Pesquisa objetiva desenvolver novos testes psicológicos

Projeto do Centro de Ciências Biológicas da UEL busca ampliar a variedade de testes para estudantes e idosos

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Paola Moraes

Os primeiros indícios de construção de testes psicológicos datam em 1890 com o biólogo inglês Francis Galton que acreditava na avaliação da aptidão humana por meio de medidas sensoriais como o tato e o som. Desde então, esse recurso para avaliação de determinados comportamentos humanos passou por grandes aperfeiçoamentos e fases de popularização e esquecimento¹. Pesquisadora sobre o assunto, a professora Katya de Oliveira, graduada e mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco (USF) e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), decidiu trabalhar nos estudos sobre essa forma de avaliação psicológica na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Aliando suas duas áreas de estudo, Psicologia educacional e Psicometria, a doutora organizou o projeto de pesquisa denominado “Construção e validação de escalas e medidas psicológicas: focando a avaliação psicoeducacional e avaliação de idosos”. Tendo como objeto de estudo alunos de ensino regular infantil, fundamental, médio e superior e idosos asilares e não-asilares, o projeto pretende formular testes que avaliem atitudes de leitura, estratégias de aprendizado e motivação para ensino, condições de estudo e leitura para o primeiro grupo e qualidade de vida e comportamento autônomo e ajustamento afetivo e emocional para o segundo.

A doutora Katya de Oliveira explica como se dá o processo de construção de um teste psicológico. “Antes de tudo, é preciso pedir permissão ao Comitê de Ética para realizar a pesquisa, já que estamos trabalhando com seres humanos”. Com a permissão do Comitê, é necessário formular o teste com perguntas e opções de respostas objetivas. “Antes de fazer as coletas com os grupos pesquisados, é preciso enviar os testes e o referencial teórico da pesquisa um grupo de juízes, que são pessoas especialistas no assunto que estou abordando”, explica a pesquisadora. Esses juízes avaliam a validade de conteúdo do material criado. Para que os testes possam ser utilizados, cerca de 80% de suas perguntas devem ser consideradas boas pelos juízes.

Com os testes aprovados pelos juízes, é preciso fazer uma validação semântica com os itens a serem perguntados. A psicóloga expõe como ocorre essa etapa: “Eu seleciono 10% da minha amostra, ou seja, 10% do grupo que estou pesquisando e confiro se eles entendem o que estou perguntando. Se não, é necessário fazer mudanças na escrita da minha pergunta”. Com a avaliação positiva, os pesquisadores partem para a parte prática da pesquisa: a coleta, ou seja, a realização dos testes com os grupos escolhidos.

“Como os testes elaborados aqui são construídos com base em escalas e materiais já validados, como a escala Beck, fazemos a análise da coleta para descobrir se o teste nos levou ao que desejávamos”, analisa a doutora Katya de Oliveira. Contudo, o processo não termina aqui. É necessário refazer os testes depois de certo tempo com o mesmo grupo e obter respostas relativamente semelhantes para constatar a relevância e consistência dos resultados obtidos, sua fidedignidade.

O projeto de pesquisa que mantém ligações com instituições de Ensino Superior de São Paulo e Minas Gerais também pretende investigar as diferenças culturais entre a população analisada. “Quando queremos fazer uso de testes psicológicos estrangeiros, precisamos fazer uma validação cultural antes, dessa forma com o Brasil, que é um país tão amplo, também queremos checar as adaptações para cada estado”, explica a doutora. Com a conclusão da pesquisa, a pesquisadora afirma que os testes serão disponibilizados para os profissionais clínicos e estudiosos que os solicitarem e divulgados em periódicos científicos, artigos e congressos. “Não comercializaremos os testes, pois este não é nosso objetivo”.

Segundo a professora, a área de Avaliação e Testagem Psicológica tem sido esquecida e possui um atraso de cerca de 30 anos no Brasil. “Ao terminar a construção destes testes, iniciarei a construção de outro e depois outros. Precisamos de mais estudos e conquistas.”, constata. A doutora Katya de Oliveira ainda reforça: “Há muitos profissionais que excluem os testes por acharem que eles classificam as pessoas, quando, na verdade, os testes servem para encontrar pequenas evidências de um comportamento e auxiliar diagnósticos clínicos”.

¹ Informações retiradas do site http://www.algosobre.com.br/psicologia/os-testes-psicologicos-e-as-suas-praticas.html

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