As imagens anarquistas como foco de um projeto científico do Departamento de História

Projeto procura mostrar o anarquismo e seus ideais através da arte visual gráfica gerada pelo movimento

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Ana Karla dos Santos Teixeira

O projeto “Arte Gráfica Visual na Imprensa Anarquista (1901 – 1927)” tem por objetivo analisar a arte gráfica na imprensa anarquista no período delimitado e tem como responsável o doutor Alberto Gawryszewski, que é bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense, mestre também em História pela mesma Universidade, doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo e pós-doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Além disso, Gawryszewski é graduado em Direito pela Universidade Norte do Parana. A escolha deste período aconteceu pois, em meados da década de 30, o anarquismo já estava em decadência em função do partido comunista, para o qual vinha perdendo membros e, com isto, surgiram jornais comunistas que enfraqueceram mais ainda o movimento anarquista. “Alguns jornais anarquistas vão até 54, mas o boom dos jornais deste movimento vai até 29. Além de tudo, este período (1901 – 1927) é o mais compatível com fontes imagéticas para estudo”, conta o doutor Alberto Gawryszewski.

Segundo o professor, “o movimento anarquista é ao mesmo tempo uma ideologia e uma proposta de sociedade. Esta ideologia se volta contra o Estado e contra qualquer tipo de poder, seja ele exercido pelo poder executivo, legislativo, pelas escolas, pelas religiões. Para os anarquistas, todos esses poderes combatem a individualidade e, o que o movimento anarquista busca, é defender o individualismo. Apesar de cada um ser uma pessoa, um indivíduo, o Estado e a igreja acabam por impor comportamentos iguais para todos. Não se pode fugir do que é imposto: sempre existe uma repressão contra aquilo que é diferente”, como comenta o professor Alberto Gawryszewski. Ao contrário do capitalismo, no movimento anarquista a produção seria apenas para atender às necessidades, sem produzir nada que seja desnecessário, nada que sobre e com isso, todos teriam casa, comida, roupas e ninguém iria se impor sobre ninguém.

Alberto Gawryszewski afirma que imprensa anarquista se mantinha com muito custo, porque o movimento não era organizado como o comunismo, por exemplo. E, além da falta de organização, existia a falta de dinheiro. Por estes motivos os jornais anarquistas eram muito irregulares, com até três meses de diferença entre as suas publicações. Mas o verdadeiro foco do projeto são as imagens. “As imagens são em preto e branco, boa parte delas é estrangeira e poucas são assinadas, além disso, existe nelas um caráter de destruição do mundo capitalista. O anarquismo é geralmente representado por um operário – muito forte e idealizado ou franzino e com sinais de uma pessoa que passa fome – ou uma mulher”, afirma Gawryszewski. Em se tratando do operário, “eles sempre aparecem com grilhões arrebentados nos pulsos – sinal de que conseguiu se libertar do capitalismo e das opressões – ou com eles ainda presos. Já os burgueses – o capitalismo – e os padres – a igreja – são representados acima do peso, mas isto ocorre principalmente quando se trata dos burgueses, para mostrar a fartura que eles têm à mesa enquanto outros passam fome. E, todas essas informações contidas em imagens eram importantes, pois grande parte da população era analfabeta ou era formada por estrangeiros que não sabiam o português”, conta Alberto Gawryszewski.

O projeto “Arte Gráfica Visual na Imprensa Anarquista (1901 – 1927)” busca analisar o que, para o professor coordenador, é uma vertente pouco estudada no meio acadêmico. “Eu venho colaborar com essa ideia de mostrar a imagem como um importante instrumento para o anarquismo e compreender as mensagens que o anarquismo passava através delas”, diz o doutor Alberto Gawryszewski. E uma das ideias adotadas por ele para este projeto foi a de popularizar a pesquisa. Com o patrocínio da Petrobrás, foi possível montar uma exposição com 80 imagens, além de fazerem a publicação de um livro e um CD com vídeos do anarquismo. A exposição é montada todos os anos e levada para as escolas, onde são distribuídos os livros e os CDs. No entanto, isto é aliado ao caráter científico, porque outras ideias adotadas é a preservação destas imagens anarquistas.

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