Projeto tem corpo como objeto de pesquisa

Departamento de Artes Visuais da UEL pesquisa o corpo como reflexão poética

"Não Arde" de Carolina Fernanda Almeida

 

Edição: Fernanda Cavassana
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Isabella Sanches

Ao perceber que a questão do corpo estava muito presente na produção dos estudantes de artes visuais da UEL, a professora Vanessa Tavares da Silva coordena o projeto “Corpo Arte: reflexão e poética”. Essa demanda pelo corpo foi percebida pela docente enquanto participava do projeto “Pintura Mural, a cor ativando as paredes da cidade de Londrina”. “Nesse tempo, partimos da observação sobre o que os estudantes que participavam estavam produzindo em pinturas e desenhos. Alguns inclusive faziam TCC, estavam com as pesquisas mais direcionadas. O que nós percebemos de maneira geral era o corpo como uma questão que reincidia de várias maneiras em tais produções; pensando a questão da identidade do sujeito ou das várias proposições de corpos”. Vanessa da Silva possui graduação em Educação Artística pela UEL e mestrado em Cultura Visual pela Universidade Federal de Goiás. Atualmente, é professora assistente da Universidade Estadual de Londrina no Departamento de Artes Visuais.

Com o término do projeto “Pintura Mural, a cor ativando as paredes da cidade de Londrina”, foi efetivada a criação do projeto de pesquisa “Corpo Arte: reflexão e poética”, que tem como objeto o corpo e suas implicações. De acordo com Vanessa Tavares da Silva, o projeto é focado teoricamente da modernidade até os dias de hoje, com reflexões e entrecruzamentos de outras disciplinas, como literatura, filosofia, além da história da arte. O projeto possui duas vertentes, uma teórica e outra mais prática, onde uma necessita da outra. Segundo a docente, o projeto busca prestar atenção na condição humana. ”Como é percebida a relação do homem com o mundo, e como as diversas configurações do corpo acabam sendo um mote para tais discussões”, explica.

Carolina Fernanda Almeida, estudante do 2° ano de Artes Visuais, é orientada por Vanessa da Silva e está no projeto desde novembro do ano passado. Nele, a estudante produz textos auxiliando o desenvolvimento da pesquisa e a problematização da questão do corpo. No campo prático Carolina já produziu fotografias, desenhos e pinturas, pensando o corpo. “O tema maior do estudo é o corpo como reflexão. Para mim o sentido do corpo está em tudo e eu o levo para todos os lugares“, afirma a estudante.

De acordo com Vanessa da Silva, a ideia é a de os participantes do projeto irem descobrindo modos que respondam ao que eles querem propor, tendo como base produções artísticas anteriores e atuais, assim como as reflexões e teorizações que acompanham e entrecruzam as suas produções. Nas pesquisas, os estudantes trabalham questões acerca da corporeidade, do olhar para si, do homem e o tempo no mundo. Vanessa Tavares orienta cinco trabalhos que tratam sobre, entre outras coisas, autorretrato, sobre percepção e a condição do corpo no mundo, com enfoque ao olhar atento ao que não necessariamente se vê e passa despercebido. “A partir do interesse em determinado enfoque e proposição visual e da bibliografia pesquisada, o projeto varia entre a história da arte para entendermos como essas inquietações ocorreram no decorrer do tempo, e outras disciplinas como a filosofia, a sociologia, antropologia, literatura, entre outras,” afirmou a professora Vanessa da Silva. A docente afirma que a pesquisa bibliográfica, até mesmo relacionada a outras disciplinas, é fundamental para se entender como o que é proposto agora pelo estudantes se deu em outros momentos.

Carolina Almeida conta que seu interesse inicial no projeto foi pela fotografia. “Quando entrei no projeto trabalhava com fotografia. Foram quatro sessões fotográficas. “As três primeiras aconteceram de forma mais intuitiva e foram os seus resultados que me levaram a pensar no que deveria procurar – se encontraria o “problema” em outro tipo corpo, já que os corpos dos primeiros ensaios eram magros e não davam mais possibilidade de movimento e formas”, conta a estudante. Carolina Almeida foi então em busca de um corpo que já tivesse um tempo inscrito, ou seja, um corpo de alguém com mais idade. Um corpo, que segundo ela, estava fora dos padrões de beleza, onde a densidade dele mesmo pudesse dar conta do resultado fotográfico. “A principio é o corpo que está ali, mas conforme a disponibilidade dele, conforme os traços, as cicatrizes, o movimento, o reflexo do tempo na pele a imagem fotográfica vai se transformando em outras coisas além do corpo. São equívocos do corpo que se depõem como matéria”, explica a estudante.

Carolina Almeida vê sua pesquisa como uma busca que não tem fim, e com o decorrer do projeto passa da fotografia para o desenho e para a pintura. “Se em um lugar a forma está se esgotando, se repetindo, vou para outras estâncias, propondo problemas para tentar resolver. Em média devo ter mais de sessenta quadros e desenhos, além de diários que me auxiliam tanto no desenho como na escrita.” A estudante passou a fazer também autorretratos. “Me propus a reconhecer e problematizar meu próprio corpo, já que antes problematizava o corpo dos outros. Me coloquei na frente do espelho e encarei o que via, o que considerava como um problema, e trouxe para a produção”, afirma.

A divulgação dos trabalhos produzidos no projeto tem sido feita pela via acadêmica e pela via expositiva. A professora Vanessa da Silva destaca que exposições passaram a ser também uma questão acadêmica. “Alguns estudantes são bolsistas do PROARTE, uma bolsa de iniciação artística que começou ano passado e é um projeto piloto da UEL, nele está previsto como item de pontuação as exposições, sendo agora algo que passa a ser também avaliada como produção acadêmica. através de exposições e apresentações em encontros”, explica. Ela conta que esse ano trabalhos já foram expostos no 3º seminário nacional de pesquisa em Cultura Visual na UFG em Goiânia, e que em novembro participarão do SELISIGNO, evento do Departamento de Letras da UEL e do EAIC, que esse ano será em Guarapuava. A orientadora Vanessa da Silva, ainda menciona que alguns dos estudantes foram selecionados para os editais de exposições coletivas no SESC e na Divisão de Artes Plásticas da Casa de Cultura da UEL. Carolina Almeida, por exemplo, expôs na Casa de Cultura (Divisões de Artes Plásticas da Uel) do dia 28 de Agosto à 30 de Setembro, com séries de trabalhos em objetos tridimensionais e desenhos. Ela tem também uma exposição prevista para o dia 04 a 31 de novembro, no SESC, com fotografias, pinturas e desenhos.

Uma resposta para Projeto tem corpo como objeto de pesquisa

  1. Doliris disse:

    Parabens Vanessa voce merece esse reconhecimento.
    O corpo é algo que chama nossa atenção por tudo o que proporciona

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: