Rede social é utilizada em estudo para mostrar o que os adolescentes pensam sobre o ensino de História

Os temas preferidos dos alunos diferem-se por gênero e nem sempre eles gostam dos conteúdos ensinados na escola 

Márcia Ramos utilizou as principais comunidades do Orkut relacionadas à História para entender o que faz os alunos gostarem ou não do que estudam em sala de aula

Edição: Karina Constâncio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Beatriz Botelho 

Interessada em analisar o pensamento do adolescente sobre a disciplina de História ensinada em escolas públicas, a professora do departamento de História, Márcia Elisa Tete Ramos, buscou narede social Orkut seu objeto de estudo e desenvolveu o projeto “Pensamento dos jovens em comunidades virtuais sobre a história e seu ensino”. A partir das principais comunidades do site relacionadas à disciplina – “Eu amo história” ou “Eu odeio história”-, ela procurou entender o que faz os alunos com faixa etária entre 14 e 18 anos gostarem ou não do que estudam e a forma como eles expressam sua opinião.

Graduada em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com mestrado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e doutorado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre História da Educação, a professora Márcia Ramos acredita que essa análise é importante para conhecer o universo cultural que esses alunos estão inseridos e a forma como eles argumentam para defender a disciplina de História.

Segundo a professora doutora, o Orkut foi escolhido por ser a rede que os adolescentes, pertencentes às classes C e D e, consequentemente, alunos de escola pública, têm mais acesso, pois ele é um site de linguagem mais fácil do que a das outras redes. Esses alunos de escola pública são estudados no projeto de pesquisa, na disciplina de Metodologia e Prática do ensino de História desenvolvida na UEL, e no estágio de supervisão realizado com os alunos de graduação.

No início da análise, Márcia Elisa Tete Ramos achou que o Orkut não seria um meio eficiente para mostrar a opinião dos alunos sobre a disciplina, mas ela começou a perceber que, principalmente quando iam defender a História, eles argumentavam bastante. “Temos a ideia de que esse adolescente não escreve muito e não sabe argumentar, mas ele sabe sim e é isso que eu tenho visto. Geralmente os que amam História, vão à comunidade dos que odeiam para conflitar com 
eles”, afirma a coordenadora do projeto.

“Eu vi numa comunidade uma discussão bem acirrada sobre a figura do Hitler, se ele poderia ter pensado de outra forma, se ele é vilão, se ele é cruel. Alguns defenderam que pelo menos ele era um bom estrategista, outros o escracham. Então, eles pegaram um personagem histórico e começaram a debater sobre ele”, exemplifica Márcia Ramos.

Para a professora doutora, o Orkut traduz muito bem o que os alunos pensam sobre história porque ela encontra respostas mais espontâneas sobre o assunto, que talvez ela não encontraria se fizesse uma pesquisa na escola. Segundo ela, os próprios alunos fazem perguntas uns para os outros nos fóruns das comunidades e, com isso, ela se diz numa situação de conforto, pois consegue informações sem que eles imaginem que há alguém pesquisando a resposta deles. Sobre isso, ela acredita não estar invadindo a privacidade dos adolescentes, pois eles estão postando em comunidades abertas, que não exigem que a pessoa torne-se membro para poder participar delas. “Essas comunidades são abertas e se eles estão postando nelas, eu entendendo que é público e que qualquer pessoa pode entrar”, declara Márcia Ramos.

A coordenadora do projeto tem percebido também que o tema preferido dos alunos se difere por gênero: os meninos gostam de período de guerras e as meninas, da Idade Média. “Por gostarem desses temas, eles buscam informações na Internet e levam para sala de aula um referencial que não é da escola. Sabendo disso, fica mais fácil de trabalhar em sala os temas que eles já sabem”, afirma a professora doutora.

Apesar da diferença de gosto, Márcia Ramos afirma que pode perceber nas comunidades um ponto em comum entre os gêneros sobre o questionamento do papel do herói na história e se ele realmente existiu. Porém, na escolha dos heróis, ela diz que há diferenciação novamente. “As meninas gostam de Joana D”Arc e os meninos escolhem vários tipos de heróis, mas que não são mais aqueles que eram ligados ao ensino de história como Tiradentes, D. Pedro. Os heróis são outros agora, que vão desde Airton Senna até a Jesus Cristo”, observa.

Além disso, a coordenadora do projeto constatou com a análise que a maioria dos alunos que odeiam a História, o fazem pela disciplina ensinada na escola ser muito expositiva e pelo professor exigir que eles decorem o conteúdo. Já nas comunidades em que os alunos dizem amar História, a constatação da professora doutora foi que a matéria que eles gostam nem sempre está relacionada à ensinada na escola. Eles preferem a história das revistas encontradas em banca, 
dos filmes sobre períodos históricos e de jogos que também são baseados na história.”É importante saber isso porque eu, que trabalho com ensino de História, preciso entender o que está acontecendo para que eles não gostem da disciplina ensinada na escola”, conclui a professora doutora Márcia Elisa Tete Ramos.

Crédito da foto: Divulgação

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