Projeto estuda espécies de leguminosas que podem substituir os defensivos agrícolas sintéticos

“Os defensivos orgânicos são menos tóxicos e mais baratos” afirma a professora doutora Terezinha de Jesus Faria

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Edson Vitoretti
Reportagem: Bruna Gonçalves

O projeto “O estudo de leguminosas visando o controle de parasitose animal e agrícola”, do departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estuda certas espécies de leguminosas e seus compostos químicos, com o objetivo de poderem substituir os defensivos agrícolas sintéticos.

A professora doutora Terezinha de Jesus Faria estuda três dessas espécies — Cássia leptophylla (Falso-barbatimão), Ingá marginata e Tipuana tipu (Amendoim-acácia), todas encontradas no próprio campus da UEL – com esse intuito. “Uma das vantagens é que eles se decompõem mais facilmente no ambiente e são menos tóxicas” afirma.

Dra Terezinha Faria é graduada em Farmácia Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestra e doutora em Química pela mesma universidade e atualmente é docente da UEL. Realiza a pesquisa em parceria com professores das áreas de agronomia, biologia e veterinária.

“O estudo começou com os pesquisadores do departamento de Agronomia da UEL. Nós trabalhamos em colaboração, coletamos as plantas, preparamos os extratos. Além disso, dois professores de Agronomia fizeram os testes de inseticida e de alelopatia, que é para inibir a germinação de plantas daninhas” conta a professora doutora.

De acordo com a pesquisadora, os pesquisadores do departamento de Química procuram substâncias que possuam atividades fungicida, inseticida, alelopática e anti-helmíntico, tratar verminoses em ovinos. “Todas as plantas, em geral, produzem substâncias para defesa própria, contudo eles têm interesse nas leguminosas por causa dos taninos” afirma.

A professora conta que o problema com os defensivos sintéticos começa na aplicação, pois o trabalhador não possui a proteção necessária e se contamina. Além de contaminar rios, que espalham para cidades longe das culturas, mananciais e o próprio consumidor. Os pesquisadores do departamento de Química já realizaram o estudo químico preliminar da Cássia leptophylla, estão terminando tanto os testes biológicos como os estudos sobre os taninos. Estão no início do estudo químico da Ingá marginata e ainda não estudaram a Tipuana tipu.

“A primeira planta que a gente estudou foi a Cássia leptophylla e nela encontramos, na parte apolar, poucas substâncias e só estudamos essas substâncias por enquanto. Dentro das apolares, a gente encontrou a antraquinona, composto que tem bastante atividade, como contra bactérias, fungicida e anti-cancerígena. Agora, nosso interesse é estudar a parte polar, que são os taninos, mas ainda não temos resultados” explica a professora.

“Taninos são polímeros de compostos fenólicos condensados, a parte mais polar do extrato, são mais complicados de purificar e identificar, em comparação com as partes menos polares. Por causa disso, eles não eram estudados antigamente, mas, hoje, já é possível identificá-los e estamos estudando sua composição química” esclarece a Dra Terezinha Faria.

Ainda, segundo ela, os defensivos orgânicos são mais viáveis economicamente, o problema está na formulação, “nós descobrimos alguma substância que possui atividade, mas não conseguimos fazer a formulação para a aplicação”. A pesquisa exige muitas parcerias, há equipes nas áreas química, biológica e agrônoma, entretanto não há uma para a formulação.

“As culturas são muito atacadas por pragas e parasitas, o Brasil importa muito agrotóxico e há um gasto muito grande com isso, mas o maior problema é o ambiental. O objetivo final da pesquisa é conseguir um defensivo menos tóxico e mais barato” conclui Terezinha de Jesus Faria.

Os estudos sobre a Cássia leptophylla estão previstos para finalizar ainda esse ano. Já a Ingá marginata, a previsão é para o meio de 2011.

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