Por meio de dados de uma década, pesquisa analisa mudanças na economia brasileira

Projeto do Departamento de Economia analisou a geração de emprego e renda de 1990 até 2003

Edição: Beto Carlomagno
Pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Lucas Marcondes

Plano Real, inovações tecnológicas, abertura comercial, taxas cambiais inconstantes. A década de 1990 foi caracterizada como um período de mudanças na economia brasileira. Essas transformações afetaram a geração de emprego e renda. Com isso em mente, o Professor Doutor Umberto Sesso Filho, engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado e doutorado em Economia pela mesma instituição, desenvolveu o projeto de pesquisa “Reestruturação produtiva e emprego na economia brasileira” junto ao Departamento de Economia do Centro de Estudos Sociais Aplicados (CESA), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

A iniciativa, segundo o doutor Umberto Sesso Filho, “visava analisar o efeito da tecnologia, da produtividade no trabalho, do consumo familiar e das exportações sobre o emprego”. O período pesquisado foi de 1990 até 2003 e os dados, coletados junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), se referem tanto a empregos formais quanto informais. Finalizado no último dia 30 de setembro, o projeto já têm seus resultados publicados em dois artigos, duas revistas e servirá também como tese de mestrado de um estudante de Economia da UEL. Entre as informações obtidas, o pesquisador destaca como a queda no valor do dólar no final da década de 1990 fez com que o sistema produtivo brasileiro importasse mais tecnologia. Tal fator, de acordo com ele, diminui a oferta de emprego. “Uma máquina faz o trabalho de vários homens”, indica.

Perguntado sobre como um trabalhador pode estar preparado para o efeito da tecnologia, Sesso Filho indica que não somente a qualificação acadêmica é um fator importante, mas também o estudo de uma língua estrangeira, como o inglês e o espanhol – esse último, segundo ele, está crescendo em importância graças à instalação de empresas espanholas como a Telefônica e o Banco Santander no Brasil. O economista destaca também que o relacionamento humano deve ser desenvolvido. Esse quesito, aponta ele, “está em falta na faculdade”.

O pesquisador expõe “três pontos importantes no tempo” nesse período da economia brasileira. O primeiro, de acordo com ele, ocorreu em 1994, com o Plano Real. O segundo e terceiro momentos, indica, se deram respectivamente com desvalorização do câmbio em 1999 e com a alta no preço das commodities a partir de 2003. Ele comenta também que a partir de 1994, com a criação do Plano Real, os trabalhadores passaram a migrar mais de um setor da economia para outro.

O professor Doutor Umberto Sesso Filho destaca o crescimento do setor terciário, o de comércio e serviços, que exige menor qualificação profissional. Essa elevação, comenta, foi impulsionada pela intensidade e variação da demanda final, composta por produtos ou serviços para o consumo. Sobre os resultados dos últimos anos, o economista vê a exportação como um fator importante para a geração de emprego, porém critica a dependência que as exportações brasileiras têm em relação à China. No âmbito regional, o pesquisador comenta que a agropecuária continua sendo o carro-chefe da economia paranaense. Além disso, ele frisa o crescimento significativo da construção civil em Londrina, o que, diz, foi impulsionado pela grande oferta de crédito imobiliário. Um dos artigos feitos graças ao material pesquisado no projeto pode ser lido em:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-80502010000100007&script=sci_arttext

 

Imagem: Google Imagens

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