Imagens, corpo e mente

Norval Baitello Jr. demonstra, em palestra na UEL, algumas das faces e efeitos do mundo imagético

O Prof. Dr. Norval Baitello Jr. durante a palestra

Edição e pauta: Beto Carlomagno
Reportagem: Marcia Boroski

Espirituosa, inspiradora e enfática. Os temas abordados por Norval Baitello Júnior foram mais que pertinentes à atualidade. De passagem pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), como convidado de uma banca de mestrado orientada pelo professor da Universidade Alberto Kelin, no último dia 20, Norval Baitello Jr., doutor em Comunicação pela Freie Universität Berlin (Alemanha), ministrou uma palestra nas dependências do Centro de Edudação, Comunicação e Artes da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em que a imagem foi amplamente discutida. Além da imagem em si, o termo iconofagia também foi debatido.

Norval Baitello Jr. é especialista em semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor convidado das universidades de Viena, Sevilla, São Petesburgo e autônoma de Barcelona. O currículo extenso deu ao pesquisador sustentação suficiente para criar conceitos e, a partir deles, alertar as pessoas sobre os riscos do mundo imagético. “Não podemos nos confundir com imagens. É necessário ficar vigilante o tempo todo. O corpo dá sinais de que está sendo sucumbido às imagens e nós devemos ficar atentos. Tudo o que seda e imobiliza o corpo deve ser revisto”, atenta o professor doutor.

O estudo de Norval Baitello gira em torno do termo iconofagia e, conseqüentemente de imagens. Iconofagia é o ato de devorar ou de ser devorado por imagens. Segundo o pesquisador, a inspiração para a palavra veio do movimento cultural dos anos 20, o movimento de antropogafia. “Na era da imagem não existe antropofagia de conceitos ou de cultura, como naquela época. Existe uma antropofagia de imagens que levam ao termo iconofagia. Nós somos devorados por imagens e as imagens nos transformam em imagens e nos devoram”, explica Norval Baitello.

Dentro desse conceito, é possível identificar que estamos vivendo na Era da Iconofagia. “A partir de tudo o que se vê hoje, de como as pessoas se deixam hipnotizar pela TV, constatamos a vigência desta Era. Hoje, não existe nenhum bar ou restaurante que não possua uma televisão. Ou seja, até as nossas refeições estão sendo afetadas pelas imagens”, afirma Baitello.

Pode-se dizer que a Era da Iconofagia (também chamada de Era da Imagens) se manifesta de diversas maneiras. Norval Baitello compara o surgimento das imagens a rastros. Estes rastros seriam a forma de fugir da consciência da morte, mas também, o meio de conhecê-la. “Viver é deixar rastros. É a partir destes rastros que nós organizamos o tempo e o espaço que ocupamos. É inevitável”, demonstra o doutor.

Quando o homem passa a dominar a arte de deixar rastros, e também começa a desenvolver técnicas, ele está tornando o ato de deixar rastros algo intencional. “É uma forma de apropriar-se do futuro. Deixando marcas agora, seremos lembrados no depois, essa é a fuga da morte”, explica Baitello. O conhecimento da morte também se dá por estas marcas deixadas. “Uma fotografia tirada há 15 anos vai mostrar como envelhecemos e comprovar a aproximação da chegada da morte”, conclui.

A Era da Iconofagia acarretou conseqüências como a transposição do olhar para a frontalidade. “Antigamente, quando estávamos pendurados em árvores, olhávamos tudo que estava ao nosso redor. Hoje, olhamos exclusivamente para frente, onde está a tela”. Esse olhar se dá, geralmente, quando estamos sentados. Norval vê esse ato como algo perigoso. “A palavra sentar, vem do latim e tem dois significados. O ato real de sentar e também, sedar. Ao sentarmos na frente de uma ‘tela vazia’, estamos sedados. Visto que milhares de pessoas no mundo passam horas nesta posição, é algo que devemos nos preocupar”, alerta o pesquisador.

A pesquisa de Baitello está avançada, mas segundo o ele, novas facetas e conceitos de comunicação devem ser estudados. Para os próximos trabalhos, o professor buscou orientações na cultura japonesa. Segundo ele, eles veem a comunicação e, principalmente, a imagem, de uma forma inovadora para o pensamento ocidental. “Uma imagem não é um objeto inanimado. É uma coisa viva, que gera energia, como um dínamo. Acho que devemos seguir por estes caminhos, buscando novos referenciais, para continuar investigando a Era da Iconofagia”, afirma Norval Baitello.

Serviço
Outros conceitos e ideias do autor podem ser conhecidas por meio dos livros já publicados. Os principais conceitos proferidos na palestras estão nos livros A Era da Iconofagia (2005) e A Serpente, a Maçã e o Holograma (2010).

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