Edição 111

novembro 17, 2010

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Projeto de pesquisa avalia os benefícios do plantio direto

novembro 17, 2010

Técnica reequilibra a biodiversidade da área plantada

Edição: Tatiane Hirate
Pauta e reportagem: Rosana Reineri Unfried

O projeto de pesquisa ‘Efeitos das operações agrícolas na estrutura do solo em plantio direto’, do departamento de agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL); coordenado pelo professor Dr. Ricardo Ralisch, visa investigar os impactos causados pelo plantio direto que, segundo explicação do pesquisador, consiste no plantio de culturas diretamente na palha, sem o preparo do solo. Dr. Ricardo Ralish é graduado em Agronomia na UEL; mestre e doutor em mecanização agrícola e impacto no sistema de produção, pela Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita Filho (UNESP-Botucatu).

Conexão Ciência: O plantio direto surgiu em substituição do plantio convencional. Como era feito esse plantio?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio convencional é baseado em uma agricultura temperada, importada da Europa, principalmente, que se baseia no preparo do solo a cada safra. Nesse sistema se faz, periodicamente, o preparo do solo com implementos agrícolas, como arados, grades, entre outros.

Conexão Ciência: Quais eram os benefícios e os malefícios desse sistema?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Ele possui alguns efeitos importantes e indiscutíveis. A aração tem a capacidade de incorporar, ou seja, colocar insumos, adubos e matéria orgânica dentro do solo através do revolvimento mecânico. Por serem operações que revolvem bastante o solo, esse método é muito agressivo, o que compromete o equilíbrio biológico. O segundo ponto negativo é a perturbação da estrutura do solo. Esta tem a ver com o material de origem, com o clima em que esse solo está, tem a ver também com a atividade biológica associada a essa área. Além disso, essas são operações onerosas, em energia, tempo e dinheiro. Nessa linha o preparo convencional deixa de ser periódico e passa a ser opção corretiva, ou seja, se o agricultor quer de fato corrigir alguma característica do solo, por exemplo, melhorar a aeração para haver uma maior penetração de raiz, uma alternativa seria a utilização do preparo do solo, o agricultor somente vai fazer esporadicamente e em condições mais próximas possíveis da adequada. A melhor alternativa é evitar que o solo se desgaste, isso com o manejo adequado.

Conexão Ciência: Em que consiste o plantio direto?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio direto é feito diretamente na palha, sem que se faça um revolvimento no solo.

Conexão Ciência: Como e porque foi desenvolvido esse sistema?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: O plantio direto deriva de uma situação do final dos anos 50, 60 quando a agricultura passou a se tecnificar muito. Nesta época, houve um grande desenvolvimento de máquinas e tratores. As ações de preparo do solo que antes eram feitas por tração animal passaram a ser feitas por tração mecânica, os tratores começaram a aumentar de potência exponencialmente e os implementos ficaram cada vez maiores, desta forma as operações de preparo do solo foram ficando cada vez mais pesadas, exigindo cada vez mais potência e isso estava criando um circulo vicioso negativo de busca de mecanismos cada vez maiores e cada vez mais onerosos em energia. Nas décadas de 50 e 60, surgiram as primeiras manifestações americanas sobre a real necessidade de se preparar solo. Então, houve uma coincidência de iniciativas americanas e inglesas para discutir por que era feito e quais eram os efeitos desse preparo intensivo. A partir de então, começou a se estudar isso com um pouco mais de atenção, começaram a ser feitas pesquisas rudimentares e descobriram que a planta não responde ao preparo do solo.  Os primeiros trabalhos para não preparar solo foram feitos nos EUA. Começaram a pensar em máquinas para semear nessa nova condição. Nos EUA , foram desenvolvidas as primeiras semeadoras (plantadeiras) para plantio direto na palha. O objetivo era não se fazer mais preparo do solo nas culturas anuais. Os agricultores americanos foram os pioneiros na utilização dessa técnica substituindo o preparo do solo para controle do mato por herbicida, para diminuir a demanda de energia.

Conexão Ciência: Como esse sistema chegou ao Brasil?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: No Brasil, esse sistema chegou pelas mãos de um proprietário de terras da região de Rôlandia, Herbert Bartz, em 1972. Principalmente no verão, quando era preparado, o solo apresentava problemas de erosão, ele começou a ficar preocupado porque era o patrimônio que estava sendo jogado fora, então ele associou diretamente a erosão com o preparo do solo. Lendo ele teve contato com a experiência dos EUA, o No-till (plantio direto), sem preparação. Ele teve contato com jornais e revistas e foi pra lá. A tecnologia foi sendo aperfeiçoada e difundiu-se para outras regiões e, no Brasil ,começou a ser chamada de plantio direto. No entanto, não adianta somente substituir a preparação do solo pelo plantio direto, há a necessidade de três fatores: não preparo do solo (mínimo revolvimento possível), cobertura permanente do solo e rotação de cultura.

Conexão Ciência: Qual a diferença do No-till americano e do plantio direto brasileiro?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Temos uma mudança significativa de rumo da técnica do No-till que é desenvolvido em clima temperado, sem a agressividade do clima e o plantio direto que é feito em clima tropical, no qual é necessário conciliar a atividade com a agressividade do clima. A vegetação seria uma proteção do solo dos efeitos da chuva e do sol. Por esta razão, o solo em clima tropical tem que estar permanentemente coberto; seria uma espécie de proteção física do solo. Por muito tempo, foi considerada, como melhor alternativa para essa cobertura, a utilização de palha, ou seja, vegetais mortos, hoje já não se trabalha mais com essa alternativa. Atualmente, se fala muito em cobertura viva, por isso são utilizadas as combinações pecuária, lavoura-florestal.

Conexão Ciência: Como pode ser feito o controle do mato no plantio direto?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Fala-se que o plantio direto é dependente de herbicidas, mas não é verdade. Desde que se adote práticas adequadas  e se mantenha uma área com plantas permanentemente, a probabilidade de ter invasoras vai diminuir. Algumas plantas têm a capacidade de inibir o surgimento de outras em função de seus extratos vegetais e aspectos químicos. Por exemplo, a aveia preta tem a capacidade de inibir o aparecimento de outras gramíneas na área, isso pode ser considerado uma aleopatia. Hoje é possível se adotar técnicas culturais, ou seja, usar plantas para controlar plantas. Em grandes áreas comerciais, as pessoas ainda preferem trabalhar com o herbicida, pois é mais fácil de gerenciar. A redução de mato, doenças e pragas está relacionada a biodiversidade; se o agricultor conseguir manter o equilíbrio dessa biodiversidade, consequentemente diminuirá o potencial de ataque desses problemas e em conseqüência a dependência de controle químico.

Conexão Ciência: E como ele atua no controle a erosão?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Agora, a aplicação do plantio direto para a contenção de erosão merece mais atenção até em termos conceituais, porque o plantio direto nasceu para controlar a erosão e realmente reduz o potencial erosivo, mas ele não pode ser utilizado isoladamente para isso porque talvez ele não seja suficiente. Mecanismos para diminuir o potencial erosivo: aumentar a infiltração da água da chuva no solo, as áreas compactadas são muito mais erosivas do que áreas sem compactação. A erosão nasce do escorrimento superficial, que é mais água caindo do que a capacidade que o solo tem de absorver e com a declividade essa água vai escorrer dando inicio a erosão. A capacidade de absorção de água feita pelo solo pode ser aumentada através de raízes. Os terraços são alternativas fundamentais para o controle da erosão, a fim de conter o escorrimento superficial.

Conexão Ciência: Em sua opinião, o que seria necessário para que o plantio direto comece a ser feito de forma consciente pelos agricultores?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: Para que o agricultor se conscientize e comece a fazer efetivamente o plantio direto de maneira correta, é necessária a criação de políticas agrícolas, as quais fariam com que o agricultor fosse menos dependente do mercado . Tais políticas, como a política de preço mínimo, fariam com que o produtor pudesse diversificar as culturas de sua propriedade. Outro aspecto importante são os serviços ambientais da agricultura; os benefícios que a agricultura traz ao meio ambiente. Para isto, o plantio direto é o que traz mais benefícios ao meio ambiente, pela proteção da água em função de sua infiltração no solo, redução de erosão, etc. Aumento da biodiversidade e redução dos gases do efeito estufa na atmosfera. A agricultura faz tudo isso. Se ela está prestando esse serviço, alguém esta sendo beneficiado, esse alguém é todo mundo. Se todo mundo está sendo beneficiado isso pode ser remunerado. Em outros países, isso já é bastante discutido. O objetivo é remunerar a agricultura pelos serviços ambientais que ela presta. Já existem agricultores sendo beneficiados pelo crédito de carbono, isso deve ser ampliado.

Conexão Ciência: Se fosse para identificar o maior benefício do plantio direto, qual seria?
Prof. Dr. Ricardo Ralish: A água. Não havendo erosão, não terá transporte de soluto para dentro dos rios e com a infiltração dela no solo aumentará o volume de água no lençol freático.

 

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Por meio de dados de uma década, pesquisa analisa mudanças na economia brasileira

novembro 17, 2010

Projeto do Departamento de Economia analisou a geração de emprego e renda de 1990 até 2003

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Lucas Marcondes

Plano Real, inovações tecnológicas, abertura comercial, taxas cambiais inconstantes. A década de 1990 foi caracterizada como um período de mudanças na economia brasileira. Essas transformações afetaram a geração de emprego e renda. Com isso em mente, o Professor Doutor Umberto Sesso Filho, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado e doutorado em Economia pela mesma instituição, desenvolveu o projeto de pesquisa “Reestruturação produtiva e emprego na economia brasileira” junto ao Departamento de Economia do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A iniciativa, segundo o doutor Umberto Sesso Filho, “visava analisar o efeito da tecnologia, da produtividade no trabalho, do consumo familiar e das exportações sobre o emprego”. O período pesquisado foi de 1990 até 2003 e os dados, coletados junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se referem tanto a empregos formais quanto informais. Finalizado no último dia 30 de setembro, o projeto já têm seus resultados publicados em dois artigos, duas revistas e servirá também como tese de mestrado de um estudante de Economia da UEL. Entre as informações obtidas, o pesquisador destaca como a queda no valor do dólar no final da década de 1990 fez com que o sistema produtivo brasileiro importasse mais tecnologia. Tal fator, de acordo com ele, diminui a oferta de emprego. “Uma máquina faz o trabalho de vários homens”, indica.

Perguntado sobre como um trabalhador pode estar preparado para o efeito da tecnologia, Sesso Filho indica que não somente a qualificação acadêmica é um fator importante, mas também o estudo de uma língua estrangeira, como o inglês e o espanhol – esse último, segundo ele, está crescendo em importância graças à instalação de empresas espanholas como a Telefônica e o Banco Santander no Brasil. O economista destaca também que o relacionamento humano deve ser desenvolvido. Esse quesito, aponta ele, “está em falta na faculdade”.

O pesquisador expõe “três pontos importantes no tempo” nesse período da economia brasileira. O primeiro, de acordo com ele, ocorreu em 1994, com o Plano Real. O segundo e terceiro momentos, indica, se deram respectivamente com desvalorização do câmbio em 1999 e com a alta no preço das commodities a partir de 2003. Ele comenta também que a partir de 1994, com a criação do Plano Real, os trabalhadores passaram a migrar mais de um setor da economia para outro.

O professor Doutor Umberto Sesso Filho destaca o crescimento do setor terciário, o de comércio e serviços, que exige menor qualificação profissional. Essa elevação, comenta, foi impulsionada pela intensidade e variação da demanda final, composta por produtos ou serviços para o consumo. Sobre os resultados dos últimos anos, o economista vê a exportação como um fator importante para a geração de emprego, porém critica a dependência que as exportações brasileiras têm em relação à China. No âmbito regional, o pesquisador comenta que a agropecuária continua sendo o carro-chefe da economia paranaense. Além disso, ele frisa o crescimento significativo da construção civil em Londrina, o que, diz, foi impulsionado pela grande oferta de crédito imobiliário. Um dos artigos feitos graças ao material pesquisado no projeto pode ser lido em:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-80502010000100007&script=sci_arttext

 

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Palestra aborda a Teoria da Informação na profissão de Secretariado Executivo

novembro 17, 2010

Comunicação Interpessoal e Comunicação Organizacional foram temas da primeira palestra da XVI Semana de Secretariado Executivo

Prof. Neuza Massarutti, organizadora do evento

Edição e pauta: Beto Carlomagno
Reportagem: Beatriz Botelho

Entre os dias 18 e 21 de outubro, foi realizada a XVI Semana de Secretariado Executivo, com o tema “Assessorando o Mundo dos Negócios” e VI Encontro de Estudos Científicos de Secretariado Executivo (ECISEC). O local escolhido para a realização dos eventos foi o Anfiteatro Professor Genésio Ferreira da Cruz, no Centro de Estudos Sociais Aplicados – CESA na Universidade Estadual de Londrina. A coordenação foi de responsabilidade da professora do curso de Secretariado Executivo Neuza Maria Orthmeyer Massarutti, formada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre em Administração pela mesma universidade. Neuza Massarutti organiza a Semana de Secretariado desde a primeira, realizada no ano de 1994 e nesse ano contou com a ajuda dos alunos do 3º ano de Secretariado Executivo para a organização. Na programação deste ano houve a apresentação de trabalhos científicos no dia 18 e palestras nos dias seguintes.

Na terça- feira, dia 19, realizou-se a primeira palestra “Fatores da comunicação organizacional no contexto do comércio exterior”, ministrada pelo professor doutor Miguel Luiz Contani, formado em Letras pela UEL, mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná e doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente Contani atua no departamento de Comunicação da UEL junto ao programa de mestrado.

A palestra teve como objetivo discutir os métodos e processos da comunicação organizacional no trabalho do profissional de secretariado executivo. Prof. Dr. Miguel Contani trabalhou também a comunicação no contexto do comércio exterior e discutiu as técnicas e construções comunicacionais em exemplos de textos com o tema. Ele abordou os temas da Comunicação Interpessoal e da Comunicação Organizacional.

Primeiramente, o prof. Miguel Contani tratou da Comunicação interpessoal e para explicá-la, tomou como base a Teoria da Linguagem e da Teoria da Informação. “O secretário executivo precisa dominar essas duas Teorias, pois ele lida o tempo todo com elas. É importante que o domínio delas seja cotidiano, para que cada vez mais o profissional aprenda e reduza os erros ao máximo, como num gráfico com uma curva assintótica. Neste, os números se aproximam do zero, mas nunca chegam ao eixo do X. Da mesma forma, o secretário não vai deixar de ter erros, mas é preciso ter sempre como meta reduzi-los”, afirmou o doutor Miguel Contani.

Sobre a linguagem, o professor doutor disse que ela não é somente a língua falada em determinado lugar e por determinada população, ela é mais ampla, pois envolve a interação de atos, gestos e uma série de significados entre as pessoas. No Secretariado Executivo, segundo ele, há esta linguagem e é preciso que o profissional a entenda.

Quanto a Teoria da Informação, o professor abordou a informatividade e explicou que ela pode ser de 1ª, 2ª e 3ª ordem. Segundo ele, essas ordens interferem na maneira como uma mensagem é construída. “Quando um conteúdo é trivial tanto no assunto quanto nas palavras escolhidas para expressá-lo, tende a produzir o que se designa informatividade de 1ª ordem. O material gerado por ele é obvio e desinteressante, podendo chegar a tolo. A atenção que as pessoas dão para expressões muito frequentes é baixa e o grau de previsibilidade, máximo. Palavras como UEL, secretariado, secretaria são palavras cotidianas e até triviais para os estudantes do curso”, explicou o professor.

De forma contrária, a informatividade de 3ª ordem acontece, segundo o palestrante, quando um conjunto de ocorrências é raro e o material gerado é complexo, a atenção requerida é alta e o grau de previsibilidade é baixo. “Para compreender o que está escrito na bula de remédio, é preciso ajuda de algum profissional da área médica, pois basta ler três palavras para se desistir da leitura”, exemplificou.

O doutor Miguel Contani afirmou que o ideal é “elevar o grau de 1ª ordem e diminuir o de 3ª ordem, de forma que se chegue a uma informatividade intermediaria, ou seja, de 2ª ordem. Nesta, ocorre um equilíbrio entre as expectativas do produtor e do receptor do texto. O profissional de secretariado executivo deve atingir este grau de informatividade em suas relações comunicativas”, completa.

Sobre a Comunicação Organizacional ou Empresarial, o palestrante declarou que ela envolve gestos, atitudes, modo de vestir, objetos colocados no ambiente, sempre relacionados a uma organização. Ela vai além da Comunicação Interpessoal e abrange a Comunicação Administrativa, Mercadológica e a Institucional. A primeira tem seus fluxos e redes formais e informais; a segunda abrange o marketing, a propaganda, promoção de vendas, feiras de exposições, envolvendo um processo maciço de mensagem de comunicação; a terceira envolve relações públicas, jornalismo empresarial, assessoria de imprensa.

O professor Miguel Contani concluiu afirmando que as relações numa organização precisam estar em conjugação com esforços e operações tendo sempre em vista as tarefas do processo comunicativo.

 

Fonte: Agência UEL


Projeto visa prevenção da violência contra crianças e adolescentes

novembro 17, 2010

Professora do departamento de Serviço Social estuda causas da violência no modo de distribuição do espaço urbano

Edição: Tatiane Hirata
Pauta e Reportagem: Isabela Nicastro

Um estudo de caso sobre a influência do ambiente urbano nos casos de violência infanto-juvenil. É esse o objetivo do projeto de extensão ‘Desenho urbano e violência praticada contra crianças e adolescentes’. Criado em março de 2009 e coordenado pela professora doutora  Vera Lúcia Suguihiro, que possui graduação em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado e doutorado em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

De acordo com informações cedidas pela dra. Vera Suguihiro, entende-se o desenho urbano como um processo que propõe intervenções na cidade, considerando o planejamento, a gestão e o projeto do espaço. “Envolve, portanto, a legislação que expressa as intenções municipais relativas a produção do espaço urbano, a gestão que demonstra a implantação das intenções legais e os projetos, os quais são a sua concretização, a solução formal. Assim, além de responder a qualidade física do espaço, o desenho também tem forte influência nas experiências e ações individuais da população”, afirma.

A coordenadora explica que, em um primeiro momento, são selecionadas equipes de trabalho que discutem livros, filmes relacionados ao tema, entendem e identificam a violência e a importância da divisão urbana. A partir disso, segue-se um levantamento junto ao Centro de Sócio Educação (CESE) e aos três Conselhos Tutelares de Londrina (norte, sul e centro) dos bairros mais violentos da cidade. Com base em dados estatísticos, o bairro mais violento é selecionado e os estudantes se dirigem ao local, entrevistando pais e adolescentes, fiscalizando o investimento em políticas públicas, a infra-estrutura do espaço e  as oportunidades  oferecidas ao jovem.

O projeto visa dar subsídios para uma ação preventiva. Segundo a coordenadora professora Vera Lúcia Suguihiro, geralmente, as políticas públicas existentes iniciam-se somente quando as crianças e os adolescentes já cometeram o ato. Daí o crescimento contínuo na prática de delitos. “É preciso criar possibilidades para que os direitos fundamentais se efetivem por meio da organização política e do espaço. São esses:  vida e saúde; liberdade; respeito e dignidade; convivência familiar e comunitária; educação, esporte, cultura e lazer; proteção ao trabalho e  profissionalização – com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, conclui a coordenadora.

“Há uma criminalização da juventude. A adolescência tem sido compreendida como sinônimo de criminalidade, o que não contribui para a boa formação dos jovens.  O que eles precisam são de oportunidades. O neologismo ‘aborrêcência’ generaliza a situação e não favorece o surgimento de ações preventivas e sociais”, afirma a dra. Vera Suguihiro. O projeto, assim como outros desse mesmo cunho social, entende que, a partir desses estudos e comprovações, poderão ser traçados novos parâmetros que modifiquem a situação de violência da população infanto-juvenil.

Financiado pela Fundação Araucária, o projeto tem término previsto para março de 2012. A professora dra. Vera Suguihiro explica tratar-se de um trabalho multidisciplinar, pois envolve diversas áreas do conhecimento, como Psicologia, Serviço Social, Arquitetura e Urbanismo e Ciências Sociais. Conta em média com 13  colaboradores, dentre eles alunos em séries diferentes do curso.

 

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Edição 110

novembro 10, 2010

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Acesso à casa própria é tema de projeto

novembro 10, 2010

Estudo do departamento de Serviço Social pretende conhecer o impacto na vida das famílias que conseguem realizar esse sonho

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Karina Constâncio

Estudo analisa o acesso à casa própria como possibilidade de melhoria na condição de vida da população de baixa renda

“Historicamente, o Estado sempre forneceu programas direcionados à população de média e alta renda, o que dificultou o acesso à moradia. Hoje, existe um déficit habitacional imenso. Só em Londrina, o número está em torno de 6 mil unidades”. É o que afirma a professora Eliane Christine de Campos, coordenadora do projeto “Acesso à casa própria: a possibilidade de melhoria na qualidade de vida para a população de baixa renda na cidade de Londrina/PR”. Eliane possui graduação em Serviço Social e mestrado em Serviço Social e Política Social pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em entrevista ao Conexão Ciência, ela esclareceu alguns pontos da pesquisa.

Conexão Ciencia: Como surgiu a ideia do projeto?

Prof. Eliane Christine de Campos: Nós somos em cinco assistentes sociais que prestam serviços para a Caixa Econômica Federal na área da habitação auxiliando no trabalho com as famílias que participam dos programas de interesse social. A partir da nossa participação nesses projetos, começamos a perceber a importância do acesso à casa própria para a população de baixa renda que não tem condições de fazer um financiamento e isso nos despertou o interesse para iniciar a pesquisa.

Conexão Ciencia: Qual o objetivo do projeto?

Prof. Eliane Christine de Campos: O principal objetivo é analisar o impacto na vida da população de baixa renda que consegue ter o acesso à moradia própria e verificar se esse acesso realmente está sendo garantido na perspectiva de direito.

Conexão Ciencia: Como é feita essa análise?

Prof. Eliane Christine de Campos: A princípio, a análise seria feita a partir de dois programas: o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e o Programa Casa Fácil, mas vamos estender também para o Programa Minha Casa, Minha Vida, que está construindo em Londrina duas mil unidades em uma determinada área concentrada. Iremos analisar como é esse acesso à casa própria e quais as implicações trazidas para a vida da população atendida.

Conexão Ciencia: Como funcionam esses três programas?

Prof. Eliane Christine de Campos: O PAR já existe há 10 anos e propicia moradia por meio da construção de conjuntos habitacionais verticais e horizontais para a população com renda de até seis salários mínimos. O Programa Minha Casa, Minha Vida é mais recente e também viabiliza a casa própria priorizando as pessoas que vivem com até três salários mínimos. Já o Programa Casa Fácil, parceria da UEL com a Prefeitura de Londrina, que regularizava ou fornecia gratuitamente a documentação e projetos necessários para construção da moradia de famílias com até três salários mínimos, foi suspenso ano passado devido à aposentadoria de alguns professores.

Conexão Ciência: O que já pode ser observado?

Prof. Eliane Christine de Campos: O projeto ainda é recente, mas já podemos verificar que é significativa a regularização das plantas. Muitas famílias fazem “puxadinhos” sem uma avaliação técnica, colocando-se em situação de risco. Nós percebemos que elas fazem isso por não terem condições financeiras de pagar uma planta. Acabam comprando um terreno com muita dificuldade e construindo aquilo que é viável naquele momento. Por isso a importância de um programa como o Casa Fácil. Outra coisa que observamos é que esses programas implementados em Londrina, que têm exigências mais flexíveis do que a Caixa Economia Federal, podem contribuir para a garantia dos direitos mínimos da população.

Conexão Ciência: Qual a importância de se investir na área habitacional?

Prof. Eliane Christine de Campos: É fundamental. O acesso à casa ajuda na questão da saúde, principalmente a saúde mental, também aumenta a autonomia das famílias dando a oportunidade de ter um espaço verdadeiramente delas e contribui para a cidadania de seus membros. Temos que entender que o acesso à moradia aumenta a qualidade de vida das pessoas.

Conexão Ciência: Os resultados serão publicados?

Prof. Eliane Christine de Campos: O projeto tem como proposta, além da publicação de artigos, que os alunos que participam (ao todo são 20 alunos de graduação e pós-graduação em Serviço Social) divulguem as conclusões em eventos da área e que também ocorra uma discussão junto com os londrinenses para que seja entendida a importância de criar programas habitacionais voltados para a população de baixa renda.

Créditos da imagem: http://automidia.wordpress.com/page/2/