Difração de raio-X: novo método para análise de compostos químicos

Palestra instrui alunos e docentes da UEL sobre o uso de aparelho adquirido pela UEL, o difratômetro

Edição e pauta: Tatiane Hirata
Reportagem: Isabela Nicastro

O palestrante Luciano Gobbo explica as aplicações do método de difração de raio- X

Recentemente, foi adquirido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) um equipamento que pretende inovar na análise e medidas de compostos químicos. A aquisição do difratômetro de raios-X faz parte do  programa de laboratórios multiusuários da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG). O difratômetro encontra-se em operação e pronto para ser usado por toda comunidade da UEL, particularmente para os cursos: Física, Química, Geociências, Tecnologia de Alimentos, Agronomia, Farmácia e Engenharia Civil. No momento ele está provisoriamente instalado na sala da antiga diretoria do Itedes (Instituto de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e Social), esperando o término do laboratório definitivo.

Com o objetivo de explicar detalhadamente as aplicações da técnica de difração de raios-X (DRX) e de oferecer treinamento para o uso do difratômetro, o Dr.  Luciano Gobbo concedeu uma palestra no dia 24 de agosto, na Sala de Multimeios do Centro De ciências Exatas (CCE), da UEL. O palestrante trabalha em São Paulo na área científica da empresa PANalytical,  líder mundial em análise de raio-X. A palestra fez parte do treinamento que a empresa oferece para o manuseio do equipamento adquirido recentemente pela UEL. Luciano de Andrade Gobbo possui graduação em Geociênicas pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Geociências (Recursos Minerais e Hidrogeologia) e doutorado em Geociências (Recursos Minerais e Hidrogeologia) pela USP. Atua com difração de raios-X e método de Rietveld e também em mineralogia industrial, com especialização no setor cimenteiro.

“A difratometria de raios- X corresponde a uma das principais técnicas de caracterização microestrutural de materiais cristalinos, encontrando aplicações em diversos campos do conhecimento, mais particularmente na engenharia e ciências de materiais, engenharias metalúrgica, química e de minas, além de geociências, dentre outros”, afirmou o palestrante. Segundo ele, a técnica pode ser aplicada nas indústrias de mineração, microdifração, difração em alta temperatura, textura e em Análise de Cluster – um método que auxilia na simplificação de uma grande quantidade de dados.

De acordo com o Dr. Luciano Gobbo, o equipamento é de fácil manuseio, graças a um sistema criado pela PANalytical, em que é permitido acoplar acessórios dependendo do tipo de aplicação a ser trabalhada, sem a necessidade de alinhamento da óptica do difratômetro. “Essa técnica de difração pode ser considerada uma técnica de reflexão, pois, diferentemente da transmissão, os raios não atravessam a amostra. Essa é uma característica de equipamentos modernos, em que a matéria a ser analisada fica na horizontal e não é necessário locomovê-la. Dessa forma, é obtido um difratograma, que é uma espécie de gráfico com curvas e picos separando e diferenciando a quantidade de compostos químicos presentes em cada amostra”, explicou.

Segundo as instruções do palestrante, cada substância possui uma característica única, equivalente a uma impressão digital. “Os planos de difração e suas respectivas distâncias interplanares, bem como as intensidades de elétrons ao longo de cada plano cristalino, são características específicas e únicas de cada substância cristalina, da mesma forma que o padrão difratométrico por ela gerado”, exemplificou Dr. Luciano  Gobbo.

Recentemente, com a utilização de mais tecnologia e a análise de todo o padrão do difratograma, foi desenvolvida uma metodologia que permite o refinamento de estruturas cristalinas complexas, o Método de Rietveld. Segundo Dr. Luciano Gobbo, “trata-se de um procedimento de análise quantitativa, com reconhecida precisão e que considera todo o difratograma, baseado na comparação de um espectro observado e outro calculado a partir de estruturas conhecidas de cada fase da amostra”.

Bruno Rostirolla, 21 anos, estudante do quarto ano de Física da UEL, acompanhou a palestra com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre a técnica de DRX e suas aplicações na indústria e no meio acadêmico. “Eu já conhecia a técnica, mas nunca tive a oportunidade de fazer alguma medida utilizando o aparelho. Essa técnica consegue caracterizar amostras desconhecidas e nos fornece informações sobre a sua estrutura atômica. Com esses dados em mãos, podemos nos aprofundar no material e aprender um pouco mais sobre ele”, conclui o estudante.

 

Para Bianca Akemi Kawata, 22 anos, também estudante do quarto ano do curso de Física da Universidade, a  aquisição do equipamento é bastante vantajosa. “Já tive a oportunidade de utilizá-lo para análise de uma amostra que eu estou usando em meu projeto de iniciação científica. O difratômetro é importante para os estudos que fazemos no laboratório e agora, com o equipamento na UEL, não precisamos mandar as amostras para serem analisadas em outras instituições, o que facilita muito”.

Serviço – Mais informações sobre o uso do equipamento podem ser obtidas no site: http://ldrx-uel.ning.com/, com o professor Dr. Jair Scarminio (43-3371-5812) e também com Paulo Rogério Catarini da Silva ( 43-3371-4164), técnico do Laboratório FILMAT do CCE.

Créditos da foto: Isabela Nicastro

 

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