Pesquisa busca levantar dados sobre a criminalidade juvenil

Departamento de Estudos Sociais realizou pesquisa para traçar perfil de adolescentes de Londrina e região envolvidos com a criminalidade

Professora Vera Lúcia Sugihiro coordena projeto de pesquisa sobre criminalidade Juvenil em Londrina e região

Edição: Beatriz Pozzobon
Pauta:  Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Pamela Oliveira

“O objetivo da pesquisa é conhecer um pouco sobre o que leva esses adolescentes a entrar na criminalidade”, diz professora Vera Lúcia Tieko Suguihiro, coordenadora do projeto de pesquisa “Criminalidade Juvenil – A vulnerabilidade dos adolescentes”. Ela é formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em Serviço Social, mestre e doutora em política social e serviço social pela Pontifica Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Segundo a professora doutora, a iniciativa da pesquisa, que já está em fase de conclusão, deu-se quando os cursos da UEL de serviço social, psicologia, artes visuais, pedagogia e direito, faziam um trabalho de capacitação e qualificação dos conselheiros tutelares na região que compunha os 22 municípios da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema – Amepar.  “Começamos a observar que muitos dos temas recorrentes dos conselheiros tutelares eram em relação ao tratamento dos adolescentes e às políticas públicas voltadas para os adolescentes em conflito com a lei”, explica.

Conforme disse Lúcia Tieko Suguhiro, o projeto visa tratar da situação dos adolescentes em conflito com a lei, buscando identificar o perfil de sua família, quais são os principais atos infracionais que eles cometem, como roubo, furto e homícido e seus motivos. Ela explica ainda que projeto pôde concluir que há uma ausência muito significativa de políticas públicas voltadas aos adolescentes em relação à prevenção. Segundo ela, tanto Londrina e região quanto o resto do Brasil continuam com um vácuo em relação a ações preventivas para os jovens. “Normalmente o que existe são programas que atendem esses adolescentes só depois que eles vieram a cometer o ato infracional”, diz a professora doutora.

O levantamento de dados foi realizado em parceria com o Centro de Socioeducação de Londrina (CENSE I e II), informa a professora. “Foi feito todo um trabalho de visita junto às famílias dos jovens que estavam no Cense II, que são os adolescentes que têm uma medida de cumprimento de pena já determinada pelo juíz”, diz ela, que também explica que as visitas a essas famílias foram realizadas pelos alunos da UEL ligados ao projeto. Os alunos fazem as entrevistas para recolher os dados, após passar por treinamento.

A professora doutora diz que por meio dessas visitas pôde-se constatar que as famílias dos jovens envolvidos com atos infracionais são de baixa escolaridade e possuem um poder aquisitivo muito pequeno, em média um salário mínimo. Além disso, muitos têm problemas de relacionamento familiar. “Há jovens que não sabem quem é o pai, pois às vezes a mãe troca de parceiro com muita frequência. Há também as famílias monoparentais, em que muitas vezes é a mãe quem assume a responsabilidade de educar e criar esses jovens”, afirma Vera Lúcia Sugihiro.

Para a professora doutora, esses adolescentes não crescem em um ambiente de companheirismo e amizade, em contrapartida, vivenciam muita violência. “Eles entram em contato desde pequenos com a violência praticada pela própria mãe, pelo pai, ou pelo padastro. Então preferem ir às ruas do que a ficar em casa”, diz.

A professora doutora Vera Lúcia Tieko Suguihiro ainda informa que com o projeto também se pôde perceber que, embora muitos adolescentes tenham saído de casa por motivos de violência, eles querem retornar às suas famílias. “Na verdade os nossos jovens querem ter um vínculo familiar, porém a condição de vida os afasta de casa”, explica ela. Outro dado importante é a mudança do perfil desses jovens. Segundo a professora doutora, a criminalidade hoje está associada muitas vezes às drogas. “Até alguns anos atrás o jovem que era envolvido em ato infracional cometia pequenos furtos. Hoje, o perfil é outro. São cada vez mais jovens e cometem crimes mais graves”, afirma.

Latrocínio, roubo e homicídio estão na lista das infrações cometidas por esses adolescentes atualmente. “Os jovens antes praticavam furtos para suprir necessidade de ter uma camiseta, uma calça jeans, um tênis. Hoje, muitas vezes estão drogados quando cometem um roubo, então utilizam de ações violentas para conseguir o que desejam”, explica.

O projeto começou em 2008 e está em fase de conclusão. Conforme explicou a professora doutora Vera Lúcia Tieko Sugihiro haverá um relatório final em formato de livro em que estarão os dados da pesquisa. A publicação está prevista para o segundo semestre deste ano.
Crédito da foto: Pamela Oliveira

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