(Re)educação sexual pauta os debates desenvolvidos no GEES

Grupo de estudos busca quebrar tabus e preparar profissionais de diversas áreas para trabalharem com questões ligadas à educação sexual

Ao longo de seis meses, o GEES busca trabalhar a educação sexual sob vários aspectos, desde a questão histórico-cultural da sexualidade até temas polêmicos, como o aborto.

Edição: Beto Carlomagno
Pauta e reportagem: Lucas Marcondes

Sexo é um tema polêmico na sociedade. Por incontáveis vezes, a conversa é desviada se tocam no assunto. Por outras, falar sobre o tema nada mais é do que motivação para piadas. Boa parte das pessoas ainda é receosa em debatê-lo. Seja por motivações ideológicas, religiosas e culturais, sexo ainda é tabu. Mas, como debater a sexualidade humana sem esbarrar nos lugares comuns e falsos conceitos? Poucos são o que conseguem – e um projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é um deles. Homofobia, aborto, gravidez na adolescência, masturbação. Isso tudo é material para estudo e debate.

O Grupo de Estudos sobre Educação Sexual (GEES) é ligado ao Departamento de Psicologia Social, que faz parte do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Criado em 1995 pela Professora Doutora Mary Neide Damico Figueiró, a iniciativa tem como objetivo preparar profissionais para lidar com temas relacionados à sexualidade humana. A Professora Mary Neide Figueiró, que é a coordenadora do Grupo, revela que o interesse pelo estudo da sexualidade sempre esteve presente em sua vida acadêmica. Ela diz que, ao terminar seu mestrado em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo (USP) – posteriormente, conclui, também pela USP, seu doutorado em Educação -, quis desenvolver com professores e educadores trabalhos longos que lidassem com a educação sexual. Ao procurar por projetos semelhantes em Londrina, a Professora revela não ter encontrado nada. “Verifiquei que só havia cursos pontuais, que duravam dez horas ou um dia inteiro”, aponta. Ela revela ter criado o GEES pela necessidade de trabalhar com o tema de um modo mais sistemático e duradouro.

Inicialmente, apenas professores e educadores procuravam pelo GEES. A precursora da ideia revela que, nos últimos seis anos, houve um aumento de profissionais de outras áreas no Grupo. Profissionais da área da saúde, assistentes sociais, jornalistas e escritores já passaram pela equipe de estagiários do 5º ano de Psicologia coordenados pela Professora Mary Neide Figueiró. “Pelo momento histórico em que passamos, e também graças ao incentivo do Governo Federal em debater a educação sexual, os profissionais se sentem mais a vontade em trabalhar essa temática em seus ambientes de trabalho”, comenta a psicóloga. Célio Camilo, professor de Biologia do Ensino Fundamental e Médio, indica as mudanças ocorridas na sala de aula ao ingressar no GEES. “Trabalho constantemente a educação sexual em sala de aula, e até mesmo com os demais professores, para resolver situações de conflito”. Camilo revela que decidiu participar por necessidade própria. “Precisava rever os preconceitos que tinha incrustados em mim”.

Com a aposentadoria planejada para o final desse ano, a Professora Mary Neide Figueiró não quer que o trabalho realizado pelo GEES acabe. Na polêmica envolvendo as pulseirinhas do sexo na cidade, a promotora da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Edna de Paula, tomou conhecimento das atividades desenvolvidas pelo Grupo e, segundo a Professora, pretende buscar verbas junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para a continuidade do projeto, que prevê uma etapa inédita de acompanhamento dos que já passaram pelas salas do GEES.

Mas, se depender do interesse de Kenia Pinheiro, estudante do 5º ano de Psicologia da UEL e estagiária do GEES, e Elisangela de Pádua, recém-formada em Psicologia, a sexualidade humana tem um grande campo a ser explorado. Ambas revelam interesse em continuar pesquisando e trabalhando na área. Segundo elas, o GEES teve considerável importância nessa decisão. Ambas afirmam que a sexualidade e a educação sexual merecem uma ampla investigação. A Professora Mary Neide Figueiró concorda com a afirmação, e complementa, “só o GEES não basta. É muito importante que os profissionais tenham o apoio e o espaço necessário para discutir e relatar suas dificuldades quanto à sexualidade e à educação sexual”.

Crédito imagem: Google Imagens

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