Projeto de Artes Cênicas dedica-se ao estudo da direção teatral

Embasado em textos de grandes autores, projeto tem como objetivo a encenação

A Prof. Adriane Maciel Gomes, responsável pelo projeto "Análise Ativa em Experimento de Direção Teatral"

Edição e pauta: Beto Carlomagno
Reportagem: Beatriz Botelho

Coordenado pela professora de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina, Adriane Maciel Gomes, o projeto de pesquisa em ensino “Análise Ativa em Experimento de Direção Teatral” é um projeto vinculado à disciplina de Direção Teatral da UEL e existe há quase três anos com este nome. Segundo a professora, que é graduada em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Maria, mestre em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo e atual diretora da Casa de Cultura de Londrina, o projeto se iniciou há cinco anos com o nome de “Todas as Direções” e com o fim do período determinado para o projeto, ele passou por uma reformulação e voltou com um novo nome. Em entrevista ao Conexão Ciência,  Adriane Maciel Gomes explicou sobre o projeto que coordena.

Conexão Ciência: Qual o objetivo do projeto?
Adriane Maciel Gomes:
Este projeto é vinculado com a disciplina de Direção Teatral e tem como objetivo produzir uma pequena encenação, que eu chamo de mini espetáculo ou esquete que é um espetáculo de até vinte e cinco minutos. Nosso objetivo final é concretizar a encenação e circular com o espetáculo, levá-lo para bairros, festivais, tirá-lo de dentro da universidade, pois nos interessa sempre que o resultado do projeto e a disciplina possam dialogar com outros espaços de Londrina.

Conexão Ciência: O que é Análise Ativa?
Adriane Maciel Gomes:
Análise ativa é uma metodologia de estudos de texto por meio da ação. Não é um estudo nem uma análise de texto literário. É uma metodologia de análise por meio da ação voltada para o ator, o diretor e o teatro. Ela foi criada no início do século XIX, na Rússia, por Constantin Stanislavski que é um dos maiores, se não o maior pesquisador das metodologias do trabalho do ator. No Brasil, neste modelo de análise, existe somente o trabalho da professora Nair D’Agostini, da qual fui aluna durante a minha graduação na UFSM. É este mesmo trabalho que eu e um colega, também professor do curso de Artes Cênicas, direcionamos para a disciplina de Direção Teatral.

Conexão Ciência: Como se dá o processo de direção teatral?
Adriane Maciel Gomes:
A idéia é que cada aluno escolha uma cena para dirigir e seja ator da outra cena. Assim, fazemos uma grande montagem em que todos os alunos estão envolvidos neste processo de encenação, não só como diretores, mas também como atores. Uma das coisas muito importantes que este projeto tem alcançado é o trabalho em grupo. Eu acho que não tem como fazer teatro sem trabalhar em grupo e o nosso objetivo maior é esta superação para consegui trabalhar dessa forma. E uma coisa bem interessante também é que é um trabalho de aluno com aluno. Por mais que eu coordene, a responsabilidade é só deles com eles mesmos, é o querer bem entre eles.

Conexão Ciência: Como funciona o processo de aprendizagem?
Adriane Maciel Gomes:
A cada ano eu escolho um autor e dez ou quinze obras dele. O grupo do projeto lê, escolhe a obra que eles querem encenar e nós vamos trabalhar a análise ativa nesse texto escolhido. Nós já trabalhamos, por exemplo, com Luís Fernando Veríssimo, Ítalo Calvino, Shakespeare, Mollier, Goldoni e este ano estamos trabalhando com Qorpo Santo, um autor gaucho do final do século XIX, considerado por muitos críticos como o precursor do teatro do absurdo. É um texto meio difícil, mas bem instigante. De todas as obras que eles escolheram, estamos trabalhando com dois textos “Duas Páginas em Branco” e “As Relações Naturais”.

Conexão Ciência: Quantos alunos participam do projeto?
Adriane Maciel Gomes:
Temos quase cinquenta alunos no projeto, sendo a maioria alunos do 3º ano, pois o projeto é vinculado à disciplina de Direção Teatral que é dada no 3º ano, mas temos também alunos do 1º, do 2º e do 4º sendo que estes deram continuidade aos trabalhos de direção. O aluno pode entrar no 1º ano e continuar ate o 4º, para isso ele precisar estar a fim de experimentar e trabalhar.

Conexão Ciência: No que essa experimentação ajuda os estudantes de Artes Cênicas?
Adriane Maciel Gomes:
Ela ajuda na prática e objetivamente no que eles podem oferecer para o mercado de trabalho, as possibilidades concretas que eles têm para o mercado: a primeira é a formação de um grupo, eles podem a partir desta experimentação sair com um grupo formado; a segunda é dialogar com a produção universitária e profissional frequentando os festivais não só aqui de Londrina e da região, mas de outros estados, de outras universidades, e isso tem acontecido com muitos deles; e terceira, mostrando que a direção teatral não serve somente para o teatro ou para ser diretor, mas principalmente para a organização da cena, na iluminação, no figurino, nos elementos que compõem o espetáculo, no aprimoramento estético da cena independente dele ser teatro ou música.

Conexão Ciência: Quais os resultados já obtidos com este projeto?
Adriane Maciel Gomes:
Muitas encenações, muitos mini espetáculos, muita participação em congresso, em festivais nacionais, como o de Pato de Minas, de Americana, o de Cabo Frio e o FILO em que pela primeira vez, apresentamos um resultado do projeto de direção com o espetáculo “A Megera Domada”, na Capela da UEL. Fizemos também apresentação em circuitos de instituições como o SESC Londrina, Amostra SESC de Artes Cênicas, em cidades vizinhas, em eventos em que as pessoas querem apresentação cultural e na própria UEL, em eventos promovidos pela Casa de Cultura e pela UEL, como o Londrina Amostra, Teatro e Circo. Além disso, acho que o maior resultado é a aprendizagem dos alunos, isso é o mais valioso.

Conexão Ciência: Qual é o resultado que o aluno consegue obter?
Adriane Maciel Gomes:
Para o aluno, eu acho que não é o resultado, é o grande desafio da questão do trabalho em grupo e de ser um trabalho deles com eles mesmos, não sou eu que vou chegar lá e resolver a cena deles, são eles que têm uma cena pra dirigir e uma cena para atuar, então, o projeto é coordenado por mim, mas ele só anda porque eles estão lá, é um projeto para eles, só para eles.

Conexão Ciência: Para você, como coordenadora, o que é mais gratificante nesse projeto?
Adriane Maciel Gomes:
O mais gratificante para mim é saber que eles estão a fim de fazer e que a cada dia eles querem superar um desafio. Fazer teatro não é só uma questão de resultados artísticos, pois se não houver o amadurecer enquanto indivíduo, o fazer artístico não vai acontecer também. Eu vejo as crises todas, vejo do bom ao ruim, é muito bom ver a superação das dificuldades, eu os vejo crescendo como indivíduos e isso é gratificante. É um amadurecimento da própria arte que eles escolheram para fazer.

Conexão Ciência: Quais os planos para o futuro do projeto?
Adriane Maciel Gomes:
Enquanto eu estiver na UEL, eu acredito que nunca. Enquanto eu estiver à frente dessa disciplina que é a minha área de atuação, vamos seguindo em frente.

Crédito foto: Beatriz Botelho

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