Nutrição ideal para gestantes é tema de artigo

Fruto de pesquisa realizada pela professora Sandra Maria Rodrigues Fernandes, o artigo mostra as principais necessidades nutricionais durante a gestação

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Mariana Mortari

O trabalho realizado por um grupo de pesquisa voltado a alunos do curso de Nutrição e orientado pela professora Sandra Maria Rodrigues Fernandes, mestre em Nutrição pela Universidade Federal de São Paulo e professora do curso de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), foi o que deu origem ao artigo “Perfil Nutricional de Gestantes Atendidas por Duas Unidades Básicas de Saúde de Londrina”, escrito pela professora, que orienta a dieta e o comportamento adequados para mulheres durante a gestação.

“As informações coletadas foram derivadas de entrevistas com gestantes e da consulta a prontuários com o objetivo de traçar um perfil nutricional”, explica a professora sobre a forma de obtenção de dados realizada pelo grupo, que envolvia alunos do 3º ano do curso de Nutrição da Unopar.

A professora afirma que a partir do quarto mês de gestação, deve haver um consumo calórico elevado por meio da gestante, para suprir o consumo tanto da mãe como do bebê. “Também é importante o aumento no consumo de proteína, para a formação de placenta e do próprio corpo do feto, de vitaminas e minerais, água e fibras”, diz a nutricionista.

No caso de grávidas com dieta deficiente em proteínas, como é o caso dos vegetarianos, a professora afirma que a dieta pode desencadear problemas na gestação, dependendo de qual o nível de restrição da mulher no consumo de proteínas de origem animal e a quanto tempo vem seguindo essa dieta. “Ou a paciente consegue fazer alguma modificação na alimentação somente durante o período de gestação, para que consiga atender as necessidades nutricionais, ou então ela vai sofrer algumas conseqüências disso na gestação”, explica Sandra Maria Fernandes.

A nutricionista menciona os protocolos da Organização Mundial da Saúde para gestantes, que sugerem o uso de suplementação de ferro e de ácido fólico. “A suplementação de ferro deve começar no quinto mês gestacional, já para o uso da suplementação de ácido fólico, é sugerido que a mulher tenha um planejamento de sua gravidez e que inicie o uso desses suplementos antes mesmo de engravidar”, descreve a professora. Segundo Sandra Maria Fernandes, o consumo prévio de ácido fólico se dá pelo fato de que essa substância é a responsável pela formação do tubo neural do feto, que se forma logo nas primeiras semanas de gestação, ou seja, antes que se descubra a gravidez.  Como nem sempre é possível prever a gestação, a nutricionista diz que a mulher deve iniciar o uso da suplementação assim que descoberta a gravidez. “Infelizmente, na prática, como mostra o artigo, é raro que uma gestante utilize corretamente a suplementação, mesmo que a receba gratuitamente pelo sistema de saúde”, relata a nutricionista.

A professora Sandra Maria Fernandes conta que o problema mais comum em grávidas é a Anemia, devido ao aumento na necessidade de ferro durante a gestação. “Existe uma prevalência bastante elevada de Anemia mesmo na população não gestante. Como na gestação as necessidades aumentam, há grande chance dessas mulheres que já estavam com alimentação deficiente não conseguirem uma boa nutrição”, é o que explica a professora.

Segundo a nutricionista, há uma grande relação entre o ganho de peso da gestante e o peso de nascimento do recém nascido, que é o principal fator indicador de saúde nos bebês. “Um bebê com peso ideal tem menos chances de desenvolver alguma deficiência nutricional e uma gestante com ganho de peso adequado tem mais chances de ter um bebê com peso considerado ideal”, afirma a professora Sandra Maria Fernandes. Conforme explicado pela professora, o sobrepeso em gestantes também pode ser prejudicial, pois tem relação com o nascimento de bebês acima de 4 kg, conhecidos como macrossômicos, nos quais é mais comum o aparecimento de problemas respiratórios.

A professora Sandra Maria Fernandes ainda reforça a ligação da boa alimentação da mãe durante a gestação com a saúde do bebê após o nascimento, garantindo que um fator está totalmente ligado ao outro e que, mais do que o aumento calórico previsto, o grande diferencial na saúde do bebê está na qualidade da alimentação materna.

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