Projeto analisa benefícios do chá verde a da aveia

Estudo visa identificar os efeitos positivos desses alimentos na saúde de pacientes com síndrome metabólica

O professor doutor Décio Sabbatini e sua orientanda Chiara Bortolasci demonstram que a mudança de hábitos alimentares pode, efetivamente, melhorar a qualidade de vida

Edição: Beatriz Pozzobon

Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji

Reportagem: Ana Luisa Casaroli

“Os alimentos funcionais são aqueles que, além da função nutricional, colaboram na prevenção de problemas de saúde. O chá verde e a aveia são bons exemplos.”  É o que afirma  o professor doutor Décio Sabbatini Barbosa, coordenador do projeto “Avaliação dos efeitos do consumo de chá verde e/ou aveia no perfil lipídico e estresse oxidativo em pacientes com síndrome metabólica”, cujo foco de estudo é a aveia e o chá verde. Ele é orientador da mestranda Chiara Cristina Bortolasci.

Décio Sabbatini é graduado em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Análises Clínicas pela Universidade de São Paulo (USP) e doutor em Patologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). É docente dos cursos de farmácia e medicina da UEL. O professor é o atual coordenador do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde (vinculado ao Centro de Ciências da Saúde – CCS), na UEL. Ele e a aluna de mestrado Chiara Bortolasci iniciaram o projeto em julho do ano passado, e continuam a colher amostras de pacientes. O médico Emerson Sampaio, a aluna de farmácia Luciana Higachi e a nutricionista Clisia Mara Carreira também participam do projeto. O objetivo dos envolvidos é demonstrar, cientificamente, que o chá verde e a aveia podem contribuir para uma melhora na saúde dos portadores de síndrome metabólica.

“A síndrome metabólica é caracterizada pelos seguintes fatores: adiposidade abdominal (gordura localizada na região da barriga), hipertensão, níveis de triacilgliceróis (gordura no sangue) aumentados, colesterol HDL (mais conhecido como ‘bom colesterol’) baixo e hiperglicemia”, explica Décio Sabbatini. Segundo ele, no Brasil, o número de casos vem aumentando, graças aos maus hábitos da população, como sedentarismo e alimentação inadequada. O estudo é feito com cem pacientes portadores da síndrome, divididos em quatro grupos: consumidores do chá, consumidores da aveia, consumidores de ambos e não consumidores de nenhum dos dois. Esse último grupo faz apenas uma dieta hipolipemiante, isto é, uma dieta de redução de gordura.

O projeto mede os marcadores inflamatórios, substâncias químicas presentes no organismo, que indicam a presença de inflamações e também avalia o estresse oxidativo dos pacientes. “O estresse oxidativo é um desequilíbrio entre a produção de radicais livres e antioxidantes”, define Chiara Bortolasci, mestranda do projeto. “Não há ainda um consenso entre os cientistas na relação entre síndrome metabólica e estresse oxidativo; na verdade, não se sabe exatamente qual deles é a causa e qual é a consequência”, completa o professor doutor. Ele diz ainda que coletas de sangue, exames, medidas de peso e questionários nutricionais são feitos durante o acompanhamento dos indivíduos.

Os componentes benéficos do chá verde são as catequinas, nutrientes de ação antioxidante. Recomenda-se, segundo o professor doutor, a ingestão de três gramas em meio litro de água, diariamente, para que os efeitos sobre o organismo sejam notáveis, principalmente em nível do aumento das defesas antioxidantes. “O consumo deve ser feito ao longo de todo o dia, pois as catequinas têm um tempo de meia-vida curto. Não adianta beber tudo de uma vez só”, ele observa. Já na aveia, encontra-se a beta-glucana, um carboidrato conhecido popularmente como fibra alimentar. Em trinta gramas de aveia, há, aproximadamente, três gramas da substância, quantidade diária ideal.

A expectativa dos pesquisadores é de que o grupo que associa os dois alimentos, chá verde e aveia, apresentará os mais significativos benefícios para a saúde: melhora no perfil lipídico, na glicemia, nos marcadores inflamatórios e nos marcadores de estresse oxidativo.

Serviço:

Caso haja interesse por parte da comunidade em participar deste projeto, por favor entrar em contato com Chiara Cristina Bortolasci, no Laboratório de Pesquisa e Pós-Graduação do Hospital Universitário de Londrina (tel. 3371-2451 ou 9953-8326).

Crédito foto: Ana Luisa Casaroli

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