Cafeína melhora desempenho de ciclistas

Pesquisa do Centro de Educação Física e Esporte da UEL analisa efeitos da substância em ciclistas

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Isabella Sanches

Investigar qual é a relação da ingestão de cafeína sobre a melhora da performance do atleta de ciclismo, buscando comprovar em laboratório a efetividade do consumo dessa substância em uma situação real de competição. Esse é o objetivo do projeto: “Efeitos da ingestão de cafeína sobre o desempenho físico de ciclistas em aberto (openloop) e fechado (closedloop) de curta e longa duração”, coordenado pelo professor doutor Leandro Ricardo Altimari.

Leandro Altimari é docente do departamento de Educação Física na Universidade Estadual de Londrina (UEL), graduado em Educação Física pela UEL, doutor em Educação Física pela Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas e especialista em Interação Nutrição, Exercício e Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista. O professor estuda o tema há aproximadamente 10 anos, como uma continuação da sua tese de doutorado, mas agora com uma perspectiva mais laboratorial.

De acordo com o professor Leandro Altimari, tem se observado que a cafeína melhora o desempenho dos atletas. “A literatura suporta essa hipótese de um melhor desempenho em exercícios aeróbios, ou seja, atividades de média ou longa duração, e de uma melhor execução em exercícios anaeróbios que tenham duração de dois a três minutos, por aqueles que ingerem a substância”, afirma. O doutor explica que quando trata de exercícios de longa duração em seu trabalho, são esses as atividades realizadas em uma hora para mais, e que usam intensidade moderadas ou intensas, já as provas de curta duração aplicadas no projeto são de cinco minutos.

Segundo o Leandro Altimari, o projeto irá submeter atletas à testes em um ciclossimulador, aparelho ergômetro (equipamento utilizado em avaliação física) mais específico por ser mais próximo da atividade praticada pelos atletas de ciclismo, e a seleção dos participantes é realizada a partir da divulgação do projeto. “Na cidade e na região há várias equipes de ciclismo. Nós comparecemos às provas e mantemos contato com essas equipes, divulgando assim nosso trabalho em ambientes onde de fato vamos encontrar atletas que praticam o ciclismo.”

Serão ao todo 30 participantes, todos homens, divididos em dois grupos de 15 pessoas, explica o coordenador. “Um dos grupos vai fazer um delineamento experimental em exercícios de ciclismo de longa duração, o outro em atividades físicas de curta duração.” De acordo com o Dr Altimari, as atividades físicas de curta com menor extensão terão a distância de um quilômetro e o de maior extensão de 40 quilômetros, reproduzindo assim uma situação de prova real. Cada participante vai ingerir seis miligramas de cafeína pura por quilograma de peso, uma hora antes da realização do teste. “A ingestão é feita um hora antes do experimento para que haja tempo suficiente para que a substância se torne disponível na corrente sanguínea, fazendo, assim, efeito”, explica.

Cada participante de cada grupo, segundo o professor Leandro Altimari, será submetido a três testes: um sob o efeito da cafeína, outro sob o efeito de placebo farmacêutico, na mesma proporção de 6 miligramas por quilograma de peso, e outro sem ingerir qualquer substância. E em cada grupo, de distância de um ou 40 quilômetros, os atletas irão pedalar sob duas condições. ‘Uma condição será o openlood e a outra o closedloop. Exercícios em openlood, aberto, não possuem um tempo ou distância estipulados, então o esportista irá pedalar até a exaustão. Já no closedloop, fechado, o atleta trabalha em função de um tempo e distância, no caso uma distância de um ou 40 quilômetros.”

De acordo com o doutor Leandro Altimari, o projeto parte do principio de que o efeito da cafeína é estimulante no sistema nervoso central e com ação direta no músculo esquelético, contribuindo para um melhor desempenho do atleta. “Com a ação da cafeína no sistema nervoso central e no músculo esquelético, há uma melhora na velocidade de contração do músculo e na força da contração. Isso permite ajudar o individuo a realizar exercícios físicos em menor tempo, com menor fadiga muscular e aumentando a velocidade dos impulsos nervosos do cérebro até o músculo”, afirma.

Segundo o coordenador do projeto, a cafeína para que faça o efeito desejado deve ser consumida pura e em cápsula, pois quando é dissolvida em água, por exemplo, possui um sabor amargo que a pessoa não consegue ingerir. Outros componentes que contêm cafeína, como coca-cola, café e chocolate não trazem uma melhora de desempenho. “A quantia de cafeína encontrada neles é muito pequena e precisaria tomar muita coca-cola, por exemplo, para conseguir o efeito fisiológico correspondente aos seis miligramas por quilograma de peso utilizados nos testes, o que acabaria prejudicando a performance do atleta”, exemplifica o doutor.

O coordenador explica ainda que o ciclismo foi escolhido para a análise do projeto por ser um esporte bastante difundido. “Ele é mais difundido nos países da Europa e nos Estados Unidos, aqui no Brasil ele tem crescido ao longo dos anos.” O Dr Altimari conclui que os resultados obtidos até o momento indicam a cafeína como uma recurso ergogênico. “Recursos ergogênicos são estratégias adotadas com o intuito de melhorar a performance dos atletas”, explica o professor.

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