Projeto visa a educação ambiental por meio da comunicação

Estudantes de Engenharia Civil produzem documentários e concurso de fotografia para estimular a consciência ambiental

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta: Karina Constâncio
Reportagem: Gabriel Bandeira

O projeto de pesquisa “O lançamento clandestino de resíduos sólidos urbanos junto a regiões periféricas e fundos de vales de Londrina: uma proposta de conscientização popular”, do Departamento de Construção Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL); coordenado pelo professor doutor Gilson Morales, tem o objetivo de conscientizar a população, particularmente os estudantes universitários e do ensino médio, sobre a importância da preservação ambiental e do desenvolvimento sustentável através de uma campanha de conscientização ambiental.
O professor doutor Gilson Morales é graduado em Engenharia Civil pela UEL, com mestrado e doutorado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) voltados para a área de reciclagem do lodo de esgoto sanitário, estágio doutoral na École des Ponts et Chaussées de Paris sobre o mesmo tema e pós-doutorado na Universidade Federal de Florianópolis (UFSC) na área de Gestão Ambiental.

Conexão Ciência: Qual é o objetivo do projeto?
Prof. Dr. Gilson Morales: Identificar os pontos de lançamentos clandestinos de resíduos na cidade de Londrina. A partir dos dados obtidos, será produzido material de divulgação que conscientize as pessoas sobre a importância da preservação ambiental e desenvolvimento sustentável. O foco principal são os estudantes universitários e do ensino médio. O importante é estimular os estudantes de engenharia civil a desenvolverem propostas de conscientização ambiental. Atuar também no ensino médio porque eu acredito muito na formação básica. O indivíduo que até os 13 anos não desenvolveu a cidadania, vai ser difícil desenvolver depois dessa idade. A educação começa em casa.

Conexão Ciência: Como funciona o projeto?
Prof. Dr. Gilson Morales: A cidade foi dividida em cinco áreas: norte, sul, leste, oeste e centro. Os alunos foram divididos em grupos e fizeram inspeções locais para identificar quais eram os pontos mais críticos de lançamentos clandestinos em terrenos baldios, praças públicas, vales e locais onde não havia vigilância. Também foram realizadas entrevistas com a população em feiras livres, áreas de lazer, escolas, universidades e no centro da cidade na tentativa de verificar o nível de informação das pessoas sobre preservação ambiental.

Conexão Ciência: Quais foram os resultados obtidos?
Prof. Dr. Gilson Morales: Constatou-se que a situação mais crítica está na zona norte com 35% dos pontos de lançamentos de resíduos em Londrina, seguido pela zona sul – 24%, zona oeste – 22% e zona leste – 19%. A maior parte dos resíduos despejados são produtos de material de construção civil como cerâmicas, argamassas, concreto e madeira. Os impactos causados, com diferentes porcentagens em cada região, foram os seguintes: poluição visual, degradação da vegetação, proliferação de insetos vetores de doenças, obstrução de vias públicas, assoreamento de rios, lagos ou córregos e entupimento da rede de drenagem urbana. Sobre o resultado das entrevistas realizadas com a população, ficou evidente a falta conhecimento sobre o que é sustentabilidade, agressão ao meio ambiente, quais resíduos podem ser reciclados ou não, etc. E isso não depende de condição socioeconômica. Depois desse levantamento, começamos a pensar as propostas de criação de material para conscientização da população sobre preservação ambiental.

Conexão Ciência: O que já foi feito para divulgar a importância da preservação ambiental?
Prof. Dr. Gilson Morales: Este ano (2011), é o ano das propostas. Nós temos dois documentários em fase de produção. Os alunos já fizeram várias tomadas nas quais eles são os atores em alguns momentos. Existe também uma parte de desenho animado. Depois que os documentários estiverem prontos, a intenção é apresentá-los em escolas públicas, em locais de concentração de pessoas, aqui na UEL também, com o objetivo de chamar a atenção da população. O documentário tem uma linguagem provocante, atual, de questionamento e vai mostrar cenas do cotidiano. Talvez as pessoas se “vejam” no documentário ao lembrar de situações parecidas quando os mesmos erros foram cometidos. Este documentário está sendo orientado pelo engenheiro civil e diretor de curta metragem Guilherme Peraro, que já trabalhou na produção de filmes ligados à Kinoarte* em Londrina, e pela jornalista Débora Morales. Então, nós pretendemos finalizar com um curta-metragem e apresentá-lo em algum festival. Não sei se é muita pretensão, mas acreditamos que seja possível.

Conexão Ciência: Quem está financiando esse documentário?
Prof. Dr. Gilson Morales: Nós que estamos envolvidos no projeto. A pró-reitoria de extensão da UEL tem dado uma pequena ajuda, mas a maior parte somos nós que financiamos.

Conexão Ciência: Qual é a previsão para o documentário ser finalizado? Já existe a negociação de alguma mostra para o documentário ser exibido?
Prof. Dr. Gilson Morales: A ideia é finalizar o documentário até o final deste ano. Estamos na fase de edição e sonorização que leva tempo. Sobre a exibição em alguma mostra, ainda não existe nada definido.

Conexão Ciência: Além do documentário, existe algum outro projeto de divulgação?
Prof. Dr. Gilson Morales: Ainda temos para este ano a ideia de um concurso de fotografias voltado para a temática do lançamento de resíduos. O concurso será aberto aos estudantes do ensino médio e aos universitários de outras instituições além da UEL. As fotos serão escolhidas por especialistas da área de fotografia para depois ser montada uma exposição em espaços públicos. O objetivo é sensibilizar ainda mais as pessoas sobre a importância de preservar a natureza. A linguagem visual é muito importante para isso.

Conexão Ciência: O resultado da pesquisa será publicado em alguma revista cientifica ou publicação do gênero?
Prof. Dr. Gilson Morales: O artigo será publicado na revista Semina Tecnologia da UEL e na Acta Scientiarum da UEM. Existe também a intenção de publicar em um veículo que seja da área de engenharia ambiental.

*A Kinoarte é uma associação cultural sem fins lucrativos criada em julho de 2003 e com atuação em quatro áreas: produção, exibição e preservação de filmes, além da realização de projetos de formação audiovisual. Em seis anos e meio, a Kinoarte produziu cerca de 20 filmes nos mais variados suportes (35mm, HDV, mini-DV, super-8), conquistando mais de 20 premiações em festivais nacionais e internacionais.

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