Pesquisa propõe novos métodos de ensino da educação física nas escolas

Projeto do Departamento de Estudo do Movimento Humano da UEL procura novas maneiras para lecionar a disciplina de educação física nas escolas

Edição: Fernanda Cavassana

Pauta: Beatriz Pozzobon

Reportagem: Amanda Vaz Tostes

“Há algum tempo, aproximadamente vinte anos, a visão tecnicista da educação física foi superada na literatura. Na prática, isso ainda é muito forte. Nós vemos escolas, professores, transformando as suas práticas em atividade física como se o ambiente escolar fosse um campo de treinamento ou uma academia de ginástica.”- é o que declara José Augusto Victoria Palma, graduado em Licenciatura em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre e doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). José Augusto Palma é professor associado da UEL, onde atua na graduação em Educação Física – Licenciatura e como Professor Permanente no Programa de Mestrado em Educação na Linha Docência: saberes e práticas. Doutor Palma coordena o projeto “Teoria dos campos conceituais e o ensino na educação física: uma contribuição pedagógica”.

Segundo o professor doutor José Augusto Palma, todas as diretrizes curriculares nacionais, desde 1999, e especialmente a que foi aprovada em julho deste ano, apontam para a educação física como área do conhecimento. O pesquisador afirmou que a visão tecnicista foi feita para o estudante do período entre o pós-guerra e o pré-revolução industrial e é inadequada para o estudante do início do século XXI. “Fazia-se a preparação física das crianças para que elas tivessem condicionamento físico e, posteriormente, enfrentassem as condições de trabalho na vida adulta.”, disse.

Doutor Palma acredita que ensinar a educação física tendo como referência a teoria dos campos conceituais descaracteriza a tradição tecnicista. “Isso é possível porque esse método traz o contexto da criança como ponto inicial de referência. Esse fator, aliado às conexões criadas entre o conceito escolhido e os outros aprendidos em classe, constroem um conhecimento científico que supera o tecnicismo”, completou.  O pesquisador constatou que, ao retornar para a sua comunidade, o estudante tem seu conceito de senso-comum ampliado e sua compreensão da realidade otimizada, sendo capaz de intervir nessa realidade.

De acordo com o professor doutor José Augusto Palma, a teoria dos campos conceituais, explica como o processo de aprendizagem se desenvolve. De acordo com o professor Palma, ela é frequentemente apresentada na literatura como meio de ensinar assuntos das ciências exatas, especialmente conceitos matemáticos e pouco se encontra de sua aplicação para as ciências humanas. “Este nosso trabalho será convertido num artigo para oferecer um subsídio a mais para os pesquisadores”, afirmou.

Segundo o pesquisador, a fundamentação base da teoria do campo conceitual está fortemente interligada à teoria epistemológica de Jean Piaget, denominada “Construtivismo”. Doutor José Augusto Palma disse ainda que o conceito de esquema é facilitador na organização do pensamento dessa teoria. “A epistemologia genética desse estudioso e de seus seguidores não foi elaborada de maneira pedagógica, nós professores é que temos de fazer essa reconfiguração”, contou.

Esquema Corporal

O projeto de pesquisa “Teoria dos campos conceituais e o ensino na educação física: uma contribuição pedagógica” é uma articulação de um projeto integrado da UEL, desenvolvido em parceria com o município de Ibiporã, que tem o projeto desde 2006. Nele, os estagiários da universidade auxiliam os professores no processo de formação continuada.

Foram estudadas turmas de crianças do 1º ao 5º ano no sistema municipal. Procurou-se saber, dentro da escola, quais eram os conteúdos ensinados. A proponente do projeto é Amanda Santillo Justo, graduanda em Licenciatura em Educação Física da UEL e orientanda de iniciação científica do professor Palma. Amanda Justo escolheu um conceito dos conhecimentos prévios das turmas e pediu para que os estudantes estabelecessem relações entre este e outros conceitos, ligados à atividade física ou a práticas cotidianas.

O conceito escolhido foi “Esquema Corporal”, dentro de uma abordagem de motricidade humana. “O esquema corporal poderia ser ligado a ajustes posturais, à forma como o corpo fica posicionado em jogos, a uma maneira de reconhecimento de si mesmo e do outro. A partir dessas relações, constrói-se uma teia de outros conceitos que se interrelacionam e dão maior amplitude ao conceito original trazido pela criança.”, disse Palma.

Segundo o professor, as crianças contaram que os exercícios do projeto trouxeram a percepção do próprio envolvimento corporal nas brincadeiras e a leitura dos movimentos dos outros. “Num jogo de EXPLICAR bets, elas notavam o quanto eles ficavam flexionados, o quanto olhavam a bola, que antes de correr, era preciso olhar para onde a bola estava e até os giros foram observados de forma diferenciada.”, contou.

“A criança reconheceu que a ação motora é acompanhada de reflexão.”, disse o professor, apresentando os resultados do projeto. Segundo José Augusto Palma, “foi por esse motivo que na organização das aulas não se separaram atividades pelos objetivos de desenvolvimento motor, emocional ou cognitivo.”

 

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