Iniciativa ajuda pacientes com o diagnóstico de Transtorno Bipolar

Projeto do departamento de Psicologia da UEL utiliza a terapia em grupo para o tratamento de pacientes bipolares

Pauta: Claudia Yukari Hirafuji 
Edição: Paola Moraes 
Reportagem: Vanessa Tolentino 

A professora doutora Maria Rita Zoega Soares* coordena o projeto “Intervenção psicológica em grupo para o tratamento de pacientes bipolares”, iniciado em abril deste ano, que visa o tratamento de pacientes divididos em grupos, que estão sendo atendidos ou na fila de espera do Hospital das Clínicas, diagnosticados com Transtorno Bipolar.

Conexão Ciência: O que é o Transtorno Bipolar do Humor?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 O Transtorno do Humor é uma condição psiquiátrica que consiste em um conjunto de sinais e sintomas persistentes por semanas ou meses e representam uma mudança marcante do desempenho comportamental do indivíduo, que tende a recorrer de forma habitual ou cíclica. A bipolaridade é caracterizada por episódios de mania e depressão e as alterações do humor geralmente levam ao comprometimento social, interpessoal e ocupacional.

Conexão Ciência: Quais são as causas?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 As causas ainda não estão bem identificadas. Nós suspeitamos de hereditariedade, pois percebemos que a maioria dos pacientes possui outros casos na família.
Mas também observamos que algumas vezes o indivíduo apresenta a bipolaridade logo depois de passar por condições estressantes, como a morte de um ente querido, perda de um emprego, uma separação conjugal. Essas situações podem fazer com que uma pessoa que já apresenta uma pré-disposição à doença sinta os sintomas do transtorno.

Conexão Ciência: Como se manifesta?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 Por um lado na fase de depressão, quando a pessoa não quer sair de casa, se recusa a comer, dorme a maior parte do tempo, apresenta falta de motivação pra desenvolver atividades. Por outro lado a fase da agitação, ou mania. Nesta fase, pode ser que a pessoa comece a gastar seu dinheiro sem limites, se envolver com jogos de azar, ter um aumento do desejo sexual. Então, depende da fase em que a pessoa se encontra.

Conexão Ciência: Quais são os possíveis tratamentos?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 Atualmente o que tem demonstrado maior eficácia é a junção do tratamento farmacológico com o tratamento psicológico.

Conexão Ciência: Em que consiste o projeto?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 O projeto é um grupo de atendimento psicoeducativo. Então, nós atendemos pacientes do Hospital das Clínicas que têm o diagnóstico de bipolaridade. Esses pacientes são atendidos em grupos, em 16 sessões. Em cada grupo nós trabalhamos tanto o conhecimento da doença, como do tratamento.

Conexão Ciência: Qual o objetivo?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 O objetivo é que o paciente possa compreender melhor a doença e o tratamento. Assim, ele tem uma maior adesão e acaba colaborando mais com os profissionais que o atendem.

Conexão Ciência: Como foi feita a escolha das pessoas que participam do projeto?  Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares: Foram pessoas encaminhadas pelos psiquiatras do Hospital das Clínicas, tanto pacientes que estavam em atendimento como aqueles que estavam na fila de espera. São pessoas que estão em uma fase de estabilidade, ou seja, não estãoem crise. Nem muito em fase maníaca nem muitoem depressão. Por estarem nessa fase de estabilidade elas podem se organizar melhor e participar mais ativamente do grupo. Então, elas foram diagnosticadas pelos psiquiatras e encaminhadas. A partir desse encaminhamento elas participaram de uma série de testes para verificarmos se estavam em condições de participar do grupo.

Conexão Ciência: Quais são os benefícios da terapia em grupo?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 O grande benefício é quando os pacientes percebem que existem outras pessoas que passam pelas mesmas situações vividas por eles. Eles compreendem melhor a doença e aderem mais facilmente ao tratamento. Além disso, um serve de modelo para o outro. Um paciente que volta a realizar certas atividades, que passa a compreender melhor o problema, pode servir de modelo para aquele outro que participa do mesmo grupo. E sabemos que a aprendizagem interpares é a mais rápida e efetiva que existe. Duas pessoas que vivem a mesma situação conversando, pode ser mais efetivo do que um profissional conversando com um paciente.

Conexão Ciência: Quais são os resultados esperados e os já observados?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 O que podemos observar é que os pacientes já conseguem entender uma situação de risco. Eles conseguem perceber o próprio comportamento e talvez evitar entrar em uma crise. Há também uma maior adesão ao tratamento, eles procuram não faltar às consultas. E nós esperamos que esse tipo de trabalho venha auxiliar os pacientes e até mesmo os profissionais que estão atuando.

Conexão Ciência: Vocês já fazem ou pretendem fazer algum trabalho com os familiares desses pacientes?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares: Por enquanto os familiares ainda não foram incluídos. Mas é um objetivo do projeto incluir futuramente a participação familiar. Para que esses entendam melhor a doença e o tratamento. Até porque com o apoio e o entendimento da família o paciente se sente mais a vontade no convívio.
Mesmo indiretamente, se esses pacientes têm as crises diminuídas ou mais espaçadas, o relacionamento com a família pode se tornar melhor e mais harmônico.

Haverá  publicações com os resultados?
Profª. Drª. Maria Rita Zoega Soares:
 Sim, é um projeto de pesquisa e há aluno de mestrado envolvido, também dois residentes da psiquiatria. Nós temos programado a publicação de um livro para o próximo semestre, além de artigos científicos com os dados das avaliações que foram aplicadas.

*Possui graduação em Psicologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestrado em Educação pela mesma instituição e doutoradoem Psicologia Escolare do Desenvolvimento Humano pela Universidade de São Paulo (USP). Elaborou dissertação e tese na área de Psicologia da Saúde e desenvolveu pós-doutorado em Psicologia da Saúde na Universidade de Valencia – Espanha.

Crédito da Foto: Vanessa Tolentino

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