Software reduz gasto de energia em silos

Produto desenvolvido em 90 dias por empresa incubada na Intuel otimiza o sistema de aeração de silos de grãos e gera economia de energia

Silos usados na armazenagem de grãos

Edição: Karina Constancio
Pauta: Cláudia Yukari Hirafuji
Reportagem: Leonardo caruso

A empresa Droidtech, incubada na Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnológica (Intuel) – unidade da Agência de Inovação Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Aintec) – em parceria com a WEG e a Agroinsdustrial Rezende, desenvolveu um software capaz de melhorar o armazenamento de grãos e cereais em silos, reduzindo o consumo energético dos armazéns. O EF Energy – Sistema de Gerenciamento de Eficiência Energética na Aeração de Grãos, voltado à agroindústria, pode gerar uma economia de 35% em média. É o que diz o diretor técnico da Droidtech, Leandro Martini Chagas.

Leandro Chagas, explica que a WEG, produtora de motorores, e a Rezende, do mercado agroindustrial, necessitavam desenvolver uma solução que envolvesse um motor de alto rendimento da primeira com os equipamentos de conservação de cereais da segunda, o que seria perfeito para um sistema de aeração. “Esses grandes armazéns necessitam que ventiladores trabalhem para manter o ambiente interno favorável ao armazenamento dos grãos, só que a potencia do ventilador varia de acordo com umidade, temperatura, volume, tipo de produto e clima. Antigamente, os sistemas levavam em consideração apenas o clima e funcionavam como um botão ‘liga e desliga’”, explica.

Segundo Leandro Chagas, o grande diferencial desse sistema é que ele se adéqua às necessidades reais de armazenamento. “Se você tem um certo tipo de alimento armazenado que requer uma umidade de 17%, você precisa que o ventilador trabalhe com uma potencia mais elevada. Caso a umidade fosse reduzida a 14%, por exemplo, o trabalho do ventilador deveria ser menor. Nos sistemas antigos não havia essa regulagem e é isso que desenvolvemos, um programa capaz de regular a aeração dos silos à real necessidade destes.” Ele explica também que os dados da termometria são repassadas ao software e, baseado nas informações de tipo de produto e umidade, calcula a potencia necessária para o armazenamento de certo tipo de produto em um silo especifico.

A economia média de energia é de 35% e em alguns testes chegou a 90%. “A economia vai variar muito de silo para silo, dependendo da estrutura de cada um. Silos bem estruturados chegam a ter entre 30 e 40% de economia. Fizemos um calculo, outro dia, em que um silo, operando 10 horas por dia, gasta 12,5 mil reais em energia. Aplicando o sistema, ele passa a gastar nove mil reais. Em uma planta com 60 silos, a economia anual é de 210.000, considerando que ele esteja cheio o ano inteiro”, complementa. De acordo com Leandro Chagas, essa economia permite que em três anos o produtor pague o investimento na solução.
O diretor da Droidtech conta que o projeto “caiu como uma luva”. Logo após ter criado a empresa, por intermédio da Incubadora Internacional de Empresas de Base Tecnologica da UEL (Intuel), havia a necessidade de execução de algum projeto. “Um dos sócios da empresa tem parentesco com um funcionário da Rezende. Após sabermos as necessidades da agroindústria, passamos a desenvolver o programa”, acrescenta.

Leandro Chagas e o gerente da Intuel, Pedro José Granja Sella*, acreditam que a questão energética é o grande ‘filão’ das empresas tecnológicas. “Imagine a economia que temos em uma planta. Agora imagine todas as plantas do Brasil economizando 30% de energia, quantos megawatts não ao economizados”, enfatiza Leandro Chagas. Para o gerente da Intuel, o Brasil encontra-se num gargalo energético, tanto pela dificuldade ambiental de se investir em grandes soluções, como hidrelétricas, quanto ao aumento do consumo.

A Droidtech tem a meta de prover tecnologia de baixo custo para áreas que demandam sistemas de automação de pequeno e médio porte (onde empresas de grande porte não conseguem adentrar). Leandro Chagas diz que a empresa já está pensando em outros projetos também na área energética.

A incubadora da UEL participa dos projetos oferecendo suporte às empresas como a Droidtech. “O papel da Incubadora é dar condições iniciais para a empresa começar a se desenvolver. Há a pré-incubação e a incubação propriamente dita. Ao todo, a empresa pode ficar cinco anos incubada”, diz Pedro Sella. Ele explica que a função da Intuel é aproximar a universidade do setor produtivo e de empresas. “No caso especifico das empresas, é concretizar ideias nos projetos das empresas e reverter para a sociedade em forma de geração de renda, impostos e empregos”, acrescenta. O auxilio da Intuel permite que as empresas foquem todo seu investimento na produção.

A incubadora abre edital anualmente e requer o preenchimento de uma ficha, disponível no site da Intuel e apresentar um plano de negócios. Atualmente são 21 empresas incubadas.

* Pedro José Granja Sella possui graduação em Administração de Empresas pelo Fundação Armando Álvares Penteado, especialização em Comércio Exterior e Logística Internacional pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná e especialização em Direito Internacional e Econômico pela UEL.

Serviço:
Agência de Inovação Tecnológica da UEL – (43) 3371-5812 – http://www.aintec.uel.br/

 

Crédito foto: Google Imagens

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