Historiador analisa período de consolidação de ditaduras em países do Cone Sul da América Latina

Projeto objetiva compreender os golpes de estado a partir da análise da participação dos grupos dominantes

O período que será estudado pelo projeto compreende desde 1964 - com o golpe de Estado no Brasil - até 1989, quando o Chile e o Paraguai recuperaram a democracia

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Deborah Vacari

O projeto “Grupos Dominantes e Ditaduras no Cone Sul da América Latina” tem como objetivo analisar e compreender a participação dos grupos dominantes – em particular das elites empresariais, políticas, intelectuais e burocráticas – na elaboração dos golpes de Estado a partir da década de 60 e também na legitimação e consolidação das ditaduras instauradas, posteriormente, no Cone-Sul (que compreende Argentina, Chile, Brasil, Paraguai e Uruguai) da América Latina. Esse projeto é coordenado pelo professor doutor Hernán Ramiro Ramírez*, do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina.

 
O professor, que já havia trabalhado com estudos dos grupos dominantes na Argentina e no Brasil, comenta que a ideia do projeto surgiu depois do término de seu doutorado. “Estendi o estudo para outros países, como o Uruguai e o Paraguai, em uma primeira etapa e, finalmente, para o Chile, país ainda menos estudado”, comenta.
 
O doutor revela que, na década de 60, os países do Cone Sul experimentaram uma crise de hegemonia, especialmente, com o aumento dos conflitos sociais urbanos e rurais. Considerando, portanto, esse motivo, os grupos dominantes tiveram que participar mais ativamente da política, para terem de volta o controle da situação. “Esses grupos propiciaram a desestabilização dos regimes democráticos. Estes que até então eram vigentes foram deflagrados em golpes de estado e, também, ajudaram a instaurar e consolidar as ditaduras militares deles decorrentes. Permitindo, posteriormente, o retorno dos regimes democráticos que não contestassem sua dominação”, afirma.
 
O professor Dr. Hernán Ramírez explica que tem trabalhado a fim de “compreender como foi a articulação dos setores dominantes com o processo de deslegitimação dos governos democraticamente constituídos, com os golpes de Estado que os derrubaram e a posterior instauração de governos autoritários”.
 
O período que será estudado pelo projeto compreende desde 1964 – com o golpe de Estado no Brasil – até 1989, quando o Chile e o Paraguai recuperaram a democracia. “Todos esses países viveram períodos autoritários dentro desse intervalo temporal (1964 – 1989), a maioria dos golpes aconteceu na década de 70, embora o caso paraguaio seja anterior, datando de 1954”, esclarece o professor.
 
O coordenador afirma que, em geral, todos os países que estavam compreendidos no Cone Sul formam um mesmo processo, mas ressalta a existência de aspectos que os caracterizavam: “peculiaridades do desenvolvimento histórico em cada um deles imprimiram características particulares que incidiram na duração e impacto desses governos autoritários. Inclusive, as atuais democracias e economias possuem limites que têm origens naquele período”, destaca.
 
A respeito dos resultados já obtidos, o professor dr. Hernán Ramírez afirma que possuem “produtos já publicados” – artigos de autoria dos pesquisadores envolvidos, no estudo, e também trabalhos apresentados pelos acadêmicos em eventos de Iniciação Científica. “Dos artigos, podemos salientar os que já foram publicados nas revistas A Contracorriente, dos Estados Unidos, América Latina en la Historia Económica, do México; algumas do Brasil, como as revistas Ponto de Vista, Notícia Bibliográfica e Histórica, Diálogos e Revista de História Oral e, em breve, será lançado outro artigo na revista Tempo e Argumento**. O professor ainda fala a respeito da parceria com a professora Dra. Marina Franco***, da Universidad Nacional de San Martín, da Argentina: “estamos coordenando um dossiê temático na revista Naveg@merica, da Espanha, e uma coletânea internacional que aglutinará 27 pesquisadores da Argentina, do Brasil, do Chile, da França, do México, do Paraguai e do Uruguai”, conclui.
 
*O professor argentino Hernán Ramiro Ramírez é licenciado, bacharel e mestre em História pela Universidad Nacional de Córdoba na Argentina. Doutorou-se em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  e realizou pós-doutorado na área de Ciência Política no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ).

** Alguns dos artigos publicados pelo professor são:

– Precursores del consenso: itinerarios de algunas ideas en Brasil y Argentina, 1961-1991. America Latina en la Historía Económica, v. 34, p. 271-298, 2010.

– Genealogias del Consenso: Brasil y Argentina. A Contracorriente (Raleigh, N.C.), v. 7, p. 186-218, 2010.

– Empresários e Politica no Brasil: O Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPÊS), 1961-1971. Diálogos (Maringá), v. 13, p. 209-240, 2009.

– Do Zócalo a Chapultepec: considerações sobre memória, política e narrativa arquitetônica monumental no caso mexicano. Domínios da imagem (UEL), v. II, p. 41-56, 2009.

– Arranjos empresariais, tecnocráticos e militares na política. Perspectivas comparativas entre Brasil e Argentina, 1960-1990. Ponto de Vista, v. 2009, p. 1, 2009.

*** Marina Franco é historiadora e tem graduação pela Universidade de Buenos Aires, mestrado pela Universidade de Paris 7 (França) e doutorado em História pela UBA e pela Universidade de Paris 7 (França). 

Créditos: http://cassimirofarias.zip.net/arch2009-03-29_2009-04-04.html

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