Profª Drª Marta Carvalho: No senso comum, nós imaginamos que a maior parte das mulheres que abortam são adolescentes sem juízo que transaram com o namorado e acabaram engravidando. Não é. A maioria das mulheres que abortam é casada, tem mais de vinte e cinco anos e já é mãe, então o perfil que se desenha é de uma mãe de família. Quanto às razões que levam ao aborto, o motivo financeiro é muito forte e aparece em várias entrevistas que nós fizemos. O trabalho também aparece como uma motivação importante, questão da mulher não poder engravidar, principalmente as empregadas domésticas e aquelas que trabalham sem carteira assinada, para as quais ficar grávida significa ficar desempregada e ter dificuldade de arranjar outro emprego, então o aborto vem como a salvação financeira de toda uma família. Assim as motivações mais importantes que nós encontramos não são religiosas ou morais, a questão é mesmo financeira. 

Conexão Ciência: O medo de ser mãe solteira ainda leva as mulheres a fazer o aborto?

Profª Drª Marta Carvalho: Essa questão também aparece, mas não como uma questão moral e sim financeira. Antigamente era feio uma mulher solteira ter um filho, hoje a pergunta que se faz é: como eu vou sustentar esse filho? Uma mulher que fica grávida e tem o filho sabe que o mercado de trabalho acaba se restringindo para ela.

Conexão Ciência: O lado religioso ainda pesa na decisão de um aborto?

Profª Drª Marta Carvalho: O lado religioso está bem mais fraco do que antes, mas ainda existe a preocupação moral religiosa nessa questão. O aborto existe como uma condenação, a mulher que faz um aborto é uma mulher que cometeu um crime. Até eu digo que a legislação nem precisa se preocupar com essa questão, porque o maior peso de condenação é o interno da própria mulher. Matar o próprio filho, como elas mesmas dizem, é uma coisa que se vive como um trauma violento. Por isso é horrível pensar na criminalização do aborto, é como se fosse uma dupla pena em cima de um mesmo delito, pois a mulher já está se condenando. Eu nunca vi uma mulher que aborta e acha isso engraçado ou natural, a maior parte delas vivência isso com uma grande culpa, o que pode ser prejudicial até em termos de saúde mental.  

Conexão Ciência: De maneira geral, como está a situação do aborto no Brasil?

Profª Drª Marta Carvalho: No dia 22 de maio desse ano foi publicada a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA), patrocinada pelo ministério da saúde e realizada pelo instituto Ibope. Essa pesquisa trouxe dados bastante interessantes. Uma em cada sete brasileira de 18 a 35 anos já fez aborto. Essa pesquisa ainda indica 5 milhões de abortos realizados no Brasil. Ainda tem mais uma surpresa em relação à idade. Na faixa etária de 35 a 39 anos a proporção de aborto é ainda maior do que nas outras idades. Entre 35 a 39 anos, uma em cada 5 mulheres já fez aborto. Esse é um número altíssimo e demonstra como essa situação deve ser encarada de maneira mais séria.

 


Mundo digital: A nova imagem do telejornalismo

agosto 22, 2010

Projeto de pesquisa examina os novos elementos visuais usados nas imagens telejornalísticas

Para a professora dra. Neusa Maria Amaral, não é possível haver total imparcialidade: “Eu não acredito na isenção, eu acredito na ética”

Edição: Tatiane Hirata
Pauta e Reportagem: Renan Cunha

Desde as pinturas rupestres da era das cavernas ao mais sofisticado sistema de imagens digitais, o homem procura representar o mundo. Sem dúvidas, esses “recortes do real” ajudam a humanidade a compreender a história e os fatos que a cercam. Contudo, devido às possibilidades que as novas tecnologias proporcionam, sabe-se que as imagens não são representações fiéis da realidade. Essa é a preocupação do projeto de pesquisa “A virtualidade da imagem telejornalística”, pertencente ao Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenado pela professora Dra. Neusa Maria Amaral – Jornalista formada pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em Comunicação Social, área de concentração em Comunicação Científica e Tecnológica, pela Universidade Metodista de São Paulo e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo.

 A pesquisa tem por objetivo identificar e classificar os elementos videográficos usados nas produções dos telejornais. Com o advento das mídias digitais, é possível, hoje, alterar as imagens captadas pela videocâmera ou mesmo substituir estas imagens por outras criadas por computador. Para a professora Neusa Maria Amaral, “o principal questionamento é em que medida essa alteração modifica a informação e altera o entendimento do telespectador na medida em que os telejornais, por princípio, devem apresentar imagens reais do acontecimento.”

 Em entrevista ao Conexão Ciência, a prof. Dra. Neusa Maria Amaral explicou de que forma essas edições podem influenciar o telespectador, e qual a responsabilidade do jornalista ao produzir as reportagens. Segundo a professora, “somente a pesquisa poderá verificar se os videografismos, ou as imagens concebidas e ou alteradas por algoritmos matemáticos interferem no entendimento da informação, tornando real o que na verdade é virtual”. Por conseguinte, uma das dicas dadas por ela é o acompanhamento, por parte da população, de vários telejornais de diferentes emissoras. “se a Globo cobre um evento ligado a Record, ela tem uma visão, se a Record cobre o próprio evento, ela tem outra visão” declarou.

 Em uma sociedade cada vez mais ligada à imagem do que ao texto, há de se preocupar com a forma de intermediação realizada pelas máquinas, no caso, os computadores, que geram as imagens que servem para o homem se comunicar e conhecer novas coisas. Na escolha entre estética e ética, a Dra Neusa Maria Amaral afirma tratar-se de conceitos que não são excludentes. Para ela, uma TV que transmita uma “imagem plástica” (imagem composta em conceitos estéticos) não é mais ou menos ética que outra que faça uma transmissão desprovida de elementos estéticos.

 A coordenadora do projeto possui uma visão diferente da socióloga Gaye Tuchman*, que crê os jornais como “janelas da realidade”. Para a professora doutora Neusa Maria Amaral, os telejornais são “visões de mundo” porque as reportagens são recortes feitos pelos profissionais que cobrem os fatos, mesmo que sejam profissionais éticos.

 Com relação à isenção e à responsabilidade do jornalista para com a produção das matérias, a Dra Neusa Maria Amaral afirma não ser possível ter total imparcialidade, pois todos têm princípios e valores: “Eu não acredito na isenção, eu acredito na ética”. Para ela, o profissional ético deve abordar os temas da melhor maneira possível, mesmo usando os recursos de edição, pensando nas implicações que isso causará a sociedade.

 Ainda sobre a questão de isenção, a pesquisadora acrescenta: “Se o jornalista for ético, ele vai conseguir o equilíbrio entre a parte moral e a própria visão de mundo dele”. Sobre o resultado do projeto, ela espera que a pesquisa possa descrever, com mais precisão, de que forma os elementos visuais produzidos no computador estão sendo incorporados aos grandes telejornais, principalmente agora, com a implantação do sistema digital em substituição do analógico.

*Gaye Tuchman: Sociológa americana formada e doutorada pela Brandeis University. Se especializou em sociologia da cultura, meios e gêneros, com abordagens etnográficas, deixando grandes contribuições nos estudos midiático-sociológicos. É diretora editorial de diversas revistas acadêmicas e autora de livros como ‘Television Establishment: Programming for Power and Profit, Images of Women in the Mass Media e Making News: A Study in the Construction of Reality’. Fontes: http://sociology.uconn.edu e http://www.jorwiki.usp.br