Projeto avalia qualidade dos cafés comercializados

Pesquisa destaca quais são as impurezas e qual a porcentagem existente nos cafés torrados e moídos que estão no mercado

O projeto tem o objetivo de avaliar o teor de impurezas encontrado no pó de café

Edição: Tatiane Hirata
Pauta e Reportagem: Rosana Reineri Unfried

Desde 1989, a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). vem atestando a pureza dos cafés colocados no mercado com um selo impresso no rótulo do produto. No entanto, segundo a professora e pesquisadora do departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina, Dra. Suzana Nixdorf, apesar desse cenário ter mudado muito desde então, ainda não atingiu um nível satisfatório. A professora explica que ainda não existe uma metodologia no mercado capaz de avaliar com precisão quais são as impurezas presentes no café e qual a sua porcentagem.

Com objetivo de avaliar esse teor de impurezas e suas quantidades, foi criado o projeto “Quantidade de Amostras de Café Torrado Comerciais Avaliadas Empregando os Teores de Carboidratos”, coordenado pela professora Dra. Suzana Nixdorf, que possui graduação e especialização em Química pela UEL, mestrado em Química pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), doutorado em Química (Físico-Química) pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado também em Química pela Universidade de Castilla La Mancha/Espanha.

O projeto conta com a colaboração de estudantes da UEL: Francys William Massura, graduando em Química, que atua em projetos do Laboratório de Desenvolvimento de Instrumentação e Automação Analítica (Laboratório DIA) e é bolsista de iniciação científica pela CNPq; Elis Daiane Pauli, Bacharel em Química pela UEL e mestranda em Química dos Recursos Naturais; e Julia Estéfane Martins de Abreu, também graduanda em Química.

A coordenadora Suzana Nixdorf explica que obteve as amostras de café torrado e moído avaliadas junto à ABIC e que nelas foram encontradas concentrações de centeio, café, soja, triticale, milho, trigo entre outros, considerados impurezas, uma vez que não são café e estão sendo comercializados como tal. A análise de pureza, segundo a professora, é feita por meio de cromatografia líquida de troca aniônica de alta eficiência (HPLC – HPAE) acoplada à detecção pulso amperométrica, método em que, segundo ela, se faz uma espécie de impressão digital de cada matriz (milho, café, trigo, etc.), de acordo com a quantidade de açúcares (carboidratos) que cada uma possui. A doutora acrescenta que quando se compara o gráfico das amostras com o do café puro é possível saber qual a impureza presente e qual a sua quantidade, de acordo com a variação de manitol, arabinose, glicose, frutose, xilose, galactose e manose existente no gráfico . “O milho e o trigo, por exemplo, possuem alto teor de glicose. Então, se fizermos uma amostra em que a glicose se sobressai em comparação com o gráfico em que existe café puro, podemos concluir que existe milho ou trigo no meio daquele café analisado. A partir daí, a pesquisa se concentra nas porcentagens. Dependendo da análise desses gráficos, pode-se concluir o que está interferindo na qualidade do café e qual é a sua porcentagem”, acrescenta.

Dra Suzana Nixdorf conta que a ABIC tem muito interesse em que essa metodologia seja realmente eficaz, pois isso vai ajudar na fiscalização e na melhoria da qualidade do café que chega à mesa do consumidor. A coordenadora acrescenta ainda que a população tem uma parcela de culpa neste processo, uma vez que está mais interessada em preço do que em qualidade, o que estimula o comércio de café de qualidade duvidosa. Porém, ela afirma acreditar que, depois que for implementada essa metodologia, capaz de identificar as impurezas e suas concentrações, “as empresas pensarão duas vezes antes de se arriscar em fazer a adulteração”.

A professora Dra. Suzana Nixdorf destaca que o malefício que a adulteração do café pode trazer ao consumidor, além do fato de o sabor da bebida com impurezas ser diferente do sabor dela pura, é o fato de que o consumidor está sendo lesado. “O café puro possui diversos benefícios. Quando se consome um café adulterado, deixa-se de ter acesso a esses benefícios. O café adulterado não chega a fazer mal, mas a pior coisa é ser enganado”, conclui.

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