Projeto do Departamento de Design reúne moda, sustentabilidade e inclusão social

Oficina de moda, que em 2011 terá sua 2ª edição, reaproveita resíduos que gerariam impacto ecológico e auxilia participantes socioeconomicamente

Oficina proporciona valiosa troca de saberes

Edição e pauta: Paola Moraes
Reportagem: Nathalia Maciel

O projeto de pesquisa que prevê o desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis para os produtos e processos do Arranjo Produtivo Local (APL) de vestuário de Londrina e região foi criado em decorrência do pós-doutorado em Design para a sustentabilidade da professora doutora Suzana Barreto Martins, coordenadora da iniciativa. Ela possui graduação em Desenho Industrial pela Universidade Federal do Paraná, mestrado em Desenho Industrial pela Universidade Nacional Autônoma do México e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina.A partir do projeto, está sendo criado no departamento de Design da Universidade Estadual de Londrina (UEL) o Núcleo de Design e Sustentabilidade, no qual são desenvolvidas redes de trabalho e intercâmbio entre alunos e comunidades locais.

Ao contrário do que muitos pensam, a sustentabilidade vai além da preocupação com o meio ambiente, segundo a coordenadora do projeto. Sua base é um tripé que busca favorecer e conciliar o desenvolvimento econômico, o social e a gestão ambiental. A professora doutora explica que ainda não existe um programa ou um pensamento eficiente em longo prazo de como frear o consumo exacerbado da sociedade industrial, mas há como trabalhar por um consumo mais consciente, no sentido de minimizar os impactos ambientais. Sobre o desenvolvimento social, que deveria garantir a geração de trabalho e renda dignos, Suzana Barreto afirma que acaba comprometido por empresas que, muitas vezes, até transmitem idéias de sustentabilidade e responsabilidade social, mas que na prática exploram e remuneram mal seus funcionários.

“A indústria do vestuário é uma das que mais consome tanto no cenário nacional como no internacional. É a que mais emprega e a que mais fatura, sendo obviamente responsável por grandes impactos”, garante Suzana Barreto. Para a doutora, chega a ser paradoxal falar em um conceito sustentável na moda porque ela torna automaticamente obsoleto o que é novo através do fast-fashion. Em contraposição, ela conclui que é possível trabalhar desde a concepção de um produto pensando no ecodesign e nas etapas metodológicas do processo de produção, tendo em vista a necessidade de garantir o mesmo espaço ambiental para as gerações futuras.

O projeto, portanto, de acordo com a professora doutora responsável, visa trabalhar com os requisitos básicos da sustentabilidade desde a concepção de um produto. Utilizando o mínimo de recursos não-renováveis, a oficina de moda, que é parte integrante do projeto de pesquisa, produz peças sem a costura tradicional, realizada em máquina, para poupar energia, linha e aviamentos. A produção limpa parte de modelagens feitas com tesouras e amarrações apenas e a inventividade faz com que cada peça tenha vários usos, por exemplo, uma saia vira blusa, sempre a partir de resíduos têxteis doados por empresas.

A primeira edição das oficinas teve duração de oito semanas e dela participaram além de ex-alunos e estudantes de moda, as habilidosas senhoras integrantes da Universidade Aberta para a Terceira Idade (UNATI) e algumas comunidades convidadas, entre elas a Teares da Alegria. Nélio Pinheiro, da empresa Overloque, também se envolveu no projeto. “A troca de saberes foi muito gratificante. As senhoras tinham experiência manual, com o crochê, por exemplo, e as alunas colaboravam com o olhar do design na concepção dos produtos”, afirma Suzana Barreto. A coordenadora acredita ter tido um resultado razoável pelo curto espaço de tempo em que as oficinas foram realizadas. Ao final, foi apresentado um desfile onde as próprias senhoras foram modelos de suas criações, fazendo-as sentirem-se importantes por ganharem visibilidade.

Fica, então, a expectativa dos integrantes do projeto para a segunda edição das oficinas que estão previstas para o segundo semestre deste ano, entre agosto e setembro. A coordenadora relatou qual será o ponto de partida: “Antes de qualquer coisa, serão verificadas quais produções são viáveis de serem feitas e comercializadas pelas empresas parceiras.” E esclareceu: “A pretensão com o projeto não é só otimizar o uso dos resíduos ao invés de explorar novas matérias primas, como também agregar valor de consumo aos produtos para que seja gerada renda aos participantes do projeto.”

Os resultados serão comparados com projetos de outras cidades via fórum online. A professora doutora Suzana Barreto acredita que a atuação do projeto pode ser ainda mais ampla à medida que são cobrados conceitos sustentáveis dos alunos de modo a prepará-los para o mercado. “A intenção final é modificar a cultura das empresas locais e atender a demanda de um nicho sustentável que procura produtos em consonância com o consumo consciente”, garante a doutora.

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