Ética em psicanálise: união entre teoria e prática

Projeto realiza atendimentos à comunidade e desenvolve o raciocínio clínico dos estagiários

 

De acordo com a professora Dra. Denise Dal-Cól, o objetivo do projeto é mostrar à pessoa que os seus sintomas são resultados do conflito entre o agir e o pensar

Edição e Pauta: Tatiane Hirata
Reportagem: Isabela Nicastro

Com o objetivo de abordar mais os conceitos de psicanálise trabalhados em sala de aula aliados à prática, a professora Denise Maria Lopes Dál-Col coordena o projeto de extensão: Uma transmissão possível da ética da psicanálise: um recorte.

Iniciado em novembro de 2006 e prorrogado até novembro de 2010, o projeto é desenvolvido pelo Departamento de Psicologia e Psicanálise (PPSIC), do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A coordenadora do projeto possui graduação em Psicologia pela UEL em 1989, especialização em Psicanálise e mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) em 2002. Denise Dál-Col também é  membro da Escola da Coisa Freudiana em Curitiba e supervisora de estágio em psicologia clínica da UEL.

O projeto é integrado à comunidade e tem a intenção de promover uma relação da prática com a teoria de um modo diferente. “Não é inserir uma teoria conceitual no paciente, uma vez que o próprio trabalho com o paciente nos permite verificar se aquela teoria está correta e também se ela se adequa àquela pessoa. Cada caso é um caso”, explica a coordenadora.

Segundo a professora Denise Dál-Col, a pessoa procura a Clínica Psicológica da UEL através de uma solicitação de atendimento e, a partir de então, fica em uma lista de espera para que, quando possível, ou de acordo com  a urgência do caso, seja chamada para realizar a triagem, ou seja, um entrevista inicial. As triagens são feitas pelos alunos participantes do projeto, geralmente estudantes do 4º ano do curso de Psicologia. Nesse momeno, os pacientes são ouvidos, expõem suas angústias e problemas, e os relatos são registrados e avaliados para que se proceda um encaminhamento adequado ao caso. “Alguns casos exigem certa urgência pois muitas vezes os pacientes chegam à clínica irrequietos, muito ansiosos ou com algum transtorno perceptível”, afirma a professora.
O projeto é um benefício para a clínica ao atender grande parte dos pacientes na lista de espera, realizando apenas as triagens e encaminhando os atendimentos a outros profissionais ou estagiários. “Resolvemos nos centrar apenas nas entrevistas iniciais para o favorecimento do aprendizado do aluno estagiário, para que a própria realidade o faça pesquisar mais e desenvolver um raciocínio clínico. Nas triagens, o importante é o aluno reconhecer que o paciente está ali por espontânea vontade e deseja realmente  o tratamento”, esclarece Denise Dál-Col.

De acordo com a coordenadora, “há uma diferença entre o agir e o pensar do ser humano. As pessoas geralmente pensam em como agir, mas não necessariamente agem daquela maneira. O trabalho do projeto consiste em mostrar à pessoa que os seus sintomas, como fobias, obsessões, histerias, são resultados desse conflito entre o agir e o pensar”. A ética da psicanálise consiste em fazer com que os pacientes reconheçam os significados, as causas de seus sintomas. É incentivar a pessoa a falar e, ao mesmo tempo, ouvir, de forma que ela mesma procure a origem do problema. “A ética abordada nesse procedimento se refere a um agir que depende da concepção de que aquilo de que a pessoa se queixa tem uma causa e a causa é um conflito de duas coisas que a pessoa quer e não quer ao mesmo tempo. Não é o fato de ter obrigações, a ética é um julgamento que não é moral, que julga sob os sintomas da condição humana”, conclui a professora Denise Dál-Col.

Patrícia Silva de Souza, 23 anos, aluna do 5º ano de Psicologia da UEL, está no projeto há 3 anos e acredita que tem sido um ótimo meio para relacionar o conhecimento adquirido ao decorrer do curso.  “Realizei diversas triagens no decorrer deste ano, deparei-me com inúmeros discursos. Foi um treinamento de escuta mais analítica e ao mesmo tempo reconheci a importância de se fazer um diagnóstico e os devidos encaminhamentos”, afirma a estudante. 

A estagiária cita um caso que lhe chamou atenção nesses anos. “Uma senhora me procurou na clínica pois estava muito triste. Ofereci o espaço de escuta e ela começou a falar de suas angústias. Então ela mesma começou a fazer algumas análises e, ao final, ela me disse que muitas pessoas haviam lhe dito para não procurar a psicologia pois só serviria para falar. No entanto, era disso que ela precisava.

Créditos da foto: Isabela Nicastro

Uma resposta para Ética em psicanálise: união entre teoria e prática

  1. bields84 disse:

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