Integração de cadeias produtivas agropecuárias

Projeto realizado na UEL  utiliza software próprio para simular negociação de contratos; compra e venda entre produtores e cooperativas podem ganhar novos rumos

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Laura Almeida
Reportagem: Guilherme Popolin

Exemplo de cadeia produtiva

“Criar um sistema para a integração de cadeias produtivas agropecuárias”. Essa foi a necessidade encontrada pelo Prof. Dr. Evandro Bacarin, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), para realizar e coordenar o projeto “Associação de Negociadores em Cadeias Produtivas Agropecuárias”. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), com doutorado em Ciência da Computação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), atualmente, trabalha no Departamento de Computação, do Centro de Ciências Exatas (CCE), da UEL.

Segundo o professor, o assunto tratado pelo projeto começou a chamar sua atenção em 2001, quando trabalhava com pesquisa e desenvolvimento na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Durante o período de preparação de seu doutorado, leu o livro “Cadeias Produtivas e Sistemas Naturais”*, editado por pesquisadores da Embrapa, que descreviam vários tipos de cadeias produtivas agropecuárias. “Cada cadeia recebia um enfoque diferente. Comecei a questionar se não poderia existir alguma maneira homogênea de integrá-las”, diz o professor Dr. Evandro Bacarin. Assim, nasceu o tema de seu doutorado, “fazer um sistema para a integração de cadeias produtivas agropecuárias”, e, assim, foi criado um software para simular a negociação de contratos, como, por exemplo, entre produtores e cooperativas.

Dr. Evandro Bacarin conta que o objetivo do projeto atual gira em torno do estudo de alguns pontos não vistos no doutorado. O projeto, cadastrado na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (PROPPG), é uma extensão do software de negociação, que está em fase de testes do protótipo.  O desenvolvimento dos estudos será incremental: aos poucos, novas funcionalidades serão acrescentadas. Assim, outro aspecto que o professor pretente desenvolver no futuro é a rastreabilidade. “Imagine a produção de milho, que virou bolo de fubá e está em pacotes no supermercado. Se descobrem que aquele lote de milho estava contaminado, quais pacotes de bolo de fubá é preciso retirar das gôndolas? Em quais supermercados estão esses pacotes?”, exemplifica o professor, sobre a importância da rastreabilidade para ajudar na solução de situações como a descrita acima.

De acordo com o Dr. Evandro Bacarin, o primeiro produto desse estudo foi um modelo de cadeia produtiva agropecuária. A maioria das cadeias é formada por: fazenda produtora, transporte e lugar de armazenamento. “Comecei a integrar elementos mais dinâmicos, como rastreabilidade, descrição do comportamento da cadeia e os contratos entre todos os elementos da cadeia”, conta. O professor explica que propôs um tipo de contrato eletrônico, através de um modelo de software produzido por ele. “Quero implementar isso em cooperativas e fazendas. Uma estrutura de informática para ser usada no dia-a-dia dos indivíduos”, diz.

Cooperativas que precisam comprar produtos de determinados produtores poderão usar o software para negociar o preço, assim como outras características envolvidas em uma negociação. “Os softwares irão negociar automaticamente. Cada fazenda, assim como a cooperativa, terá o seu representante interligado pela rede, em estrutura montada na Web”, explica o Dr. Evandro Bacarin. Através da internet, os softwares trocam informações e, nessa troca de mensagens, cada fazenda apresenta o valor de venda do seu produto, proporcionando à cooperativa a escolha de quem oferece o menor preço.

Esse cenário de testes, utilizando o software, já funciona para estudos do projeto, sendo possível simular compra, venda e até barganha (administrada por um tabelião, também virtual). A estratégia e técnica utilizada pelo software é a heurística, usada na computação como um conjunto de regras e métodos que conduzem à resolução de problemas. No caso do projeto, é utilizada pelos negociadores para fazerem propostas de negociação. “Podemos atrelar à inteligência artificial. Pretendo trabalhar em conjunto com professores da área conforme o avanço dos estudos”, diz o dr. Evandro Bacarin.

Outro aspecto estudado pelo professor é a formação de Organizações Virtuais (OVs). Segundo ele, uma cadeia produtiva é uma rede de fornecedores, vendedores, distribuidores, transportadores e armazéns que participam da produção, venda e entrega de produtos. O estabelecimento de contrato entre empresas parceiras para determinado fim geram as OVs. “Juntas, formam uma associação para resolver problemas específicos. É uma junção momentânea, que após a realização de determinada tarefa se desfaz, por isso chamada de virtual”, diz o professor.
* “Cadeias Produtivas e Sistemas Naturais” – Livro editado por cinco pesquisadores do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa. Ele é resultado de um estudo sobre a prospecção tecnológica para a pesquisa agropecuária brasileira. Estudos de cadeias produtivas e sistemas naturais ajudam a direcionar a pesquisa agropecuária, a assistência técnica e outras intervenções governamentais do agronegócio. Esta obra é pioneira e oferece ao pesquisador, professor e estudante subsídios sobre importantes cadeias produtivas do negócio agrícola brasileiro, como arroz, borracha, tomate e uva. Editora: Embrapa

Créditos da imagem: http://www.logisticadescomplicada.com/entendendo-o-que-sao-cadeias-produtivas/

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