Bacias dos rios Tibagi e Iguaçu: suas diferenças e particularidades

Tese de doutorado pesquisa as diferenças entre as duas bacias a partir da localização, uma na zona rural e a outra na zona urbana

Pauta e Edição: Fernanda Cavassana
Reportagem: Bruna Gonçalves

O meio-ambiente, nos últimos anos, ganhou importância nas discussões e debates em todos os âmbitos da sociedade – político, econômico e social. Nesse contexto, Marcos Ferraz Monteiro, discente de doutorado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desenvolve sua pesquisa voltada para as bacias hidrográficas, em especial a do rio Tibagi, e a do rio Iguaçu. Formado em Geografia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizou a pós-graduação em meio-ambiente, o que o instigou a pesquisar recursos hídricos. Seu orientador no doutorado é o professor Ricardo Ralisch do departamento de Agronomia da UEL, formado neste curso pela mesma universidade, mestre e doutor em Energia na Agronomia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). A água, em particular, tem preocupado a todos, “pois sua qualidade piorou significativamente nos últimos anos” conta Marcos Monteiro.

Marcos Monteiro lembra a distribuição da água do planeta, muito citada nos livros, em que “97% estão nos oceanos, portanto é salgada e de difícil obtenção; 2,5% estão em geleiras e é de difícil acesso. Assim, sobra 0,5% que é a água possível de ser utilizada pelo homem, que tem que ser divida entre todo o planeta. Entretanto, é muito mal distribuída, só o Brasil tem em média um quarto dessa água”. Afirma, também, que o Paraná possui grandes reservas de água. No norte usa-se muito da água subterrânea, por causa do aquífero Guarani, já na região de Curitiba, mais a de superfície.

Marcos Monteiro diz que as pessoas se preocupam mais com a água, mas “ela não vai acabar no planeta, a quantidade é fixa, mas a qualidade dela tende a deteriorar. Um dos problemas, hoje, é o aumento da população mundial, que produz e usa muito mais água. A agricultura é um dos setores que mais a usa, a indústria também a utiliza muito” relata o doutorando. Esse grande crescimento populacional influenciará no meio, por isso “é preciso criar uma ideia coletiva de que a ela não é um bem infinito e que teremos problemas. Já temos, hoje, 1 bilhão de habitantes na Terra já sofrem com a escassez ou problema com água. A ONU acredita que por volta de 2040, mais ou menos, 3 bilhões de pessoas terão esse tipo problema”, alerta Marcos Monteiro.

Por causa dessa preocupação, Marcos Monteiro pesquisa as bacias hidrográficas em diferentes regiões, para estudar as diferenças e problemas de cada uma em particular. “A ideia do projeto é fazer essa comparação, uma bacia bem urbanizada em Curitiba, em comparativo com uma bacia bem rural aqui da região próxima à Londrina” explica.

“As bacias do meio rural e as do meio urbano têm características diferentes, geralmente as das cidades têm muita poluição dos esgotos industriais e residenciais, fora o povoamento não planejado” conta Monteiro. Apesar do nível de poluição de uma bacia hidrográfica na cidade ser muito maior, “os problemas no campo também são vários e não são fáceis de resolver. Por exemplo, tem problemas de erosão, porque se tira a mata ciliar que está beirando o rio; tem muito problema com agrotóxico, que é pulverizado nas plantas, mas acaba indo pro rio, assim afeta a qualidade da água, mortandade de peixe, fauna e outros problemas” relata.

De acordo com o pesquisador, a bacia do Iguaçu, próxima à região de Curitiba é 90% urbana. Possui uma água mais pesada, com muitos poluentes, porque na região metropolitana existem muitas indústrias petroquímicas e há vazamentos do petróleo para o rio. Todo o curso do rio é muito explorado economicamente, na medida em que sustenta quase toda a hidroeletricidade do Paraná.

Por outro lado, a bacia do Tibagi, com características rurais, começou a ser explorada recentemente, com o início da construção da usina de Mauá, perto da cidade de Telêmaco Borba, “que terá um grande impacto para a economia da região. O impacto ambiental também será grande, além dos problemas com a população ribeirinha. A margem do rio será alagada e é preciso fazer a remoção dessas pessoas e de toda a vegetação, mas existem comunidades indígenas e uma área de floresta rara no Paraná” lembra o pesquisador. Por meio do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), foi feito um levantamento dos problemas ambientais que a construção da usina iria causar e, assim, tentar minimizá-los.

Marcos Monteiro ainda explica que as leis do RIMA obrigam a retirada da vegetação da área alagada quando se constrói uma barragem de hidroeletricidade ou de captação de água, pois ela tende a apodrecer e a liberar metano, um dos gases que intensificam o efeito estufa e as chuvas ácidas, assim a tendência na construção da usina é a retirada dessa vegetação.

O doutorando ainda não possui dados estatísticos, “por enquanto estou num processo chamado de levantamento bibliográfico, então não fiz ainda os levantamentos de campo”. A previsão para a conclusão do doutorado é em 2012.

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