Estudo analisa enfermeiros de pronto socorro sob estresse

Projeto de pesquisa busca identificar as cargas à que os enfermeiros estão expostos e encontrar estratégias que promovam a saúde dos mesmos

Pauta e Edição: Paola Moraes
Repórter: Yudson Koga

Correria e noites em claro em um pronto socorro são rotinas para os enfermeiros, que são submetidos a constantes e diversas pressões. Ao notar certo estresse por parte dos enfermeiros no Hospital Universitário Regional do Norte do Paraná (HURNP) e motivada por ser docente e supervisora de estágio dos alunos no pronto socorro, a coordenadora do colegiado do curso de enfermagem na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Julia Trevisan Martins, graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Fundação Educacional do Sul de Santa Catarina, mestra e doutora de Enfermagem na Saúde do Trabalhador pela Universidade de São Paulo (USP), decidiu realizar um projeto de pesquisa a respeito das cargas no trabalho de enfermeiros atuantes em unidades de pronto socorro, estudando os enfermeiros do HURNP e visando encontrar as razões de tanto estresse.

Julia Trevisan afirma que o projeto, que está com o arquivo já concluído e encaminhado para a revista de enfermagem da USP, só aguardando para então ser publicado, concluiu que os enfermeiros vivenciam cargas físicas, biológicas e ergonômicas, mas a que mais pesa é  a psicológica, sendo desencadeada principalmente pela “vaga zero”, ou seja, quando há muitos pacientes e nenhuma vaga livre. Os enfermeiros, segundo a professora doutora, se deparam diversas vezes com pessoas precisando de assistência e que não são atendidas, afetando o psicológico.

A coordenadora do projeto ainda cita outro fator que contribui para o acúmulo de estresse dos enfermeiros, que seria a falta de segurança da população nas unidades básicas de saúde, os postinhos. Julia Trevisan explica que casos simples, que poderiam ser tratados em uma dessas unidades, são levados ao pronto socorro, superlotando e sobrecarregando o Hospital Universitário. Portanto, a conscientização da população é  uma questão que seria de grande ajuda.

“Para sobreviverem a essa carga, eles vão à missa, nadam, fazem educação física, lêem, jogam baralho, se ajudam na equipe, dançam e se desligam totalmente do ambiente de trabalho quando chegam a suas casas.” explica Julia Trevisan. “Porém, todas essas formas de lidar com a carga psicológica encontradas pelos enfermeiros são realizadas em casa e individualmente. Ajudam, mas não é a solução.” afirma a doutora, que já trabalhou com sofrimentos no trabalho em suas teses de mestrado e doutorado, ressaltando também que o grupo deve procurar soluções junto. “A própria equipe deve unir forças no coletivo, e as estratégias devem ser criadas dentro do próprio ambiente de trabalho.”, expõe.

Durante as pesquisas, Julia Trevisan teve contato com outro grupo do pronto socorro: os operacionais de limpeza. Percebendo que esses trabalhadores também sofriam cargas, sendo as maiores delas a física e a biológica, a doutora encaminhou os dados coletados ao comitê de projetos, para que se possa criar um estudo voltado a esses profissionais.

A doutora pretende, ainda, levar o estudo desenvolvido para outros hospitais: “Umas das finalidades desse estudo é que a gente possa replicá-lo em outros hospitais, para tentar identificar se eles possuem a mesma carga emocional que o pronto socorro estudado sofre, e, se o tiverem, ver o que podemos fazer.” finaliza.

Também com esse projeto de pesquisa, que conta com a colaboração de professoras do curso de Enfermagem da UEL e assessoria de professoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, criou-se o Núcleo de Estudos da Saúde do Trabalhador da Universidade Estadual de Londrina (NUESTUEL), também coordenado pela professora doutora Julia Trevisan Martins. É o segundo núcleo do Brasil, sendo o primeiro localizado na USP de Ribeirão Preto.

Foto: http://www.uel.br/ccs/enfermagem/acessar.php/julia_trevisan.html


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