Curso gratuito cria oportunidades para deficientes visuais

Com a utilização de softwares específicos, pessoas com a visão afetada total ou parcialmente aprendem noções básicas de informática

Pauta: Cláudia Hirafuji
Edição: Paola Moraes
Reportagem: Fernando Bianchi

O projeto de inclusão digital ‘Noções básicas de informática e Internet para deficientes visuais’, desenvolvido pelo Departamento de Ciências Exatas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem melhorado a qualidade de vida e dado oportunidades a pessoas com deficiência visual, dando-lhes condições de interagir com o mundo dos computadores por meio de softwares de leitura de dados transformados em áudio.

O treinamento, coordenado pelo professor do Centro de Ciências Exatas (CCE) Fábio Sakuray, graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e mestre na mesma área pela Universidade Federal de São Carlos (UFSC), utiliza-se de programas que fazem a leitura das informações apresentadas na tela do computador e as transforma em fala, que chega ao usuário através de um fone de ouvido. Desta forma, o deficiente visual consegue compreender o que está sendo apresentado pelo computador e interagir com ele.

Segundo o professor Fábio Sakuray, existem em Londrina centros voltados para o aprendizado de informática básica, com o objetivo de promover inclusão digital para pessoas de baixa renda sem deficiência visual. Montados com recursos federais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estes Telecentros – localizados em alguns pontos da cidade de Londrina como o Terminal Urbano, a Biblioteca Central, a Agência do Trabalhador e até distritos como Lerroville – promovem cursos gratuitos semanais com carga horária total de dez horas para pessoas carentes. ”São ensinadas noções de planilhas eletrônicas, editor de textos, noções básicas de informática e outras um pouco mais técnicas como web designer, montagem e manutenção de computadores e infra-estrutura de redes”, diz o mestre. A partir destes centros já existentes, surgiu em2011 a idéia de expandir os cursos oferecidos para atender pessoas com deficiência visual, mediante utilização de softwares e computadores fornecidos pela UEL.

Conforme diz o coordenador do projeto, os computadores utilizados necessitam somente da instalação dos programas que fazem a leitura e transmissão dos dados para um fone de ouvido ou alto-falante. A partir dessas adaptações, o usuário com deficiência visual total ou parcial pode utilizar-se do teclado para digitar um texto, sendo que cada letra digitada no teclado é pronunciada em áudio para o usuário, e as palavras, quando completadas, também são pronunciadas. “Não há restrições para o uso do programa, porém existem algumas complicações, como páginas na internet que contém informações demais”, diz o entrevistado. “Estas páginas acabam por dificultar a leitura dos dados, e, por isso, procuramos utilizar web sites mais simples, como os desenvolvidos para internet móvel de celulares, que contém menos informações e figuras.” Segundo o entrevistado poucos sites, por enquanto, apresentam acessibilidade compatível com os requerimentos dos softwares.

São utilizados no projeto dois tipos de softwares, sendo um gratuito e outro tarifado. O menos utilizado é o DOSVOX (ou “voz do DOS”), software tarifado desenvolvido no Brasil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e que é o mais popular no país para este tipo de utilização. O segundo, adotado como preferencial por ser gratuito, denomina-se NVDA (Non Visual Desktop Acess), programa desenvolvido na Austrália que possui suporte para a leitura de tela em vários idiomas, incluindo o português. Segundo Sakuray, “não há diferença significativas entre eles, e os alunos me garantiram que conseguem utilizar bem os dois tipos.”.

“O objetivo é a inclusão digital e social do indivíduo com deficiência visual, criando oportunidades para que ele possa melhorar sua renda, tendo uma atividade remunerada, a partir das noções de informática”, afirma o professor, uma vez que o mercado de trabalho cada vez mais exige conhecimento desse tipo de tecnologia.

A primeira edição do curso para deficientes visuais ocorreu entre os dias 11 e 13 de maio, em um dos laboratórios de informática do Departamento de Computação localizado no CCE da UEL. Já existe uma segunda turma programada para os dias11 a15 de julho deste ano. As inscrições podem ser feitas sem custo pelo telefone do Departamento de Computação, 3371-5856.

Crédito da foto: Agência UEL

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: