Gestão de Design pode ajudar pequenas indústrias

Projeto do departamento de designe gráfico trabalha com estratégias para tornar um produto artesanal competitivo no mercado globalizado

Edição e reportagem: Beatriz Pozzobon
Pauta: Laura Almeida

A globalização mudou a dinâmica de mercado. Se antes a competição se dava entre vizinhos, hoje a concorrência está em âmbito mundial. “Com a globalização, eu tenho produtos da China, da Itália, da Alemanha competindo dentro do meu mercado. Vender só para o meu vizinho, ou para um grupo mais próximo deixou de ser uma estratégia competitiva e eficaz. Então, a gente tem que pensar além”, explica a professora Ana Paula Perfetto Demarchi.

Ela se prepara para a defesa do seu doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Ana Paula Demarchi é graduada em Desenho Industrial pela Faculdade Mackenzie, de São Paulo, fez um curso de especialização em Computação Gráfica, na Inglaterra e, quando retornou ao Brasil concluiu mestrado em Administração pela Universidade do Norte do Paraná – Unopar. Atualmente, é docente da Universidade Estadual de Londrina – UEL, onde leciona aulas de gestão de design, metodologia e criatividade para os cursos de graduação de Design Gráfico e Design de Moda. Ana Paula Demarchi é também docente da especialização em Gestão de Design.

De acordo com a professora, o sistema de gestão de design, dentro do mundo globalizado, pode ajudar as pequenas indústrias a competir no mercado atual. “A globalização mudou essa dinâmica de mercado e o sistema de gestão de design vai ajudar essa pequena indústria do interior, uma pequena propriedade transformar seu produto em um produto que possa competir no mundo globalizado”, afirma Ana Paula Demarchi. É dentro desse contexto, que o projeto “Sistema de Gestão Estratégica de Design”, que é coordenado por ela, atua.

Ana Paula Demarchi conta que a ideia do projeto surgiu em 2000, e que a área “gestão de design” é muito nova no Brasil, sendo que as discussões sobre esse tema começaram no fim da década de 90. “Eu me interessei e comecei a trabalhar com a gestão em design já em 2000”, diz a professora. Segundo ela, esse já é o terceiro projeto sobre gestão de design dentro da UEL. Ana Paula Demarchi conta também que a cidade se tornou uma das referências sobre o assunto, juntamente com Santa Catarina, São Paulo e Bahia.

O projeto é desenvolvido em pequenas organizações agro-industriais que trabalham com produtos artesanais. A professora explica que dentro dessas organizações é trabalhado também o aprendizado. “Tem um modelo que trabalha com a extração do conhecimento de maneira mais elaborada e a conversão considerando os aspectos do design thinking, maneira do designer de pensar, que prospecta o futuro e trabalha sempre com a ideia de criatividade e inovação. E tem também uma etapa final, que era esquecida pela gestão de design, que é o aprendizado, ou seja, ensinar a trabalhar com inovação”, explica Ana Paula Demarchi.

Segundo a professora, no projeto é trabalhada não apenas a imagem do produto, mas também as estratégias de inovação, para que a indústria possa competir com outras maiores. “A gente trabalha desde imagem, embalagens, estratégia de divulgação, estratégia de entrada no mercado, agrega valor e tenta traduzir o valor cultural que aquela organização tem”, afirma a professora. Mas ela reforça dizendo que “trabalhamos também em um âmbito maior, dentro da estratégia de como a organização pode entrar com aquele produto artesanal no mercado e conseguir sobreviver e competir com as grandes indústrias”.

De acordo com Ana Paula Demarchi, algumas vezes é necessário buscar a ajuda de outras áreas visando à qualidade do produto, como a Química e a Agronomia, já que alguns podem perecer dependendo da embalagem escolhida. Como os produtos são mais trabalhados, a professora afirma que os preços também são maiores, mas que é papel do designer mostrar para o consumidor as vantagens do produto, mesmo com um preço um pouco mais elevado. “Eles têm toda uma essência artesanal, e é justamente isso que os diferencia”, afirma.

Ana Paula Demarchi diz também que a qualidade do produto, nos olhos do designer, é saber o que o consumidor espera do produto em questão. “Os produtos ficam com um peso maior porque agregamos valor a ele. Valor sustentável, valor cultural. A sensação de culturalidade que a gente agrega na imagem, vai também agregar valor”, explica.

“É por isso que o papel do designer torna-se essencial”, destaca Ana Paula Demarchi. A professora explica essa questão dizendo que “o nosso papel como designers gráficos é converter todo e qualquer valor emocional, cultural, qualquer conhecimento que a organização tenha em identidade e trabalhar de uma maneira que eu construa uma imagem em cima dessa marca, que as pessoas vejam a cultura, o valor que eu quero que elas vejam”.

Café, vinho, chocolate, carne, macadâmia (noz oriental) são exemplos de produtos trabalhados pelo projeto de Gestão de Design. As organizações atendidas pelo projeto são próximas da cidade de Londrina, com exceção dos vinhos que são do Rio Grande do Sul.

“A intenção é publicar dois livros com os resultados do projeto. Os livros terão duas abordagens, uma sobre a parte de extração e conversão do conhecimento, o conhecimento cultural do grupo, traduzido em marca e construído uma imagem. E o outro livro contará o aprendizado das organizações e os mecanismos utilizados”, afirma a professora Ana Paula Demarchi.

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