Qualidade de vida na aposentadoria

O projeto de psicologia social visa preparar as pessoas que estão perto de se aposentar, criando, com elas, possibilidades de atividades para esta fase da vida

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Lígia Couto Gomes

O professor Sebastião Ovídio Gonçalves, graduado em psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre em psicologia organizacional do trabalho pela Pontifícia Universidade Católica do RS (PUC-RS), falou com o Conexão sobre o projeto que coordena: “Envelhecimento, trabalho e tempo livre: Elaborando projetos de vida”. Prestes a se aposentar e a passar a coordenação do projeto para a professora colaboradora Aurora Aparecida Fernandes, o professor nos explica alguns pontos importantes do desenvolvimento deste projeto.

Conexão Ciência: Como se deu o início do projeto?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Quando a minha mulher – a professora e colaboradora do projeto Aurora Aparecida Fernandes – se aposentou, sentiu que estava despreparada para ter se aposentado e resolveu voltar à universidade e criar este projeto para atender pessoas que estavam próximas da aposentadoria.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do projeto?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Dar assistência às pessoas que estão prestes a se aposentar, pois elas se sentem meio perdidas nesta época, acabam sendo isoladas pela sociedade e principalmente pelos mais jovens. As pessoas estão se aposentando muito cedo, devido à vitalidade que o aumento da expectativa alta de vida trouxe, por isso as pessoas criam uma fantasia sobre a aposentadoria. Então, criamos oficinas que levam a pessoa a pensar seriamente e vivenciarem, também, aquilo que ela pode e quer fazer quando se aposentar.

Conexão Ciência: Como são feitas as reuniões?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Vamos numa empresa ou num grupo de pessoas, marcamos os objetivos e discutimos os temas específicos do que eles sabem e entendem de aposentadoria, o que pensam em fazer quando se aposentarem. Cada caso é um caso. Fazemos  toda uma sistematização para trabalhar com as pessoas. Depois que a pessoa decide o que quer fazer nós damos a assistência para aquilo. Por exemplo, se alguém quer ter uma horta, levamos alguém lá que saiba explicar e ajudar a criar uma horta, se alguém quer abrir uma escolinha, levamos alguém que possa auxiliar neste trabalho, é assim que funcionam as oficinas desenvolvidas a partir das reuniões.

Conexão Ciência: Para quem é destinado este projeto?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Oferecemos o trabalho para empresas e também para grupos de 6-10 pessoas que queiram participar do projeto. Quem se mostra interessado, um aluno vai lá e monta o programa para aquele grupo.

Conexão Ciência: O que acarreta o aumento da expectativa de vida dos brasileiros?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: A gente pode até não perceber mas é o aumento de renda, a medicina evoluiu, as pessoas têm mais consciência das coisas e se alimentam melhor, fazem mais exercícios físicos e também o fato de que o Brasil é privilegiado por não ter tantas dificuldades no clima , tudo isso colabora para o aumento da expectativa de vida.

Conexão Ciência: Qual é a diferença do aposentado de hoje e do passado?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: No passado o aposentado era definitivamente um aposentado. Hoje já não. O aposentado hoje é uma pessoa bem mais ativa. Nas famílias, mesmo onde o salário é mais escasso, o aposentado é quem acaba sustentando a sua casa. Hoje, também, o aposentado é muito bem visto dentro de empresas, pois, por mais que a máquina (entenda computadores) faça muita coisa, muitas vezes é preciso aquela pessoa que entende das coisas além das máquinas. As empresas hoje veem a necessidade das pessoas que têm experiências e conhecimento acumulado, além dos técnicos de tudo. Pessoas de 55, 60 anos podem oferecer um retorno muito bom às empresas e a sociedade hoje.

Conexão Ciência: O que os aposentados mais fazem hoje, quais são os desejos deles?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: A pessoa que trabalha numa grande empresa e que se prepara para a aposentadoria, quando sai daquela empresa, acaba desenvolvendo um trabalho autônomo daquilo que fazia. Existem hoje muitas associações que complementam o salário do aposentado e isso é muito bom. Já os que não têm essa sorte sofrem, pois quando as pessoas se aposentam a tendência é o salário diminuir.

Conexão Ciência: O que fazer com o tempo livre fora do mercado de trabalho?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Muitas vezes as pessoas não sabem o que fazer com o tempo livre, para esse tipo de aposentado precisamos colocar a possibilidade de fazer aulas de dança, uma pintura, trabalhos voluntários, algo que ele se sinta bem.

Conexão Ciência: Quais são os benefícios físicos e psicológicos da realização do projeto de vida?
Prof. Sebastião Ovídio Gonçalves: Percebemos que as pessoas que freqüentam a nossa reunião e estão sendo preparadas, conseguem lidar muito melhor com as dificuldades e com as mudanças. As pessoas que não sabem como controlar isso se estressam facilmente, criam problemas dentro de casa, acham que a vida perdeu o sentido e com isso, até adoecem.
Quando um trabalho com um grupo se conclui e ouvimos aqueles que participaram, os testemunhos são muito otimistas e a maioria entende realmente a importância do projeto de vida, o planejamento do tempo livre após a aposentadoria.

 

Crédito Imagem: Arquivo Pessoal

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