Projeto visa prevenção da violência contra crianças e adolescentes

Professora do departamento de Serviço Social estuda causas da violência no modo de distribuição do espaço urbano

Edição: Tatiane Hirata
Pauta e Reportagem: Isabela Nicastro

Um estudo de caso sobre a influência do ambiente urbano nos casos de violência infanto-juvenil. É esse o objetivo do projeto de extensão ‘Desenho urbano e violência praticada contra crianças e adolescentes’. Criado em março de 2009 e coordenado pela professora doutora  Vera Lúcia Suguihiro, que possui graduação em Serviço Social pela Universidade Estadual de Londrina, mestrado e doutorado em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

De acordo com informações cedidas pela dra. Vera Suguihiro, entende-se o desenho urbano como um processo que propõe intervenções na cidade, considerando o planejamento, a gestão e o projeto do espaço. “Envolve, portanto, a legislação que expressa as intenções municipais relativas a produção do espaço urbano, a gestão que demonstra a implantação das intenções legais e os projetos, os quais são a sua concretização, a solução formal. Assim, além de responder a qualidade física do espaço, o desenho também tem forte influência nas experiências e ações individuais da população”, afirma.

A coordenadora explica que, em um primeiro momento, são selecionadas equipes de trabalho que discutem livros, filmes relacionados ao tema, entendem e identificam a violência e a importância da divisão urbana. A partir disso, segue-se um levantamento junto ao Centro de Sócio Educação (CESE) e aos três Conselhos Tutelares de Londrina (norte, sul e centro) dos bairros mais violentos da cidade. Com base em dados estatísticos, o bairro mais violento é selecionado e os estudantes se dirigem ao local, entrevistando pais e adolescentes, fiscalizando o investimento em políticas públicas, a infra-estrutura do espaço e  as oportunidades  oferecidas ao jovem.

O projeto visa dar subsídios para uma ação preventiva. Segundo a coordenadora professora Vera Lúcia Suguihiro, geralmente, as políticas públicas existentes iniciam-se somente quando as crianças e os adolescentes já cometeram o ato. Daí o crescimento contínuo na prática de delitos. “É preciso criar possibilidades para que os direitos fundamentais se efetivem por meio da organização política e do espaço. São esses:  vida e saúde; liberdade; respeito e dignidade; convivência familiar e comunitária; educação, esporte, cultura e lazer; proteção ao trabalho e  profissionalização – com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, conclui a coordenadora.

“Há uma criminalização da juventude. A adolescência tem sido compreendida como sinônimo de criminalidade, o que não contribui para a boa formação dos jovens.  O que eles precisam são de oportunidades. O neologismo ‘aborrêcência’ generaliza a situação e não favorece o surgimento de ações preventivas e sociais”, afirma a dra. Vera Suguihiro. O projeto, assim como outros desse mesmo cunho social, entende que, a partir desses estudos e comprovações, poderão ser traçados novos parâmetros que modifiquem a situação de violência da população infanto-juvenil.

Financiado pela Fundação Araucária, o projeto tem término previsto para março de 2012. A professora dra. Vera Suguihiro explica tratar-se de um trabalho multidisciplinar, pois envolve diversas áreas do conhecimento, como Psicologia, Serviço Social, Arquitetura e Urbanismo e Ciências Sociais. Conta em média com 13  colaboradores, dentre eles alunos em séries diferentes do curso.

 

Imagem: Google Imagens

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