Bacia do Ribeirão Taquara é objeto de estudo de projeto científico do departamento de Geografia da UEL

A preocupação com a preservação e a conservação das bacias hidrográficas, permitiu que cinco delas fossem estudadas Município de Londrina

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Beatriz Botelho

O meio ambiente passou a ser uma preocupação em todo o mundo*.  As preocupações em relação a ele tem sido as mais diversas como a separação de lixo orgânico e reciclável, a redução da emissão de gás carbônico, a preservação dos rios e de suas matas ciliares, entre outras. O Conexão Ciência falou com o professor doutor colaborador do projeto, Osvaldo Coelho Pereira Neto, graduado em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina, mestre em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos e doutor em Agronomia pela UEL. É sobre a relação de preservação que a professora Nilza Aparecida Freres Stipp, graduada em Geografia e Estudos Sociais pela Universidade de São Paulo Campus de Botucatu, mestre em Solos e Nutrição de Plantas pela USP e em Geografia Física pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus de Bau e doutora em Solos e Nutrição de Plantas pela USP, desenvolve a alguns anos projetos de preservação dos ribeirões do município de Londrina. Quatro projetos científicos já foram realizados com as bacias do Ribeirão Cafezal, do Ribeirão dos Apertados, do Ribeirão Marreca e do Ribeirão Jacutinga. Atualmente, ela coordena o projeto “Recuperação e preservação da bacia hidrográfica do Ribeirão Taquara no município de Lindrina-PR”.

Segundo o professor doutor Osvaldo Coelho Pereira Neto, o Ribeirão Taquara tem cerca de quarenta quilômetros de extensão, sendo um dos maiores a cortar o município de Londrina. Ele nasce na cidade de Apucarana, passa pelos distritos de São Luiz, Irerê, Paiquerê, Guaravera e Lerroville e tem sua foz no Rio Tibagi.

A situação do Ribeirão Taquara, de acordo com o doutor Osvaldo Pereira Neto, é crônica e está presente em todos os ribeirões da região: falta mata ciliar, há muito lixo jogado nas beiradas, principalmente perto dos centros urbanos do município e também nos distritos. E ainda, segundo ele, todas as bacias do município apresentam um padrão de desleixo ambiental. “Há muita poluição no Ribeirão. Nos centros urbanos tem-se o despejo de efluente industrial e química pesada que vai para o córrego. Além disso, resto de construção, pneu, tudo o que se pode imaginar se encontra.  Na área rural, o grande problema são os agrotóxicos e o descarte de embalagem desses produtos”, afirmou o professor colaborador do projeto.

O professor Osvaldo Pereira Neto afirmou que o objetivo principal do projeto é mapear as fragilidades ambientais que existem na bacia do Ribeirão Taquara. “As fragilidades ambientais são os pontos onde se tem problemas de poluição, problema de má conservação de micro bacia e erosão”, explicou o colaborador.

Os materiais utilizados para o projeto, segundo Osvaldo Pereira Neto, são imagens do satélite CBERS** para fazer o mapeamento do uso do solo e mapas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para fazer estudo das curvas de nível e calcular declividade do terreno. Une-se depois as imagens com os mapas do IBGE nos sistemas de informação geográfica. Esses sistemas são softwares, sendo o mais utilizado o SPRING***, com a função de aglutinar diversos tipos de dados como imagem de satélite, mapas vetoriais¹, todos georefenciados com localização de latitude e longitude. Ao desenhar o mapa e saber essas localizações, consegue-se medir distâncias, tamanho de área, entre outras informações.

O colaborador afirmou que foi feito o mapeamento para achar os pontos problemáticos do Ribeirão. Nesses pontos, a declividade estava muito acentuada devido à área de cultura, “o que não deveria estar acontecendo”, confirmou o doutor. Para que o projeto se desenvolva efetivamente, o professor doutor Osvaldo Pereira Neto conta que será necessário fazer uma visita aos proprietários rurais, tentar conversar com eles e mudar a situação. “A partir de outubro, tentaremos conscientizar os proprietários rurais para não continuarem fazendo o que está causando um mal para eles próprios. Uma das coisas que a gente pode fazer, depois dos resultados obtidos, é passar esse material para a EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), um órgão governamental que tem a função de fazer assistência técnica agrícola aos proprietários rurais. Nós trabalhamos no projeto, mas não temos contato direto com os proprietários rurais, enquanto que o pessoal da EMATER tem”, afirmou o colaborador do projeto.

Segundo o doutor Osvaldo Coelho, a intenção é, após o término do estudo do Ribeirão Taquara, estudar os ribeirões da Barra Funda e, em seguida, o Apucaraninha, e, depois de analisar todas as bacias do município de Londrina, produzir um livro com as informações coletadas.

* http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/ecologia/home.html

** satélite brasileiro em convênio com a China
http://www.cbers.inpe.br

*** Software nacional e seguro
http://www.dpi.inpe.br/spring/portugues/index.html

¹O formato VETORIAL (ou numérico) dos mapas normalmente é constituído de um arranjo de coordenadas numéricas e mnemônicos (dados utilizados para facilitar a compreensão) que tratados por funções gráficas específicas transformam-se em elementos gráficos pontuais, lineares e areais em sua representação em um dispositivo de saída.
http://www.esteio.com.br/produtos/paginas/Prod-Midi.htm

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