Uma nova perspectiva sobre a aprendizagem nas escolas

Grupo de pesquisa do departamento de pedagogia a Universidade Estadual de Londrina busca novas alternativas para o processo de aprendizagem de alunos e professores

Edição e pauta: Beatriz Pozzobon
Reportagem: Ana Maria Simono

Apesar do empenho e de alguns investimentos na formação de professores, os dados divulgados pelo Ministério da Educação revelam que ainda há muito a ser feito. Os resultados obtidos em avaliações nacionais e internacionais, como a Prova Brasil, o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), não apenas confirmam como reforçam as críticas sobre a aprendizagem no país.

Incomodada com a abordagem essencialmente negativa da questão escolar, a professora doutora Sandra Regina Ferreira de Oliveira, graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, mobilizou-se na elaboração de um projeto de pesquisa através do qual as pessoas, de um modo geral, pudessem visualizar as possíveis causas do fracasso escolar sob uma nova perspectiva. “Se já sabemos há 30 anos que a forma como estamos nos organizando não traz os resultados que gostaríamos de ter, por que ainda continuamos nos organizando desta forma? Há outras possibilidades?” questiona a professora doutora, coordenadora do projeto.

A pesquisa iniciou-se em junho de 2010 e recebeu o nome “Histórias de Sucesso Pedagógico: Outros olhares para o Ensino e a Aprendizagem na Escola”. O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação Araucária, e pretende, à primeira instância, analisar o processo de aprendizagem de alunos e professores e entender quais são os princípios pedagógicos que sustentam uma experiência bem sucedida. Segundo a professora doutora, a proposta principal é convidar alunos, professores e funcionários das escolas municipais e estaduais de Londrina para relatar suas histórias de sucesso pedagógico e, a partir delas, pensar as falhas escolares.

“Precisamos nos reinventar para podermos entender e propor um modelo de aprendizagem com alternativas. Pensei em um jeito de chegar aos problemas da escola por outro caminho, e esse jeito foi convidando alunos, professores, zeladores, gestores e quem mais quisesse, a contar sobre o ambiente escolar na sua perspectiva de sucesso. O projeto não ‘fecha os olhos’ para os problemas que o ensino tem. É por ter ciência desses problemas que estamos tentando suplantar as dificuldades e estabelecer novas possibilidades de aprendizagem”, explica Sandra Regina Oliveira.

De acordo com ela, a coleta total de dados ainda não tem previsão porque o projeto está atrasado em um mês no cronograma.”Mas já estão ocorrendo visitas a algumas escolas para explicá-lo. Ela será realizada por meio de cinco caixas que ficarão expostas em vinte escolas de Londrina, dez municipais e dez estaduais, nas quais todos os alunos, professores e funcionários poderão depositar depoimentos sobre as suas experiências de sucesso no ambiente de ensino, embora estes relatos possam ser enviados também via internet. A caixa ficará na escola por cerca de duas semanas”, esclarece a professora doutora. Ela afirma também que esta será uma forma de vínculo, mediação, que “levará o pesquisador para a escola sem que ele esteja necessariamente lá”. “Das histórias coletadas, cinqüenta serão escolhidas, e as pessoas que as relataram serão convidadas a formar um grupo focal. A idéia será formar de dois a três grupos focais com cerca de quinze alunos cada para discutir essas histórias e fazer seu mapeamento”, conta Sandra Regina Oliviera.

De acordo a professora doutora, a metodologia aplicada deverá basear-se em três fases principais: o processo de aprendizagem de alunos e professores, a forma como se dá a relação tempo/espaço na escola e a relação com o saber, que deverá ser obtida através da análise do banco de dados. “Não se sabe se as histórias coletadas serão muito distintas umas das outras ou se haverá homogeneidade entre elas, nem mesmo se esses relatos se aproximarão mais dos fazeres do que necessariamente da aprendizagem. Aquilo que a gente vê de fora como sucesso pedagógico pode não se concretizar na visão daqueles que estão lá dentro, e então temos uma lacuna muito grande; se a Universidade fala uma língua e a escola fala outra, dificilmente nos entenderemos se não criarmos meios para interpretar essas diferenças”, afirma Sandra Regina Oliveira.

A intenção final será promover um grande debate aberto ao público para “pensar a escola” e então elaborar um livro sobre a realidade escolar. Para a professora doutora, essa será uma forma inovadora e democrática de apresentar e consolidar novas possibilidades para o enfrentamento dos problemas escolares.

Crédito imagem: Divulgação


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: