A importância da atividade física para jovens cegos

Estudo analisa jovens com deficiência visual e busca alertar e direcionar pais e professores

A professora Dra. Márcia Greguol, que coordena o projeto

Edição: Tatiane Hirata
Pauta e Reportagem: Deborah Vacari

Coordenado pela professora doutora Márcia Greguol* – graduada em Esporte pela Universidade de São Paulo, mestre e doutora pela Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo –, o projeto “Análise longitudinal da aptidão física voltada à saúde de adolescentes cegos no município de Londrina”, do Departamento de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Londrina, tem o intuito de obter informações a respeito do condicionamento físico de jovens cegos no município de Londrina. O estudo é desenvolvido no Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (ILITC) e na Escola Estadual Hugo Simas, juntamente com dois professores doutores colaboradores: Abdallah Achour Junior** e Rosangela Marques Busto*** e a discente Bruna Barboza Seron.

“Os quatro componentes considerados da aptidão física voltada à saúde para evitar, no futuro, doenças hipocinéticas – doenças provocadas pela falta ou pela redução da quantidade de movimento – são a resistência cardiorrespiratória, composição corporal, resistência muscular localizada e a flexibilidade”, ressalta a professora. Ela explica que a análise desses componentes, no início, estava sendo feita com 20 estudantes adolescentes do sexo masculino que possuem idades entre 10 e 16 anos. Hoje, são 18 os avaliados.

De acordo com a doutora Márcia Greguol, os adolescentes com deficiência têm uma maior tendência ao sedentarismo pela falta de estímulo e até pelo desconhecimento dos pais de que esse jovem pode praticar atividade física. “Esses jovens tendem a uma passividade motora causada, muitas vezes, pela insegurança de sair de casa. E os pais, em alguns casos, não sabem que o filho pode fazer exercício ou esporte, até pela, pouca divulgação na mídia”, afirma.

Os resultados obtidos são comparados com o ideal para alertar e direcionar pais e professores, afirma a coordenadora do projeto. “O IMC (índice de massa corporal) ideal, por exemplo, é comparado ao resultado do jovem. Mostramos, então, essa diferença, ressaltando qual a flexibilidade que ele deveria ter. Passamos esses resultados para os pais e para o professor de educação física para, realmente, alertá-los”. A esse exemplo, segundo a doutora, uma das capacidades que teve mais prejuízo, além da resistência cardiorrespiratória foi a flexibilidade pela tendência dos deficientes visuais andarem rígidos, o que pode causar uma série de problemas posturais no futuro, sendo assim, esse jovem deve buscar um programa para desenvolver essas capacidades.

A coordenadora Márcia Greguol destaca que o projeto foi apresentado em congresso. O resultado parcial foi publicado como forma de artigo e esses estudos tornaram-se, também, capítulos de livros. Existe ainda expectativa de que o estudo seja apresentado no Congresso Brasileiro de Atividade Motora Adaptada – organizado pela Sociedade Brasileira de Atividade Motora Adaptada – e no Congresso Latino Americano de Pediatria. A professora destaca a importância de levar os conceitos do projeto não somente para congressos correlacionados com o tema, para que haja, assim, maior integração entre outras áreas.

Márcia Greguol conta que o projeto motivou outro maior que terá início em 2011, no qual serão avaliadas, entre pessoas com deficiência, quais são as barreiras percebidas para se praticar exercícios. “As barreiras existentes não são só arquitetônicas, mas também pessoais. Serão também comparadas as realidades das regiões norte e sul do país”, conclui.

 *Márcia Greguol possui livros publicados na área de atividade física adaptada são eles: “Atividade Física Adaptada – qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais” (2005) e o mais recente “Natação adaptada: em busca do movimento com autonomia” (2010), ambos publicados pela Editora Manole

** Possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado também nessa área pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutorado pela Universidade de São Paulo.

*** Graduada em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina, especialista em Educação Especial pela Universidade Estadual de Londrina é mestre em Educação Estudios Avanzados pela Universidad de Extremadura e, pela mesma universidade, doutora em Ciências da Educação.

 
Créditos da foto: Arquivo Conexão/Renan Cunha
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