Projeto do Departamento de Educação visa melhorar a profissionalização do pedagogo

Estudo se fundamenta a partir da análise dos currículos dos cursos de Pedagogia das Universidades Públicas do Paraná e São Paulo

Edição: Tatiane Hirata
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Deborah Vacari

A professora Dra. Célia Vitaliano, que coordena o projeto

De acordo com o site Brasil profissões (1),  “pedagogo é o profissional especialista em educação. Sua função é produzir e difundir conhecimentos no campo educacional. Esse profissional precisa ser capaz de atuar em diversas áreas educativas e compreender a educação como um fenômeno cultural, social e psíquico complexo”. Com o intuito de analisar a formação desses profissionais, a professora Dra. Célia Regina Vitaliano (2), do Departamento de Educação, coordena o projeto “Análise dos currículos dos cursos de Pedagogia das universidades públicas dos estados do Paraná e de São Paulo, em relação à formação para inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais antes e após as diretrizes curriculares de 2006”.

Foram utilizadas, na análise proposta pela professora Dra. Célia Vitaliano, as diretrizes curriculares do ano de 2006. “Essas diretrizes são organizadas pelo Ministério da Educação e têm como objetivo normatizar os cursos, ou seja, os objetivos de cada curso, o conteúdo profissional, carga horária mínima e etc”. A pesquisadora destaca que houve mudanças nas diretrizes a partir do ano de 2006. “Antes desse ano, algumas universidades tinham a possibilidade de organizar habilitações para a formação do pedagogo. A exemplo disso, aqui na UEL, havia as habilitações em orientação e supervisão educacional, entre outras”. Com as novas diretrizes, o curso de Pedagogia perdeu a possibilidade dessas diferentes habilitações. “O curso de Pedagogia não pode ter mais a habilitação, porém, tem que prover uma formação geral: de gestor e professor de séries iniciais e educação infantil”.

Sobre a educação especial, a professora Dra. Célia Vitaliano explica que após as novas diretrizes de 2006, uma formação mais específica para atuar nessa área passou a ser oferecida na pós-graduação e em cursos de graduação, também nessa área. “Temos, no Brasil, dois cursos de graduação em Educação Especial nas universidades: Federal de Santa Maria e Federal de São Carlos. E as demais oferecem essa formação em cursos de especialização”, afirma.

No Paraná e em São Paulo, segundo a Dra. Célia Vitaliano, de uma forma geral, os currículos mostram-se semelhantes. “Em São Paulo, a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Marília) apresenta seis disciplinas referentes ao processo de inclusão. No Paraná, a maioria dos cursos tem uma ou duas disciplinas que tratam dessa questão, fora a disciplina de “libras” (3). De uma forma geral, os currículos do Paraná e de São Paulo apresentam-se semelhantes”, destaca. No que diz respeito às necessidades educacionais especiais mais recorrentes a doutora ressalta que “hoje temos a área de educação especial que delimita a população alvo de seu atendimento aos alunos com deficiência visual, auditiva, intelectual, física e múltiplas, altas habilidades, transtornos globais de desenvolvimento, que são as psicoses infantis: Síndrome de Autismo e a Síndrome de Asperger (4).

A pesquisadora salienta também que a proposta é que toda essa população participe da sala comum. “O objetivo desse projeto é, justamente, analisar em que medida o curso de pedagogia está preparando o profissional pedagogo. Esse professor tem que estar preparado para receber essa população”. A coordenadora enfatiza que o seu trabalho está embasado, especificamente, na questão da formação do professor para a inclusão. Com esse intuito, ela analisa o que está sendo trabalhado nas universidades, quais são os objetivos previstos e também os conteúdos programados, para apontar o que está faltando, a partir desse panorama da análise de todos os currículos.

Para a professora Célia Vitaliano, a questão da inclusão no curso de pedagogia precisa de mudanças. “As disciplinas que abordam essa questão são teóricas, então, o conhecimento teórico fica muitas vezes distante da vivência do aluno. Para mim uma condição fundamental no processo de formação seria o estágio e é perceptível que os currículos não trazem esse espaço para estágio em escola inclusiva”.

A professora Célia Vitaliano afirma ainda que “há uma política prevendo que todas as escolas especiais tornem-se centro de atendimento especializado. Esses alunos frequentariam o ensino regular em salas normais com os outros alunos e, no contra turno, receberiam o atendimento complementar”. A professora dá ênfase às políticas inclusivas salientando sua necessidade.

Como exemplo do processo de inclusão, a professora destaca o que aconteceu em Arapongas. “O trabalho de uma orientanda minha do programa de mestrado em Educação da UEL (Katia Meserlian) (5)  tinha o processo de inclusão de alunos surdos em uma escola regular caminhando muito bem. Ela organizou as condições necessárias para a inclusão desses alunos”. Ela explica que cada escola é um espaço diferente e, que vai depender, portanto, do conhecimento do seu gestor para desenvolver o processo de inclusão.

De acordo com a coordenadora, já foi analisada nos currículos das universidades, a disciplina de libras, que possui cargas horárias que estão entre 30 e 120 horas. “Não se tem uma uniformidade de objetivos, o programa é diferente, a carga horária é diferente”, destaca. Com os resultados do projeto, será publicado um artigo, sobre essa primeira análise, na Revista de Educação Pública da Universidade Federal do Mato Grosso. “Nós vamos fazer a análise especifica de todas as disciplinas que encontrarmos referentes ao processo de inclusão”, conclui a coordenadora.

(1) Brasil profissões: www.brasilprofissoes.com.br

(2) Célia Regina Vitaliano graduou-se em Psicologia na Universidade Estadual de Londrina (1986), tornou-se mestre em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos (1993) e possui doutorado em Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2002).

(3) “Libras” é a sigla da Língua Brasileira de Sinais, naturais das comunidades surdas. Ao contrário do que muitos imaginam, as Línguas de Sinais não são simplesmente mímicas e gestos soltos, utilizados pelos surdos para facilitar a comunicação. São línguas com estruturas gramaticais próprias. (Fonte: http://www.libras.org.br/libras.php)

(4) O autismo é um transtorno do desenvolvimento, que manifesta-se tipicamente antes dos 3 anos de idade. Este transtorno compromete todo o desenvolvimento psiconeurológico, afetando a comunicação, (fala e entendimento) e o convívio social, apresentando em muitos casos um retardo mental. A Síndrome de Asperger compreende outro transtorno invasivo do desenvolvimento, entretanto diferentemente do autismo infantil, a criança com Síndrome de Asperger apresenta desenvolvimento cognitivo e intelectual normal e não apresenta atraso no desenvolvimento da fala. O desenvolvimento da criança parece normal, mas no decorrer dos anos seu discurso torna-se diferente, monótono, peculiar e há com frequência a presença de preocupações obsessivas. Sua capacidade de interagir com outras crianças torna-se difícil, é pouco empática, apresenta comportamento excêntrico, suas vestimentas podem se apresentar estranhamente alinhadas e a grande dificuldade de socialização tende a torná-la solitária. Há prejuízo na coordenação motora e na percepção visoespacial. Fonte: www.bengalalegal.com/autidefi.php

(5) A dissertação de mestrado de Katia Meserlian – Análise do processo de inclusão de alunos surdos em uma escola municipal de Arapongas pode ser acessada através do link:http://www.uel.br/pos/mestredu/images/stories/downloads/dissertacoes/2009/2009%20-%20MESERLIAN,%20Katia%20Tavares.pdf

Créditos da foto: Deborah Vacari


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